Flip 2018 – a programação

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A Flip 2018 já tem sua programação! 

Nossa festa literária preferida anunciou nesta terça-feira, 5 de junho, os autores convidados e como a Flip funcionará este ano. A curadora do evento é a mesma do ano passado, Joselia Aguiar, e a autora homenageada é a Hilda Hilst.

Na coletiva em que apresentou a programação, Aguiar, que está à frente dessas escolhas desde ano passado, comenta que a edição deste ano será “mais voltada para dentro”. Enquanto na Flip do ano passado, que o autor homenageado era Lima Barreto e a maioria das mesas girou em torno de questões sociais, a edição deste ano terá mesas que abordará grandes temas, mas de maior “foro íntimo”, como “amor”, “sexo”, “Deus”, “finitude” e a questão da fala, a liberdade de se expressar, será muito importante

O evento deste ano segue uma tendência das editoras anteriores com a escolha de nomes ainda desconhecidos ou pouco falados, com poucos autores mais “pop”, como definiram. Na programação (clique aqui para ver ela completa), temos nomes como: Selva Almada e Djamila Ribeiro dividem uma mesa, que tratará sobre como a literatura aborda temas como a violência contra a mulher; a recém premiada pelo Goncourt por Canção de Ninar, Leïla Slimani, vai dividir mesa com André Anciman, que teve seu Me chame pelo seu nome adaptado para o cinema; a russa Liudmila Petruchévskaia volta ao Brasil e ganha a mesa nobre da Flip (sábado à noite); Geovani Martins, autor do falado O sol na cabeça, divide mesa com Colson Whitehead, ganhador do National Book Award de 2016 por The underground railroad; e o veterano Sérgio Sant’anna divide mesa com o iniciante Gustavo Pacheco. 

Há também o espaço para conhecermos autores ainda poucos conhecidos no país, como é o caso do franco-congolês Alain Mabanckou, que tem mesa solo para falar de sua obra.

Tendências da edição passada

Podemos prever como será a Flip deste ano a partir de como foi a edição do ano passado, que já tinha uma verba menor. E isso não quer dizer que a festa tenha ficado pior, mas que mudou em sua forma, diminuiu de tamanho, ocupou outros espaços e repensou os autores convidados. E neste processo todo de mudanças, a  escolha da curadora Joselia Aguiar foi decisiva.

A impressão que fica é que a escolha para a curadoria foi um incentivo e ao mesmo tempo a melhor solução possível para a crise financeira que a Flip encontrou no ano passado. Reflexo do nosso momento político, a organização teve que se reinventar para poder fazer uma festa diferente e mais próxima do público.

A começar pelo homenageado de 2017, Lima Barreto. A escolha de um escritor que sempre foi renegado pela crítica e que nem sempre conseguiu encontrar o lugar no público, teve em sua conferência de abertura (com Lilia Schwarcz, autora da biografia Lima Barreto – Triste Visionário, e com Lázaro Ramos interpretando alguns trechos do autor) um dos momentos mais emocionantes da Festa.

Outra mudança nessa edição foi a preocupação com o equilíbrio entre os convidados de homens e mulheres. E também em aumentar a participação de autores negros na programação principal. A edição deste ano também mantém essa preocupação e essas proporções se mantém.

Ainda assim, a programação de 2017 teve altos e baixos. Apesar de momentos excelentes, parece que algumas escolhas não funcionaram.

A escolha do principal nome da festa, Paul Beatty autor de O Vendido (que havia vencido o Man Booker Prize 2016) dividiu opiniões e a mesa com Marlon James (de Breve história de sete assassinatos) pareceu meio morna frente a expectativa criada com a sua escolha.

Um momento de destaque foi a mesa em homenagem a escritora Conceição Evaristo com mediação de Ana Maria Gonçalves (autora do livro Um Defeito de Cor). Conversa que poderia ter durado ainda mais tempo e que trouxe questões fundamentais que precisam ser discutidas. Mesa mais emocionante que quase encerrou a festa como uma catarse.  

Vale também destacar a mesa com a escritora Scholastique Mukasonga que falou sobre como o genocídio em Ruanda transformou sua vida.

Fora das mesas tradicionais houve também um fato que chamou a atenção: Dona Diva, professora de 77 anos que emocionou a todos ao contar sua história durante a palestra com Lázaro Ramos.

Em 2017 não teve a tenda tradicional do outro lado do rio e os encontros aconteceram dentro da igreja da Matriz e deu um ar diferente e único para as mesas. Ainda que existissem alguns problemas de eco para quem assistiu na parte de trás, acabou sendo uma experiência única. Além disso a tenda do telão estava maior esse ano e bem na praça em frente à igreja, mais próximo e bem acessível a todos. A edição deste ano mantém a tenda do telão em frente à praça da Matriz, dando maior acesso e aproximando a Flip de todos. Mas a tenda dos autores volta, agora ao lado da igreja e num formato mais parecido com uma arena.

Aparentemente as mudanças no formato da Flip que ocorreram ano passado vieram pra ficar! 

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