[Espanador apresenta] Mundaréu

Aqui n’O Espanador desde o inicio do blog, há quase 5 anos, sempre buscamos editoras e livros que fujam do comum. E é através das editoras independentes que conseguimos encontrar boas novidades.

No mês passado falamos sobre a editora Rádio Londres. Este mês escolhemos a editora Mundaréu.

Um dos motivos que escolhemos falar da Mundaréu é a escolha ousada dos seus livros. Não lembramos de ter visto outra editora se lançando no mercado com livros com a mesma temática.

São quatro livros lançados de uma vez (ou com o lançamento muito próximo um do outro) e todos remetem a um mesmo período: a 1ª Guerra Mundial, com a coleção “Linha do tempo”.

E além dos ótimos títulos, com uma edição bacana, o que chama atenção são os preços baixo dos livros.

Abaixo, algumas perguntas que uma das sócias da Mundaréu, a Silvia Naschenveng, nos respondeu.

P: Por que começar uma editora no Brasil?

M: O mercado editorial em si não é fácil. No entanto, acreditamos que o mercado brasileiro esteja vivendo um momento especial. O hábito de leitura no Brasil tem muito a ser desenvolvido e há um grande potencial de crescimento do número de leitores – são possibilidades em que gostamos de apostar. Em meio à consolidação de grandes editoras, estão surgindo várias pequenas com projetos interessantes e é nessa conjuntura que se insere a Mundaréu.

P: A Mundaréu tem uma linha editorial determinada?

M: A Mundaréu vai se dedicar à literatura e à filosofia e pretende editar obras de qualidade e relevância, em edições bem cuidadas. À parte isso, temos um mundo de possibilidades.

P: Existe algum modelo de editora independente que vocês se espelham?

M: Não temos um modelo. Porém, é claro que existem editoras de que gostamos (basta olhar para nossas estantes) e outras editoras que enfrentam desafios semelhantes aos nossos, com as quais nos identificamos. E editoras cujo catálogo, opções gráficas, definição de coleções ou formatos nos inspiram.

Particularmente, gosto muito de ouvir e ler editores – tenho alguns volumes de uma coleção da Edusp chamada ‘Editando o Editor’ e gostei bastante de ler. Frequentemente são pessoas apaixonadas pelo ofício e 100% envolvidas com o que fazem.

P: Aqui no Brasil temos uma dificuldade com editoras independentes com relação a distribuição dos livros. Como está sendo esse processo?

M: Sim, distribuir é uma questão para as pequenas editoras. A distribuição consome parcela considerável do preço final do livro e não conseguimos encontrar uma distribuidora que levasse em conta nosso tamanho e perfil.

Por outro lado, encontrei bons parceiros na Livraria Martins Fontes Paulista, na Livraria da Vila, na Livraria Cultura do Shopping Vila Lobos e, no Rio, na Livraria da Travessa. Compradores que gostam de ler e que nos abriram espaço a partir do nosso diminuto catálogo. É ótimo passar na Livraria da Vila da Fradique Coutinho e na Martins Fontes da Paulista, que são as livrarias que frequento regularmente e em que mais compro como leitora, e ver os livros da Mundaréu expostos com destaque, sabendo que bastou apresentar os livros para isso.

Por enquanto, nosso caminho tem sido apostar em poucos e bons parceiros e tentar complementar lacunas via venda direta.

P: Qual o critério da escolha dos livros?

M: Somos dois sócios na editora e temos como política participar de todas etapas e processos editoriais. Assim, a escolha passa necessariamente por nós – publicamos aquilo de que gostamos e que gostaríamos que outras pessoas lessem, e que não fuja às linhas da editora. Temos bastante flexibilidade por um lado, pois a linha editoral é aberta em dois grandes campos, por outro lado, o livro tem que nos cativar por algum motivo.

P: Como conseguir livros que sejam atrativos, mas ao mesmo tempo tenha um bom custo beneficio?

M: É um desafio. Uma das motivações centrais para abrir a editora foi a de tornar disponíveis em português obras de grande alcance cultural, mas não necessariamente com apelo comercial imediato. Então temos que equilibrar o fato de não trabalharmos com best sellers, com edições de qualidade e com preço razoável. A solução que encontramos, no momento, foi manter baixos custos administrativos.

P: Qual será a média de lançamento por mês?

M: No curto prazo, não deve superar um por mês. Para nós, é mais vantajoso lançar um conjunto de livros de uma vez, ao invés de lançamentos mensais, pois facilita a divulgação e a negociação com fornecedores.

Mais informações, a editora tem um site e uma página no Facebook.

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