[Favoritos da casa] Karen Blixen

Há 130 anos, na Dinamarca, nascia Karen Christence, a Baronesa de Blixen-Finecke, ou como nós a conhecemos: Karen Blixen. Sua vida toda (e não só um período dela) daria um livro: o pai se suicida quando ela tinha 10 anos e a mãe a cria, junto com os quatro irmãos, sozinha e dependente da ajuda de familiares. Aos 19 anos se casa com um primo distante e vai morar no Quênia, numa fazenda produtora de café.
 
O casamento não é bem sucedido, o marido é mulherengo e a deixa sozinha por longos períodos. Eles se separam definitivamente em 1925. Durante esse período em que viveu na África ela conhece o homem por quem realmente se apaixona, Denys Finh Hatton, mas como em um romance “típico”, ele morre depois de poucos anos de relacionamento intenso. Em 1931, com o fracasso da produção de café, Karen volta para a Dinamarca. Durante esse período, publica em 1926 A vingança da verdade.
 
Seu segundo livro, publicado em 1934, foi Sete Narrativas Góticas, é de contos que se passam no início do século 19. Segundo Marcelo Pen em crítica escrita para a Folha de S.Paulo na época do lançamento do livro no Brasil pela Cosac Naify, em 2007, os contos são “góticos” porque:
 
O termo ‘gótico’, derivado da versão em inglês, remete a uma literatura anterior ao realismo do século 19, um tipo de relato romântico, avesso à verossimilhança, cheio de reviravoltas, digressões, histórias dentro de histórias, enredos mirabolantes e de matéria que se avizinha do sobrenatural”. 
 
Seu outro livro conhecido no Brasil, Anedotas do Destino, foi publicado em 1958 tem o conto “Festa de Babete” que ficou conhecido por conta do filme de mesmo nome lançado em 1987 e ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
 
 
Mas seu livro mais famoso, e o meu preferido, é A Fazenda Africana. Lançado em 1937, é o relato da vida de Blixen no Quênia. O que eu mais gosto nesse livro é a forma respeitosa como ela descreve as pessoas, os costumes e a paisagem do lugar. Gosto da ideia de uma mulher europeia sozinha cuidando de uma fazenda no meio da África e interagindo com os povos nativos sem impor seu modo de vida a eles. É claro que ela era mais um dos milhares de colonizadores que foram para lá, mas em nenhum momento percebemos um “preconceito” da parte dela. Para mim, A Fazenda Africana é um livro sobre aceitação, seja das diferenças, seja do que a vida nos impõe. Mas não é simplesmente aceitar e ficar passivo, é decidir o que fazer e como fazer. A vida de Blixen no Quênia nem sempre foi fácil, mas no livro, fica claro que ela foi plena e cheia de significado.
 
Karen Bixen escreveu outros livros, como Contos de inverno e Sombras na pradaria, e viajou para os EUA onde conheceu Arthur Miller e E.E. Cummings fãs confessos de sua escrita.
 
Blixen sempre teve uma saúde frágil resultado da sífilis que contraiu, provavelmente do marido. Porém, a partir de 1950 ela piora e em 1955, por conta de uma ulcera, tem um terço do estômago retirado. Morre em 1962, ao 77 anos, aparentemente de má nutrição, resultado da cirurgia de estômago.
 
Fica para a literatura e para a história a imagem de uma mulher forte e decidida, uma escritora criativa e sensível que viveu uma vida digna de um bom romance. 

Um comentário em “[Favoritos da casa] Karen Blixen

  1. Muito interessante conhecer mais sobre Karen Blixen. Dela só li A Festa de Babette, e gostei bastante (e ainda pretendo ver o filme), tanto que fiquei na maior vontade de ler mais livros da autora. Sete Narrativas Góticas é um que está na minha wishlist há tempos.

    Beijos, Livro Lab

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