Espananews S02 #19

Millôr é o homenageado da Flip
A corrida para a Flip 2014 já começou. A Festa, que acontecerá entre 30 de julho e 3 de agosto (por conta da Copa do Mundo), anunciou ontem (12) o seu homenageado, o escritor, desenhista, tradutor e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012).

Apesar de haver uma campanha muito forte (e inovadora) a favor de Lima Barreto como homenageado, o nome de Millôr foi o escolhido. Sobre essa questão, o novo curador da Flip, Paulo Werneck comenta: “Foi um movimento interessante. Nunca tinha visto a Flip motivar uma ação como essa, e espero ainda ser curador de uma Flip que homenageie o Lima”.

Em um comunicado, Werneck explicou um pouco da escolha do homenageado: “Millôr trazia o mundo da Flip num homem só: da tradução de Shakespeare ao cartum, do jornalismo ao hai-kai. Sua crítica ao poder é fundamental no Brasil de 2014”.

Esta é a primeira vez que a FLIP homenageia um autor que já participou da festa, Millôr esteve presente na primeira edição em 2003, na tenda dos autores ao lado de Ruy Castro.

“Homenagear um autor contemporâneo é um chamado ao presente, para que os nossos autores de hoje sejam mais conhecidos pelos leitores de hoje”, explica Werneck. Um dos motivos que influenciaram na escolha está justamente no fato do autor não ter toda a sua obra publicada e a Flip pode ser um incentivo: “Não há uma produção pronta para desaguar na Flip. Com a homenagem, vamos ajudar a destacar aspectos menos conhecidos do público, como o de Millôr tradutor de Shakespeare”.

[Dor arquivo] Acervo Millôr
Ainda sobre Millôr, no Espananews do dia 28 de março noticiamos que todo o acervo do escritor foi doado ao Instituto Moreira Salles, que fez um especial no site. Você pode ver essa notícia aqui

E o Lima Barreto?
A página do Facebook “Lima Barreto para a Flip 2014”, que unificava a campanha para que o autor fosse escolhido homenageado, avisa que mesmo sem Flip, em 2014 a obra de Lima Barreto será discutida em algum outro evento do ano que vem. Por enquanto não temos onde e como, mas assim que soubermos de algo voltaremos a avisar.

Quadrinhos em BH
O FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte) que começa hoje, dia 13, e vai até o dia 17. O evento, que este ano homenageia o Laerte, terá dezenas de artistas independentes que vão divulgar o seu trabalho além, é claro, dos mais de 80 convidados, entre nacionais e internacionais.

Uma das atrações será um painel do Graphic MSP com todos artistas que lançaram até agora: Astronauta: Magnetar (Danilo Beyruth), Turma da Mônica: Laços (Vitor e Lu Cafaggi) e Chico Bento: Pavor Espaciar (Gustavo Duarte) e o lançamento de Piteco: Ingá (de Shiko) e de Mônica(s), em que 150 artistas reinterpretam a baixinha, gorducha e dentuça. Neste mesmo painel, o coordenador do projeto, Sidney Gusman, já antecipou que dará os próximos teasers do que virá pelo Graphic MSP. Vamos esperar.

E o (sempre incrível) universo HQ fez um trabalho hercúleo ao reunir os títulos a serem lançados durante a FIQ, e eles dividiram por ordem alfabética (em 9!!! páginas) e você pode ver aqui.

A programação completa do festival, você pode conferir aqui.

[Do arquivo] Ícones
É também no FIQ que acontecerá a exposição Ícones dos quadrinhos. O projeto, idealizado por Ivan Freitas, convidou 101 artistas para fazer as suas releituras de seus personagens preferidos. Os trabalhos serão a exposição principal do festival, mas já está disponível também eme livro, que foi editado por crowdfunding e a Juliana falou sobre o resultado aqui.

Trem noturno para Lisboa
O filme Trem noturno para Lisboa, baseado no livro de Pascal Mercier (ed. Record). já tem data para o lançamento no Brasil: dia 27 de novembro. O filme foi exibido na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (que terminou no final de outubro) e foi bem recebido. Veja o trailer:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=jGXa9dr6xGg]

Prêmio
A notícia não é exatamente nova, mas foi muito celebrado pelos integrantes d’O Espanador.

Em sua oitava edição, o Prêmio Literário José Saramago foi concedido para o escritor e poeta angolano Ondjaki (que significa “guerreiro” em umbundu). O prêmio foi anunciado na sede da Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, em Lisboa. A cerimônia, em que a poeta angolana, e também membro do juri, Ana Paula Tavares foi a oradora, a obra do autor foi elogiada e distinguida por unanimidade. A cerimônia destacou seu último romance Os Transparentes, lançado aqui pela Companhia das Letras.

“Este prêmio não é meu, este prêmio é de Angola.” Foi assim que Ondjaki agradeceu o prêmio, no valor de 25 mil euros. “Eu não ando sozinho, faço-me acompanhar dos materiais que me passaram os mais velhos. Na palavra ‘cantil’ guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede.”

“Este é um livro sobre uma Angola que existe dentro de uma Luanda que eu procurei escrever e descrever. Fi-lo com o que tinha dentro de mim entre verdade, sentimento, imaginação. E amor. É uma leitura de carinho e de preocupação. É um abraço aos que não se acomodam mas antes se incomodam. É uma celebração da nossa festa interior, trazendo as makas, os mujimbos, algumas dores, alguns amores. Penso que todos queremos uma Angola melhor”, disse o escritor no seu discurso de agradecimento.

Instituído pela Fundação Círculo de Leitores, o prêmio, que é atribuído de dois em dois anos, distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por um autor com idade não superior a 35 anos à data da publicação do livro, e cuja primeira edição tenha saído em qualquer país lusófono.

Nas edições anteriores, o Prêmio José Saramago foi atribuído aos portugueses Paulo José Miranda, por Natureza Morta (1999); José Luís Peixoto, por Nenhum Olhar (2001); Adriana Lisboa, com Sinfonia em Branco (2003); Gonçalo M. Tavares, Jerusalém (2005); Valter Hugo Mãe, O Remorso de Baltazar Serapião (2007);  João Tordo, As Três Vidas (2009); e Andréa del Fuego, Os Malaquias (2011).

[Do arquivo] Os transparentes
Sobre seu último romance, Os Transparentes, o Menezes falou dele aqui no blog:
“Este livro também é uma evolução na escrita de Ondjaki, que sempre teve o universo infantil como canalizador de seus narradores (AvóDezanove, Os Da Minha Rua, etc..). Esse pode ser considerado um romance em que finalmente o centro não é como a Luanda de hoje é vista pelos seus jovens, e sim um retrato incrivelmente real de como Angola trata o seu povo. E nesse ponto ele é absurdamente político, principalmente em sua história central.” Para continuar lendo, clique aqui.

[Para ler] Entrevista
Já colocamos esse link por aqui, mas a Denise Mercedes (do Blog Cem anos de literatura) e a Inês entrevistaram o Ondjaki. Clique aqui pra ler.

[Para ver] Que tal conhecer Hollywood?
E ter como um guia, ninguém menos que Charles Bukowski ?
Bukowski: Hollywood Tour

Festival de Biografias
Sobre a polêmica das biografias e a censura, é sempre bom acompanhar o blog do Mario Magalhães (autor de Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”) e foi lá que descobrimos que o Festival de Biografias vai acontecer de 14 a 17 de novembro, em Fortaleza.

O Festival vai ter quatro segmentos: literatura (o próprio Mário vai ser o curador do segmento literário), cinema, música e artes visuais. Poucos dias mais tarde, o Supremo Tribunal Federal promoverá audiência pública para tratar de biografias não autorizadas (dias 21 e 22 de novembro). O evento já estava marcado antes da audiência.

Para conferir a programação completa e os autores participantes, clique aqui.

Mais Laerte
Laerte está com tudo este mês: é autor homenageado no FIQ (Belo Horizonte) e na Balada Literária (São Paulo). Além disso, lança em parceria com Rita Lee o livro Storynhas (Cia. das Letras). E também será capa da edição de aniversário da revista Roling Stone. O quadrinista tirou a roupa num ensaio e deu uma entrevista sobre a carreira e sobre a questão de gênero. A revista chega ainda esse mês às bancas.

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