[Coluna do Menezes] Retrospectiva Geek 2017

Com 2017 já um pouco distante, é hora de fazer promessas e olhar para trás para ver o saldo das experiências e do conhecimento adquirido. 

JANEIRO

O mês de janeiro que costuma ser menos visado em lançamentos emblemáticos, porém esse ano começou já agitado com o universo de Resident Evil se reinventando novamente com o game Resident Evil VII, após criar o survivor horror nos anos 90, reformular a série com a quarta entrada que tornou a ação mais recorrente. Em 2017, de olho na evolução de games em VR (realidade virtual), o novo jogo propôs uma nova experiência em primeira pessoa se distanciando da ação desenfreada dos últimos três jogos.

Desventuras em série, a série de livros de Lemony Snicket, foi redescoberta graças a série da Netflix. Mulher Maravilha – Terra Um , foi finalmente publicado pela Panini, mostrando que esse seria ano de Diana Prince. Nos Estados Unidos a série que teve mais destaque no mês foi uma fantasia de Katherine Arden passada na Rússia, O Urso e o Rouxinol  (Fábrica 231), misturando folclore russo com aventura. Esta  série ainda está para ser descoberta pelo público brasileiro.

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FEVEREIRO

O acontecimento mais esperado pelos fãs de quadrinhos e pelos fãs da Marvel em 2018, será novo o novo filme dos Vingadores que unirá os heróis contra a ameaça de Thanos, mas nos quadrinhos essa saga já começou em fevereiro com Infinito – Volume 1  (Panini), assim com a trilogia base da “Manopla do Infinito”. Para os mais entusiastas da DC Comics o mês trouxe mais uma ótima adaptação do Batman aos cinemas, mais leve e divertida, com Lego Batman.

Matéria Escura (Intrínseca), de Blake Crouch, chegou em português, este foi o romance de Ficção Científica mais vendido e importante de 2016 no mercado americano. A Darkside lançou sua coleção de clássicos de terror, encadernada e em edição de luxo, com o pai do gênero Medo Clássico – Edgar Allan Poe. Em fevereiro, o game Horizon – Zero Dawn, fez seu debut e já era considerado concorrente forte a game do ano em todas mídias especializadas, a trama em mundo aberto coloca o jogador na pele da impetuosa Aloy, explorando um mundo pós-apocalíptico e enfrentando robôs  em volta ao mistério de sua existência.

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MARÇO

Um mês com muitos lançamentos essenciais, Neil Gaiman trouxe suas compilações de lendas em Mitologia Nórdica (Intrínseca); Brian K. Vaughan, consagrado atualmente com Saga, também teve sua nova série lançada em Paper Girls (Devir), um misto de fantasia e nostalgia ambientada nos anos 1980. Os brasileiros se aventuraram em terras fantásticas: Angus, clássico da fantasia nacional foi reeditado pela Novo Conceito; já P.J. Pereira um dos principais nomes da atualidade lançou seu novo livro: A Mãe, A Filha e Espírito da Santa (Planeta). Nos Estados Unidos a graphic novel de Thi Bui , O Melhor que Podíamos Fazer (Nemo) coleciona críticas positivas. O quadrinho lida com imigração vietnamita, um tema tabu no país do Tio Sam.

O mercado de games recebeu mais um console, o Switch, um híbrido entre console de mesa e portátil que foi a grande aposta da Nintendo para sobreviver em uma época em que os consoles tem potenciais gráficos cada vez maiores. E foi uma aposta que deu certo em todo mundo… menos no Brasil, pois o console não está oficialmente no país ainda, mas essa pode ser uma esperança para 2018… torçamos. No cinema, Logan, trouxe um filme absurdamente diferente da cinessérie dos X-Men, uma história forte e densa, que levou muitas pessoas as lágrimas no cinema.

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ABRIL

A Marvel continuou no cinema também em abril com Guardiões da galáxia 2, que trouxe mais comédia e referências pop à franquia. Entretanto esse foi nosso mês menos geek em comparação aos demais, o grande acontecimento foi em terras estrangeiras com a publicação do primeiro volume da maxi serie, Secret Empire  na Marvel Comics, que traz uma reviravolta ao apresentar o Capitão América como um agente infiltrado dos inimigos nazistas (a HYDRA!) desde sempre. Esquisito, polêmico e mexendo com muitos conceitos já clássicos da editora, essa série aguarda sua publicação nacional. Jeff VanDeermer (autor de Aniquilação, livro já lançado aqui pela editora Intrínseca e que vai ser adaptado para o cinema e lançado pela Netflix em 2018) veio com uma nova Ficção Cientifica, Borne (Mcd), após algum tempo sem publicar. Assim como Omar El Akkad, que voltou às livrarias com Uma Guerra Americana (HarperCollins Brasil), esse romance incrível que mostra um Estados Unidos dizimado por uma guerra por combustível e toca na ferida da mudança climática.

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MAIO

Mês característico do Nebula, maior prêmio de fantasia da literatura, em que Omar El Akkad já é favorito para 2018. Em 2017 p prêmio consagrou a estranha mistura de fantástico com Ficção Cientifica, que é Todos os Pássaros no Céu (Morro Branco) de Charlie Jane Anders, o romance ainda colecionaria muitos prêmios durante todo o ano, já se tornando referência dentro do gênero fantasia. Solaris de Stanislaw lem finalmente ganhou uma tradução nacional e uma bela edição pela Aleph.

O cinema trouxe um filme que já se tornou cult, o terror Corra!!! De Jordan Peele. Um belo exercício de estilo e traz um protagonista negro indo conhecer o pais brancos de sua namorada de uma vizinhança totalmente branca. Comentário crítico essencial em uma época em que supremacistas brancos marcham pelos Estados Unidos, ultrapassando seu gênero este foi um dos melhores filmes de 2017.

Na televisão fomos agraciados com muitas obras relevantes vindas de livros: Handmaid’s tale é uma adaptação do ótimo livro com mesmo título, O Conto da Aia (Rocco) de Maragerth Atwood, uma distopia religiosa que incomoda pela sutil violência de suas palavras; Deuses Americanos (Intrínseca), de Neil Gaiman, após anos na pré-produção para levar o universo mágico de seu criador com fidelidade teve uma estreia arrebatadora e mostrou que fez jus ao tempo dedicado a ela. Sense 8 das irmãs Wachowski teve sua segunda temporada com muito sucesso entre os fãs, apesar de ter sido cancelada. Após uma corrente massiva na internet, ela ao menos será encerrada em 2018 com um especial de duas horas.

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JUNHO

Fora o mês do quadrinho no Brasil. No lado mais geek por excelência, o mangá Akira- VOL. 1, de Katsuhiro Otomo ganhou uma bela e luxuosa reedição pela JBC. Nas graphic novels, Paciência  (Nemo), novo quadrinho de Daniel Clowes mostra um homem voltando no tempo para tentar salvar a mulher que ama, pode ser uma premissa que parece tocante, mas seu desenvolvimento é muito mais pautado no humor ácido e crítica comportamental. Tocante mesmo é A Diferença invisível (Nemo) de Mademoiselle Caroline e Julie Dachez, que trata de um assunto pouco apontado na literatura em geral, a síndrome de Asperger.

O filme de Patty Jenkings, Mulher-Maravilha, superou todas as expectativas e mostrou que universo da DC pode ter salvação nos cinemas, fazendo um bê-a-bá direitinho e dando uma resposta a quem achava que uma protagonista feminina nunca seria um sucesso no cinema (sim, essas pessoas infelizmente existem). Se o filme é um mar de críticas positivas e mostra um bom futuro para a franquia, é necessário apontar que há muita controvérsia em relação a atriz principal pelo fato de ser sionista e defender a guerra em Israel.

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JULHO

Diana Prince continua na mídia ao ganhar o Eisner de Melhor Graphic do ano com Wonder Woman – The True Amazon (DC Comics) de Jill Thompson, e traz uma história de origem e evolução completamente nova para a icônica personagem. O prêmio Eisner tem várias categorias, uma outra a se destacar em 2017 foi melhor Coletânea vencida por Amor é Amor (Geektopia), onde artistas da DC e IDW se reuniram para criar pequenos contos em homenagem às vítimas do ataque à Boate Pulse em Orlando, uma mensagem de amor e tolerância, que até envolve personagens como Batman, Superman, entre outros icônicos da DC. No Brasil o mundo dos quadrinhos continuou a todo vapor com Laika  (Boitempo), de Nick Abadzis, biografia em quadrinhos da lendária cadela lançada no espaço; Blacksad  (Sesi), de Juan Diaz Canalez, uma clássica reinterpretação do noir com animais antropomorfizados e Aqui de Richard McGuirre (Quadrinhos na Cia.) que é indescritível…mas a gente tenta: a visão de um cômodo de uma casa e como ele muda com a passagem do tempo. Começa simples assim, mas o autor vai fazendo experiências estéticas, sobrepondo imagens e narrativas desse espaço, logo menos temos uma exploração que vai de 12 antes de Cristo até um futuro distante. Incrível.

Não podemos esquecer que Homem Aranha –De Volta ao Lar, de Jon Watts estreou nos cinemas e trouxe um ar diferente aos filmes de super-heróis, sendo claramente inspirado em John Hughes, há décadas perdida, para a criação do filme. Hellblade é um game que apesar de ser independente trouxe uma riqueza gráfica melhor que muitos outros títulos e uma história pautada na exploração psicológica de sua protagonista.

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AGOSTO

Os Games tiveram mais uma entrada da Série Uncharted, com um spin-off The Lost legacy aventura curta trazendo as coadjuvantes Nadine e Chloe para o mundo escaladas e ação construído pela Naughty Dog. Outra protagonista forte foi a Lorraine Broughton, em Atômica  (Darkside) o filme tem a presença energética de Charlize Theron, o quadrinho lançado nesse mesmo mês já tem o clima mais espionagem da Guerra Fria, o girl power foi, ainda bem, essencial para o ano de 2017

O clássico Em busca de Watership Down (Planeta), de Richard George Adams, finalmente chegou ao país. Publicado em 1972 na Inglaterra, traz uma comunidade de coelhos tendo que se mudar após a destruição de habitat. Apesar de ter animais no centro da narrativa, o romance é denso, e assim como Maus utiliza os animais como alegorias da sociedade. Longa Viagem a um Pequeno Planeta hostil (Darkside), de Rebecca Chambers, foi ao encontro de fãs de Star Trek, ao mostrar uma história pautada na exploração espacial.

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SETEMBRO

Por falar em Star Trek, apesar de já ter ganhado um merecido reboot no cinema em 2009, a mídia clássica da série esteve ainda abandonada, até esse mês com a estreia de Star TrekDiscovery novo seriado que se passa antes da série clássica. Com uma trama mais amarrada e mais sombria que os demais seriados da criação de Gene Roddenberry. O seriado surpreendeu positivamente com sua abordagem moderna à clássica série, mostrando que nem só de Star Wars vive o nerd clássico.

Outro quadrinho que traz outra tendência do ano já evidenciada em parte em Laíka e Atômica, que é a celebração dos 100 anos de revolução russa, é a reedição que a Panini fez para um clássico da DC Comics, Superman Entre a foice e o Martelo. Este quadrinho traz uma curiosa e instigante questão: O que aconteceria se o Superman tivesse caído na Rússia e não nos Estados Unidos? Esse é o quadrinho que todos podem ler, até quem não gosta do gênero super-herói. Para os mais aficionados, Frank Miller criou mais continuação ao Cavaleiro das Trevas (Panini), com The Master Race que torna o clássico agora parte de uma trilogia.

Por falar em tendências, temos mais uma em 2017, mas na verdade é uma tendência de todos anos, que é o resgate dos anos 1980, a década que não acabou, agora com It – A coisa, o filme de Andy Muschietti que mudou a história de Stephen King dos anos 1950 para os 1980 e criou um conto aterrorizante que lembra muito uma outra série que faz muito sucesso em todo mundo…

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OUTUBRO

Obviamente falamos aqui de Stranger Things, provavelmente a maior fixação dos novos tempos em termos de seriado. Trouxe em sua segunda temporada uma trama mais aberta e que dividiu alguns fãs, mas incrivelmente cativante em personagens e ambientação, além e claro de muitas referências. Anos 1980 também estão presentes no design visual de Blade Runner 2049, de Denis Villeneueve, continuando a história de Ridley Scott de 1982, com uma fotografia de tirar o fôlego. Stephen King veio pela segunda vez no ano, agora com seu filho, para dar um pequeno (750 páginas) conto de um mundo sem mulheres, extremamente político em crítica à Era Trump em Belas Adormecidas (Suma das Letras).

Esse que é o mês característico dos grandes lançamentos de games, tivemos Destiny 2 um shooter ainda mais completo e agora com uma história que importa, o independente CupHead para Xbox One que trouxe a dificuldade como ponto máximo do game cartoonizado e Super Mario Odyssey que conseguiu superar toda a mecânica da série criada nos anos 1980 e que faz a alegria dos nintendistas.

Black Hole (Darkside), quadrinho de horror de Charles Burns, foi reeditado em belíssima capa dura. As letras nacionais ganharam o conciso e belo, Sem dó (Todavia) de Luli Penna. Poderosa também a biografia em quadrinhos de Anne Frank (Record) por Ari Folman, muito inventivo para recontar a história na mídia visual. Tão belo quanto a arte ultrarrealista de Alex Ross em Justiça  (Panini), que já é um abre-alas para um grande evento do próximo mês.

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NOVEMBRO

Vamos a um ponto polêmico, a Liga Da Justiça chegou as telas, mas… ainda é bem confuso e cheio de tons contrastantes, indo mais dark ao mais cômico. Fruto da mudança de direção no meio das filmagens, de Zack Snyder para Joss Whedon, os entusiastas da DC vão defender o filme, os marvetes vão criticar. Como não sou nem um nem outro, só fico com a impressão de que como filme poderia ser melhor. Thor: Ragnarok foi o melhor filme do semi-deus no cinema, mas ainda assim me parece um filme excessivamente cômico, divertido mas não combina tanto com o que foi criado até agora.

Quinta estação (Morro Branco) foi lançado em português, o livro ganhou o Hugo em 2016, sua autora N. K. Jemisin foi a primeira pessoa negra a ganhar o prêmio, e ganhou também em 2017 com a continuação The Stone Sky (Orion). Isso raramente acontece no Hugo ou em qualquer prêmio literário. A editora Morro Branco também trouxe um clássico esquecido de Ficção Cientifica, Kindred de Octavia E. Butler, publicado originalmente em 1979 com uma temática de viagem do tempo contrastando o mundo atual com o EUA do período da escravidão.

Pode-se perceber que foi um mês com assuntos polêmicos dentro e fora das mídias, Battlefront II, jogo de Star Wars lançado a pouco tem um preço de jogo completo, mas coloca as temíveis micro transações (pagar por mais itens) como item essencial para progredir no multiplayer do jogo. Não é necessário dizer que a comunidade gamer não gostou nada disso, além de tirar o foco do ótimo modo história que acrescenta demais ao novo universo criado pela Disney atualmente. A produtora do game disse que vai alterar ou remover o conteúdo, mas nada concreto foi confirmado até agora. Uma mancha grande em um game ótimo.

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DEZEMBRO

E chegamos ao fim de ano, ufa! Pegando a deixa do último mês, o grande evento do ano é o lançamento de Star Wars – Os últimos Jedi  de Rian Johnson no mercado mundial. Há alguns outros highlights com a Comic Con Experience, feira de conteúdo geek que ocorreu entre os dias 7 e 10 de dezembro, e teve como um dos destaques a fantasia nacional de Felipe Castilho, em A ordem Vermelha (Intrínseca). 

Teve também o lançamento da compilação Medo Clássico – H.P. Lovercraft (Darkside), Walking Dead (Panini) original agora em capa dura. A sétima temporada de Game of Thrones saiu em DVD e Blue-ray. Além de Ghost in shell 2.0 (JBC), o clássico mangá finalmente chegando em seu segundo volume.

Ainda assim o foco mesmo é o universo Jedi, já com várias sessões lotadas com fãs ansiosos para ver um novo capítulo, possivelmente sombrio, da saga. 2017 foi um ótimo para ser nerd, geek, pop ou simplesmente leitor e espectador.

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