Espananews Especial: Programação Flip parte 2

Homenageado
Como já se sabe, todos os anos a Flip escolhe um autor para homenagear. A proposta de ter um homenageado em todas as edições (2003: Vinícius de Morais; 2004: João Guimarães Rosa; 2005: Clarice Lispector; 2006: Jorge Amado; 2007: Nelson Rodrigues; 2008: Machado de Assis; 2009: Manuel Bandeira; 2010: Gilberto Freyre; 2011: Oswald de Andrade; 2012: Carlos Drummond de Andrade ) é “resgatar” a importância deste autor, procurando mostrar como a obra dele (ou dela, apesar de apenas uma homenageada até agora) dialoga com o que está sendo feito atualmente, ou mesmo como nós a olhamos agora (talvez dando até um novo sentido a ela). Mesas temáticas são montadas, exposições sobre a obra são realizadas…

Este ano as honras se voltam ao alagoano Graciliano Ramos. Autor que foi um tanto recluso e tem uma obra concisa, porém poderosa. No início do ano já fizemos um post especial sobre a obra e a importância dele, então não vamos nos repetir. Vamos falar sobre o que foi divulgado até agora na programação que se relaciona a Ramos.

A conferência de abertura (“Graciliano Ramos: aspereza do mundo e concisão da linguagem”, quarta-feira, às 19h) será feita pelo autor Milton Hatoum.

Milton afirma que muito de sua obra foi influenciada pelos livos de Graciliano. Neste link, ele fala ao programa “Rádio batuta”, do IMS, sobre a importância da obra de Graciliano na sua vida de leitor, principalmente o livro Infância.

Hatoum nasceu em Manaus, em 1952, também é tradutor. Já publicou os livros: Relato de um certo Oriente (1990), Dois irmãos (2000), Cinzas do norte (2005), Orfãos do Eldorado (2008) e A cidade ilhada (2009). Os três primeiros livros lhe renderam o prêmio Jabuti de Melhor Romance. Hatoum participou da Flip de 2009.

A mesa 5: “Graciliano Ramos: ficha política” (sexta-feira, às 10h) discutirá o envolvimento político do autor (que chegou a ser preso durante o Estado Novo). Mediada pelo escritor José Luiz Passos, a mesa terá como participantes:
Randal Johnson: professor do Departamento de Espanhol e Português da Universidade da Califórnia (Ucla), ele vem ao país para apresentar seu novo trabalho (antes ele fez uma tese sobre a adaptação cinematográfica de Macunaíma) que aborda as relações de Graciliano com o Estado Novo;

Sérgio Miceli: Mestre em Ciências Sociais, fez doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, com a tese Intelectuais e classe dirigente no Brasil, 1920- 1945. Entendemos que essa tese dialoga com o trabalho que o professor Randal pretende apresentar. É autor dos livros: Imagens negociadas (1996), Intelectuais à brasileira (2001), Nacional estrangeiro (2003), A noite da madrinha (2005), A elite eclesiástica brasileira (2009), além de organizar e traduzir tantos outros;

Dênis de Morais: jornalista e escritor, é autor da biografia O velho Graça (1992), que é considerada referência até hoje (o livro foi reeditado ano passado pela Boitempo). Professor de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Fluminense, é autor de mais de 20 livros (publicados no Brasil, Espanha, Argentina e Cuba), entre eles: O Rebelde do traço: a vida de Henfil (1996), A batalha da mídia (2009), Vozes abertas da América Latina (2011), entre outros.

Também mediada por José Luiz Passos, a mesa 16: “Graciliano Ramos: políticas da escrita” (domingo às 11h) falará sobre o estilo do autor e terá os seguintes participantes:
Wander Melo Miranda: professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade Federal de Minas Gerais, fez a tese de doutorado Corpos escritos: Graciliano Ramos e Silviano Santiago (1992 e editado em 2009), que fala sobre a importância de Memórias do cárcere dentro da obra de Graciliano. Além disso é autor de: Graciliano Ramos (2004) e Nações literárias (2010);

Lourival Holanda: professor da Universidade Federal de Pernambuco, é autor, entre outros estudos, de Sob o signo do silêncio (1992), em que compara Vidas secas com O estrangeiro (Albert Camus);

Erwin Torrabaldo Gimenez: professor de Literatura na Universidade de São Paulo, é pesquisador responsável pelo Arquivo Graciliano Ramos do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, onde concluiu seu doutorado Graciliano Ramos – o mundo coberto de penas (2005).

Além das mesas da programação principal, a Casa de Cultura de Paraty abrigará duas mostras (com o apoio do jornal O Globo). Uma será sobre a vida e a obra de Graciliano (com originais e manuscritos) e outra com imagens de paisagens onde os livros se situam. Para quem viu o caderno Prosa deste sábado (1º de junho), parece foi nos dada uma amostra do que poderemos conferir em Paraty.

Mesas técnicas
Este ano aumentaram o número de mesas que abordam outras áreas da arte, que não literatura. Segundo Miguel Conde, curador da Flip, isso já era uma tendência desde o começo, mas esse ano esse objetivo ficou mais evidente.

A mesa 2:”As medidas da história” (quinta-feira, 12h) terá como eixo principal a arquitetura. Mediada por Ángel Gurria-Quintana, tem como convidados o arquiteto português Eduardo Souto de Moura, que ganhou ano passado o prêmio Pritzker (considerado o Nobel da arquitetura) e Paul Goldberg, um dos principais críticos teóricos de arquitetura, que hoje escreve na revista New Yorker;

O crítico de arte e historiador T.J. Clark fará uma conversa com Paulo José Duarte na mesa 4: “Olhando de novo para Guernica, de Picasso” (quinta-feira, às 19h30). Clark é famoso pela sua visão de arte, ao conciliar as técnicas utilizadas pelos artistas e o contexto em que a obra foi produzida;

Um dos maiores cineastas brasileiros, Nelson Pereira dos Santos, conversa com Miúcha e Claudney Ferreira (que ano passado mediou, e muito bem, a mesaentre Laerte e Angeli) sobre a adaptação cinematográfica de obras do autor homenageado: Vidas Secas (1963) e Memórias do cárcere (1984) na mesa 10: “Uma vida no cinema” sexta-feira, às 21h30). Em 2006, Santos foi o primeiro cineasta a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras;

Outra mesa que abordará o cinema, será a 12: “Encontro com Eduardo Coutinho”. Comemorando 80 anos, o grande documentarista fará, com Eduardo Escorel, um panorama de sua carreira, que tem filmes como Cabra marcado para morrer (1984), Edifício master (2001) e As canções (2011).

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