As Melhores leituras de 2019 da Michelle

Por: Michelle Henriques

Não sou muito fã de finais de ano, fico melancólica e pensativa demais, mas tem uma coisa que eu amo: listas. Gosto de pensar nos melhores livros, filmes, discos, passeios. E como de costume, segue a minha lista de melhores leituras aqui no Espanador. Nesse ano tem uma diferença, não coloquei por ordem de preferência, fui apenas lembrando dos livros e anotando. Ah, são duas diferenças, nesse ano também não consegui escolher apenas dez livros, são onze. 

O Quarto de Giovanni – James Baldwin (Tradução de Paulo Henriques Britto; Editora Companhia das Letras)

Desde que comecei o Leia Mulheres com a Ju Gomes e a Ju Leuenroth eu passei a ler mais mulheres. A quantidade de livros escritos por homens diminuiu consideravelmente a cada ano que passa. Isso não é proposital (acho), eu apenas estou sempre lendo mulheres, querendo conhecer autoras esquecidas e assim por diante. Então começo a lista com o único homem possível: James Baldwin. Esse foi o primeiro livro do [Leituras Compartilhadas] e de cara entrou para a lista de melhores. Baldwin escreve de uma forma extremamente sensível e envolvente, e esse livro é uma pequena pérola. 

Lady Killers: Assassinas em Série – Tori Telfer  (Tradução de Marcus Santana e Daniel Alves da Cruz; Editora Darkside)

O assunto serial killers sempre me interessou, com uma fascinação estranha, curiosidade de saber o que se passava na cabeça daquelas pessoas. Sempre se falou muito dos homens assassinos em série, mas este livro de Tori trata de algumas mulheres cruéis da história, principalmente algumas desconhecidas que nunca foram destaque na mídia. Gosto muito de como ela analisa de forma muito neutra o comportamento delas, e escreve de forma bastante respeitosa com as vítimas. Escrevi sobre ele aqui.

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos – Ana Paula Maia (Editora Record)

2019 pode ser considerado o ano em que me apaixonei por Ana Paula Maia e seus homens brutos. Li quase todos os livros dela a que tive acesso (menos um que estou guardando) e coloquei esse apenas para representar a obra. Eu vou ler basicamente qualquer coisa que ela publicar daqui em diante.

top 3

 
O Peso do Pássaro Morto – Aline Bei (Editora Nós)

Em março deste ano o Leia Mulheres completou quatro anos e convidamos a Aline Bei para participar do encontro. A casa estava cheia, todo mundo comentando o livro, relatos emocionados, foi uma das discussões mais interessantes e ter a Aline ali foi perfeito. O livro é lindo, e desculpem o trocadilho, poesia pura. 

A Vegetariana – Han Kang (Tradução de Jae Hyung Woo; Editora Todavia)

Li o livro e gostei muito, mas esse foi outro caso em que a leitura só cresceu depois do Leia Mulheres. O encontro me fez pensar em nuances do livro que eu tinha deixado passar despercebidas. Um livro potente e ao mesmo tempo delicado, sobre dor, sobre silêncio, sobre abuso. Considero essencial. 

O Mau Exemplo de Cameron Post – Emily M. Danforth (Tradução de Alice Mello; Editora Harper Collins)

Vi o filme baseado neste livro ano passado e amei muito. Em 2019 tive a oportunidade de lê-lo e meu amor pela história só cresceu. O enredo fala da Cameron, que é mandada para um acampamento de cura gay depois de ser flagrada aos beijos com outra garota. No livro a gente conhece a vida da Cameron desde a infância. Uma delícia de livro, apesar do tema delicado. Escrevi sobre filme + livro no Cine Varda

Água Fria e Areia – Vanessa Vascouto (Editora Lamparina Luminosa) 

Sabe um livrinho pequeno, mas que te toma a atenção? É o caso desse aqui. São poucas páginas sobre encontros e desencontros, mas eu amei e fiquei muito tempo pensando nos personagens. Resenhei ele no Leia Mulheres, você pode ler aqui.

Top 4 ao 7 MIh

Mulheres Difíceis – Roxane Gay (Tradução de Ana Guadalupe; Editora Globo)

Mais um livro que escolhemos para o Leia Mulheres. Foi meu primeiro contato com a escrita de Roxane fora da internet e já morri de amores. No encontro eu queria falar de cada conto, comentar cada aspecto da obra. Um conjunto de bad vibes, do tipo que eu mais gosto. Resenhei aqui

Minha casa é onde estou  – Igiaba Scego (Tradução de Francesca Cricelli; Editora Nós)

Neste ano eu tive a oportunidade de conhecer várias escritoras que admiro, entre elas a Igiaba Scego. Quando fui convidada para entrevistá-la corri para ler as suas obras publicadas no Brasil e essa aqui me pegou de jeito. Igiaba nasceu na Itália, mas é de origem Somali. Aprendi sobre história, sobre amor e sobre escrita com esse livro. Igiaba é grande. Falei sobre como foi conhecê-la aqui.

Este é o mar – Mariana Enriquez (Tradução de Elisa Menezes; Editora Intrínseca)

Em 2017 o livro de contos da Mariana (As coisas que perdemos no fogo) entrou na lista dos melhores. Acho que foi a melhor leitura daquele ano. Gostei um pouco menos do romance, mas mesmo assim merece estar entre os cinco melhores do ano. Eu amo essa mulher, amo a estranheza dela. 

Sobre os ossos dos mortos – Olga Tokarczuk (Tradução de Olga Baginska-Shinzato; Editora Todavia)

Esse entrou raspando na lista. Olga ganhou um Nobel e a gente sempre fica curioso com gente que ganha prêmio importante. Esse é um livro aparentemente simples, um enredo quase banal, uma história policial clichê, mas nas mãos de Olga isso tudo é soberbo. Escrevi sobre o livro e o filme para o Cine Varda 

top 8 ao 11 Mih 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *