Grandes Astros Superman: Grant Morrison

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Caro leitor, não sei se te contaram, mas nós vivemos no Brasil, país da piada pronta, e que apesar de ser o foco internacional de muitos interesses, ainda sofre com as coisas mais simples do mundo. Levar borrachada na cara por protestar contra aumentos indevidos justificados pela “inflação” é a mais recente, dinheiro na cueca já mora num passado distante, entretanto não se espante se tivermos um deja vu em algum momento com relação a isso, e também tivemos o nascituro, e vários outras piadas engraçadíssimas nos últimos dias, inclusive a de que teremos esperar 1 mês para ver o novo filme do Homem de aço, que estreou ontem nos Estados Unidos… put a keep are you.

Brincadeiras (sérias) à parte, é quase irônico começar um texto sobre o Superman com uma alfinetada política, mas eu não resisti. O Super é um herói que não sou muito fã, por ser aquele garoto certinho, que é incapaz de ver a zona cinza e cruel que o mundo está atolado até a ponta do nariz. Ele não é o homem moderno, cheio de insegurança e conflitos internos, onde o individualismo extremo impera. Ele é bondoso e pensa mais nos outros do que em si, não flerta com o mal como o Batman, Wolverine, Deadpool e outros heróis adorados pela modernidade, inclusive este que vos fala. E por isso também que ele é o primeiro símbolo e o mais completo do que é o super-herói.
Se algum dia realizar o sonho de fazer um mestrado sobre o mito do super-herói na cultura contemporânea, por mais que não vá com a cara de bobão de Clark Kent, terei que sentar e dialogar muito com ele. E parte dessa construção sobre o que é o super-herói em seu estado mais puro pode ser entrada nessa maravilhosa graphic, que apesar de ter seus excessos narrativos, é uma das melhores, senão a melhor, sobre o Filho de Krypton. Palavras de alguém que vibra com o final do Cavaleiro das Trevas.
Mas o super é chato. A DC é mercenária. Não sai só daquilo… e olha os Novos 52. tá. tá. tá. eu sei e assino embaixo. Aliás, a série Grandes Astros foi mais uma iniciativa para “atualizar” os personagens da editora para um novo público, criada em 2005. Sim! Isso seria uma série, mas considerando que só houveram duas inclusões, sendo que a segunda nem chegou a acabar oficialmente é um pouco forçado chamar de série, mas foi originalmente pensado assim. A ideia era colocar nomes consagrados das graphic novels, recontando as origens dos heróis da DC, totalmente isentos de cronologia confusa da editora. Se você pensou no que aconteceu pós-crise, você está certo, se você pensou em Heroes Reborn, você teve infância na década de 90, agora se você chegou na série Ultimate da Marvel: É bingo.
No final, Marvel, DC, Image, é tudo a mesma coisa. A “série” All-stars seria o que foi o”Ultimate” na Marvel, só que deu errado. Isso porque se o quadradinho de hoje é um clássico, o exemplar do Batman mesmo trazendo Frank Miller para bolar a história, é um dos mais assombrados pelos fãs do Homem-Morcego. O quadrinho de Miller reconta a história do homem, quase como se fosse uma continuação de Ano Um pela perspectiva de Robin, entretanto a persona de Batman é muito mais cruel e sombria do que o normal, essa personalidade destoante fez a série terminar no capítulo 9, e só ser concluída em 2010 em um outro arco chamado “Boy Wonder”. O quadrinho do Batman foi massacrado pela crítica e pelos fãs e o projeto que ainda teria Mulher-Maravilha, Batgirl confirmadas, foi engavetado. Tanto é que muita gente acha que ele é um filho único.
Na verdade eu entendo o “ultimate” pois muita gente não sabe ao certo quem é Thor ou os Vingadores,  mas a minha vó sabe quem é o Superman e o Batman, de tanto que eles estão enraizados na nossa cultura. E aí entra um pouco da genialidade de Grant Morrison: enquanto Miller achou que só chocar o público seria o suficiente para atualizar a origem do personagem, Grant foi mais longe, e dada toda a liberdade de não seguir a cronologia, ele alterou a proposta do projeto mostrando o fim do personagem para dar um panorama geral de quem foi o Superman.
Se você foi uma das milhares de crianças, que como eu, foi na banquinha comprar o quadrinho da “Morte do Super-Homem” em 1993, e se sentiu engando ao vê-lo voltar mais rápido que o Flash, essa é a verdadeira morte do Superman, em quadrinho muito mais light, simples e extremamente emotivo. A premissa é simples: Lex Luthor conseguiu! Ele ao invés de criar um plano super-complicado para assassinar o herói, bolou um plano super-complicado para aumentar o poder de Clark ao limite, e assim envenena-lo com seu próprio poder.
Ao responder a um chamado de uma nave espacial próxima ao sol, o super tem seus poderes aumentados em mais de 3 vezes, mas ao mesmo tempo isso vai destruir seu corpo em mais ou menos 1 ano. Então é hora de chutar o pau da barraca e deixar de ser o escoteiro certo? Não. Nesse ponto é que Grant vai revisitar em todas as ações do Super, os pilares da personalidade do personagem e assim atualiza-lo. Salvando o mundo mais vezes, e deixando um legado por meio de suas últimas ações, onde se traça um paralelo brilhante com os 12 trabalhos Hércules. Logicamente ele finalmente fica com Lois Lane, derrota Luthor e, de uma certa maneira, aproveita seus últimos dias, mas sem nunca esquecer dos humanos a quem ele ama, e essa talvez seja a característica mais marcante do Super: apesar de ser alienígena, ele ama a humanidade mais do que o “humanamente” possível.
Mas não pense que é uma Hq depressiva, pois ela é estranhamente engraçada. No capítulo 2, o mais lembrado por todos, Clark desenvolve um soro capaz de dar seus poderes para Lois por 24 horas, e apesar disso, não é que ela fica flertando com dois outros super-herói?. O quadrado amoroso que se desenvolve ali é dos mais engraçados já vistos nos quadrinhos. E apesar de alguns momentos tocantes e de muita ação, o tom adotado é muito mais cômico do que dramático, apesar de abordar um assunto sério, mas cômico não significa não ser sério.
A história pega essa premissa básica e vai se movendo de aventura em aventura como se fosse uma edição corrente e nos capítulos finais ela se torna mais épica, e para quem não esta acreditando que Clark vai desaparecer no quadrinhos, prepare-se para ficar com o queixo caído… em parte, pois para mim a grande covardia foi não finalizar melhor a história. O Superman está realmente sucumbindo à doença, mas Grant também criou algo para não tornar seu final tão depressivo, é uma fuga elegante, mas bem poderia ser a realidade nua e crua na cara do leitor, mas eu creio que esse seja o fã Bruce Wayne falando.
No todo All-Star Superman (Ou Grandes Astros) é uma das grandes graphic novels desse gênero, e demonstra tudo aquilo que o Superman foi e será . E mesmo que você odeie o filho de Kripton, existem grandes possibilidades de você gostar da história. Pois ela é muito bem contada, os desenhos imponentes de Frank Quitely, são referências claras à Era de Prata, e o mais impressionante é conseguir ser um álbum de personalidade, mesmo tendo em sua concepção todos os vícios que estragam a criatividade das histórias de super-heróis. Isso sim é grande feito. Vale muito a leitura.
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p.s. a importância é tanta que já no filme que estreará em 12 de julho (ainda indignado), há uma menção à história. Vejam no trailer abaixo, o discurso de Jor-el é o similar ao quadrinho acima. Yes we like references! E que venha o filme.
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Um comentário em “Grandes Astros Superman: Grant Morrison

  1. Não li este quadrinho mas assisti em DVD a adaptação e achei muito boa a historia.
    Discordo de você sobre o Super ser um heroi chato. Ele deve ser assim sempre. Ele é a referência do que é bom e positivo, até porque essa foi a criação que ele recebeu de seus pais adotivos. Tivesse ele caído numa megalópole e por pais adotivos ricos, talvez ele tivesse essa visão dúbia da vida, como Bruce Wayne, que ficou órfão criança e alimentando por anos um desejo de justiça/vingança.
    E Superman é um heroi difícil de criar história, afinal ele é quase um Deus entre os humanos.

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