As melhores leituras de 2019 da Juliana

2019, como para todos os colegas que apareceram nos dias anteriores, foi um ano bisonho em todos os sentidos, inclusive nas leituras. A famigerada FOMO (Fear of missing out) bateu forte e as leituras caíram drasticamente. 

Das melhores leituras do ano, quase todas vieram dos clubes que faço mediação (a saber: o [Leituras Compartilhadas] e o Leia Mulheres) e também da faculdade. Nada contra, só uma constatação mesmo. Olhando em retrospecto, foram ótimas leituras. 

O quarto de Giovani – James Baldwin (Tradução de Paulo Henriques Britto; Editora Companhia das Letras)

Desde sua leitura, em janeiro de 2019, eu já dizia que seria a minha melhor leitura do ano. E para surpresa de ninguém eu estava correta 🙂

É um livro tocante, com personagens absolutamente errados e detestáveis, que nos envolvem em seu tropeços e mesquinharias. Não consigo dizer um só defeito para esse livro, a não ser o fato dele em algum momento acabar. A prosa de Baldwin me impressionou demais: é de uma elegância tremenda, sem precisar ser empolada. Que homem…

A vegetariana  – Han Kang (Tradução de Jae Hyung Woo; Editora Todavia)

Uma narrativa absolutamente estranha, que vai ganhando ares fantásticos (e mais estranhos) a cada uma das três partes que o livro é dividido.

Com uma narrativa seca e dura, Han Kang faz uma alegoria assustadora. Como uma decisão individual e aparentemente tão inofensiva de uma mulher mostra que nós, mulheres, não somos donas de nada mesmo. Nem de nossas vontades. Como precisamos nos curvar a tantas convenções, tradições e caprichos alheios. E como isso é uma violência atroz. 

top 1 2

Bone vol.1 –  Jeff Smith (Tradução de Erico Assis; Editora Todavia)

Normalmente eu sou dessas que devora quadrinhos. Leio de uma vez só. São raras as vezes que, no máximo, fraciono a leitura em duas partes. Mas com Bone foi diferente. Acho que li umas 10 páginas por dia, pouco antes de dormir, e foi a melhor coisa que fiz. Era um ótimo antídoto para depois de ler as notícias do dia no Twitter.

Essa HQ consegue misturar aventura, humor e muita fofura de uma forma como poucas conseguem. Os volumes 2 e 3 já estão aguardando a leitura por aqui.

Ara – Ana Luisa Amaral (Editora Iluminuras)

Sabe quando você escolhe um livro para fazer um trabalho da faculdade, porque sabe que a autora aborda certas temáticas e acha que vai facilitar muito a sua vida no fim do semestre? Foi assim que eu me deparei com o labirinto que é Ara.

O único romance de Ana Luisa Amaral não seria coisa simples. E é uma das coisas mais desafiadoras que li este ano. Mas foi daquelas surpresas maravilhosas. Não só porque talvez tenha encontrado meu tema de um mestrado longínquo, mas porque a narrativa me surpreendeu a cada capítulo, que emula um gênero literário. Uma resenha (cheia de spoilers e acho que ler esse livro sem saber do que se tratava foi uma ótima experiência) do jornal O Público tem uma definição do livro que eu gostaria de ter feito: “língua de ninguém com gente dentro”. É isso…

A cena interior – Marcel Cohen (Tradução de Samuel Titan Jr. ;Editora 34)

Lembro quando esse livro foi lançado e algumas resenhas elogiosas que li a respeito. E como esse livro chegou na minha estante e ficou à espera da leitura, que aconteceu graças a uma disciplina da faculdade.

Marcel Cohen conta a história de seus pais e alguns familiares que foram extraditados para campos de extermínio a partir de fotos, objetos e pequenas cenas cotidianas (o autor tinha cinco anos e escapou do mesmo destino por um desses golpes de sorte). É um grande retrato da ausência.

Ao mesmo tempo que os fragmentos que quase não se ligam entre si, com pequenas lembranças, é possível traçar perfis das vítimas do holocausto. As vítimas deixam de ser números deslocados e ganham nome, histórias, cheiros. 

top 3 A 5

O quarto Branco – Gabriela Aguerre (Editora Todavia) + O peso do pássaro morto – Aline Bei (Editora Nós)

Dois livros de estreia, que considero, por motivos diferentes, ótimas apresentações das autoras. Aline Bei escreve prosa poética e eu nem gosto de prosa poética, sabe? Mas a proposta da autora me arrebatou. Gostei da forma como ela narra e fiquei tocada com a história desta mulher e de como as mortes definem a vida.

Já a Gabriela Aguerre tem uma narrativa muito mais econômica, quase seca. Mas o que me chamou atenção foi o mote “acerto de contas com o passado” + bafão familiar. 

As autoras estiveram no Leia Mulheres do ano passado para conversar sobre seus trabalhos. Foram encontros ótimos, que fizeram gostar ainda mais dos livros.
TOP 6 E 7

Bônus: O diário de Edward – Miriam Elia e Ezra Elia (Tradução de Erico Assis; Editora Todavia)

Um diário de um hamster existencialista. Tem como dar errado? NÃO TEM COMO, GENTE!

Como na música da Rita Lee, Edward “fez greve de fome, guerrilhas motins…”, mas como todos os gênios, morre jovem, como já é anunciado na capa.

Daqueles livros que me fez gargalhar alto. Uma delicinha.

TOP EDWARD

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