[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 da Paula

Por: Paula Queiroz

E mais um ano se foi…

2017 foi um ano em que não li tanto quanto gostaria, mas li os livros que eu precisava. Percorri páginas de narrativas que me fizeram repensar sobre como eu ando pela minha cidade, como eu me vejo no mundo e como nós, criaturas humanas, somos ridiculamente mortais e frágeis.

Sem mais delongas, os livros que balançaram meu cérebro nesse ano que passou:
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10) A Gaivota/Tio Vânia, de Anton Tchekhov (Ed. Veredas)

Obviamente, eu tinha que começar a lista com um russo. Tchekhov nos ensina nessas duas peças incríveis o quanto as relações familiares são, às vezes, disfuncionais e que a procura por um sentido na vida existiu e existirá enquanto investigarmos a nós mesmos. Tanto “A Gaivota” quanto “Tio Vânia” dão o tom do existencialismo inerente de quem se pergunta: O que fazer da vida se ela se faz tão incompreensível para mim?

9) O Amor de Mítia, de Ivan Búnin (Ed. 34)

Mais um russo. Sou óbvia demais. Búnin foi o primeiro escritor russo laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. Em O Amor de Mítia, Búnin faz a linha temporal da paixão ao amargor. Chega a doer o quão o tão esperado sentimento de amor pode levar à pura amargura e desespero. A pergunta “pra quê rimar amor e dor?” tem resposta clara nesse livro: porque ambos andam juntos. Um livro fininho que destrói aos poucos a nossa vontade de se apaixonar. Puro toque amargo russo.

8) Revolução na Fotografia, de Alexandr Rodchenko (Ed. Instituto Moreira Salles)

Minha lista parece uma ode à Rússia, eu sei. Mas Rodchenko. Que homem. Fotógrafo da época da ascensão da URSS, Rodchenko foi uma das grandes figuras do construtivismo russo e nesse livro temos várias imagens de artistas da época (como Maiakovski) e do próprio cotidiano soviético. O olhar dos instantâneos de Rodchenko é de tirar o fôlego. Não é à toa que seu trabalho influencia designers, fotógrafos, arquitetos até hoje.

7) Dostoievski trip, de Vladimir Sorokin (Ed. 34)

Juro que minha lista não tem só russos. Juro.

O que falar de Sorokin? QUE VIAGEM LOUCA. Vários viciados experimentam drogas…com nomes inusitados: Goethe, Genet, Kafka e…Dostoiévski. Ao tomarem a dose dostoievskiana, entram numa “trip” tragicômica: de repente, eles reencenam um trecho de O Idiota e aí temos os grandes dramas e questionamentos típicos de Dostoievski; e, assim, conclui-se o quão é abismo e escuridão a alma. E que Dostoiévski “em dose pura, é mortal.” Ainda bem.  

6) Medo e Outras Novelas – Stefan Zweig (Ed. Record)

Eu nunca havia lido Stefan Zweig e não sabia o que eu estava perdendo. Nessas três novelas, Zweig nos transporta ao limiar do desespero, da esperança e da dor que é viver. Lembro da sensação de ter terminado a leitura e não saber se eu chorava, sorria ou tentava respirar de novo. Tanto que mal consigo por em palavras o quanto eu gostei dessas histórias, tecidas com maestria pela escrita de Zweig. Só deixo então um trecho para explicar (ou não) o que foi ler essa obra: “Senti nos lábios um gosto amargo, gosto de transitoriedade: para que se vive, se o vento que sopra atrás do nosso sapato já remove a nossa última pegada?”

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5) Poesia, de Jorge Luis Borges (Ed. Cia das Letras)

Borges. Sempre uma leitura que abre portas para outras leituras. Conhecido mais pelos seus contos, nesse livro Borges mostra a faceta de poeta e nos transborda com poesias que vão além da beleza das palavras; navega-se por questões filosóficas até a uma homenagem aos animais mais lindos do mundo (vulgo gatos).

4) Pelas Paredes, de Marina Abramovic (Ed. José Olympio)

Se tem um livro que me dilacerou por inteira e revirou inúmeros conceitos que eu tinha na minha cabeça, foi esse. Graças à linda da Laís Pragana (melhor livreira da Travessa do IMS da Paulista, minha gente <3 ), tive acesso a um dos mais belos auto-relatos que já li na vida. Abramovic definitivamente se tornou uma influência, uma força feminina que um dia eu quero me tornar a ser.

3) O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov  (Ed. Alfaguara)

Não podia faltar um dos livros mais geniais que meus olhos já percorreram na vida. Foi uma releitura que acalantou meu coração. O diabo visita Moscou e no decorrer da narrativa, se abrem várias histórias que nos faz repensar sobre temas como bem e mal, racional e irracional; e claro, com o humor russo tão característico nas narrativas de Bulgákov

2) Caminhar, uma revolução , de Adriano Labbucci (Ed. Martins Fontes)

Já pensou o quanto caminhar é extraordinário? Não? Então recomendo você ler imediatamente esse livro. Repensei muito sobre como eu me coloco na cidade, em como caminhar é de fato uma revolução: é no caminhar que chegamos aos nossos destinos, protestamos nossos direitos, distraímos ou refletimos sobre nossas vidas. Do mais banal ao mais filosófico, Labucci expõe o quão podemos aprender com os nossos passos.  Caminhar é revolucionário. Mais uma recomendação da queridíssima Laís.

1) O Homem que Confundiu sua mulher com um chapéu, de Oliver Sacks (Ed. Cia das Letras)

E por fim, Sacks. Foi o último livro que li em 2017. E que impacto. Sacks – para quem não sabe, um dos maiores neurologistas anglo-americanos- narra sobre alguns pacientes que tratou ao longo da sua carreira. E que histórias..! Percebi o óbvio: o nosso cérebro é intrinsecamente assustador e sublime. E o mais incrível desse livro é entender o quanto a arte – seja em forma de música, literatura, cinema, o que for – é fundamental para conectarmos nosso cérebro com o mundo. Emocionei-me com o poder da narrativa para a cura ou alívio dessas pessoas enfermas e com a magnitude da força humana para superar a sua própria mente; quando o inimigo é nosso próprio cérebro, a quem recorrer se não a nós mesmos? Um livro que vai ficar para inúmeras releituras. “Se desejamos saber a respeito de um homem, perguntamos ‘qual é sua história- sua história real, mais íntima?’, pois cada um de nós é uma biografia, uma história. Cada de um de nós é uma narrativa singular que, de modo contínuo, inconsciente, é construída por nós, por meio de nós e em nós – por meio de nossas percepções, sentimentos, pensamentos, ações e, não menos importante, por nosso discurso, nossas narrativas faladas. Biologicamente, fisiologicamente, não somos diferentes uns dos outros; historicamente, como narrativas, cada um de nós é único.”

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