[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 da Ju

Até que li bastante em 2017. Pelo menos mais do que estava esperando, dada a rotina maluca que tenho nos últimos dois anos. Foram leituras boas. Muitas delas aconteceram graças aos clubes (o [Leituras Compartilhadas] e o Leia Mulheres), mas a faculdade começa a marcar presença nesta lista… 

Que 2018 seja ainda melhor!

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10 – A mulher de pés descalços, de Scholastique Mukasonga (Ed. Nós)

Talvez sejam as primeiras páginas mais doloridas que li este ano.  Este livro serve como uma homenagem à mãe da autora . E também é uma espécie de concretização de sua morte durante a Guerra Civil em Ruanda. Somos apresentados a Stephania, uma mulher que com muita força tenta criar seus filhos dentro desse conflito, bem como proteger os costumes de seu povo. Uma homenagem que doí, porém é mais do que necessária. 

9 – O Jogo das Andorinhas: Morrer, Partir, Retornar, de Zeina Abirached (Ed. Zarabatana)

Quando Zeina lançou este livro, foi logo comparada a Marjani Satrapi e o seu Persépolis. A comparação talvez fosse meio inevitável: o traço de ambas tem muitas semelhanças, além da história (real) sobre um país em guerra na perspectiva de uma criança. Mas acho que para por aí… Na minha opinião a hq de Zeina é bem superior à mais famosa de Marjani. Quando olhamos com atenção, percebemos um traço mas elaborado, com mais detalhes. A história tem um recorte temporal menor (em relação à Persépolis): se passa durante uma tarde na Guerra Civil Libanesa. Os pais da peque na Zeina e seu irmão mais novo não estão em casa durante um bombardeio. mas as crianças não ficam sozinhas: todos os vizinhos do prédio vão até a casa deles para se abrigarem. Daí se dá um desfile de personagens incríveis e suas histórias. Uma pequena pérola.

8 – Reportagens, de Joe Sacco (Ed. Quadrinhos na Cia)

Uma coleção de reportagens curtas em quadrinhos feita pelo CARA das reportagens em quadrinho, principalmente quando se trata de conflitos. Além de ótimas histórias que ele conta sobre as pessoas que vivem nos territórios em guerra, o livro já vale muito a leitura pelo ótimo prefácio.

7 – Soldador Subaquático, de Jeff Lemire (Ed. Mino)

Uma hq melancólica e linda. Jack é um mergulhador (o soldador subaquático do título) e tem lapsos de memórias. Sua obsessão com o passado traz uma série de complicações para sua vida, sua esposa está grávida, prestes a ter o neném, mas ele PRECISA fazer esse último trabalho. É sobre reencontrar o seu passado e, de certa forma, tentar se entender com ele.

6 – Deslocamento: Um diário de viagem, de Lucy Knisley (Ed. Nemo)

Lucy quer escapar do frio de Nova York e resolve fazer um cruzeiro de sete dia com seus avós já octogenários. A hq conta sua experiência, de ter que lidar com as limitações físicas, a falta de memória e outros contratempos que encontra em seu caminho. Em meio a essas reflexões da autora, também há espaço para ternura e momentos bonitos. Um livro que me tocou demais.

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5 – Teta racional, de Giovana Madalosso (Ed. Grua)

Livro de contos é sempre complicado para mim. Sempre acho irregular demais ou qualquer coisa do tipo. Mas esse aqui me surpreendeu muito. É o livro de estreia de Madalosso e já podemos encontrar uma voz bem diferente do que vemos na nossa literatura contemporânea. Um livro que já tinha gostado muito da leitura, mas que cresceu ainda mais depois do encontro do Leia Mulheres que o discutimos.

4 – Palácio da Memória, de Nate DiMeo (Ed. Todavia)

Sabe aqueles livros que quando você vê, pensa que ele foi feitinho dentro do seu molde? Pois este livro é todinho minha cara. A partir do roteiro de um podcast de storytelling, o livro é uma seleção de algumas histórias. Pessoas comuns com histórias de superação, de perdas, de inspirações, de luta… A leitura é deliciosa. Apesar da grande maioria ter aquele gostinho agridoce, aquele fundinho de tristeza, os textos têm um ritmo maravilhoso. Livrão!

3 – Múltipla escolha, de Alejandro Zambra (Ed. Tusquets)

Talvez o Zambra seja meu autor preferido atualmente. Sempre me espantou como ele é conciso e preciso (rima não intencional). Uma frase diz (e descreve) muito. Neste livro há também o elemento da experimentação: o autor “emula” uma prova aplicada pelo governo chileno em estudantes que estão terminando o Ensino Médio (que lembra o nosso famigerado vestibular). E nessas questões de múltiplas escolha, ou nas “propostas de redação”, Zambra nos conta histórias, nos faz pensar e preencher lacunas para criar mais história. 

2 – História de quem foge e de quem fica, de Elena Ferrante (Ed. Biblioteca Azul)

Este ano ficará conhecido (por mim, claro) como aquele em que terminei a “Tetralogia Napolitana”. O terceiro livro foi lançado em 2016, e comecei imediatamente a ler. Mas algo aconteceu e eu parei a leitura no meio do livro. Tentei voltar algumas vezes, mas não conseguia avançar a leitura e parava sempre no mesmo episódio… Quando o quarto livro foi lançado, achei que era o momento de respirar fundo e terminar este – e emendar com o livro seguinte, claro! Mas este livro, que me acompanhou de forma errática por mais de seis meses é o que me marcou neste desfecho. Gostei de A história da menina perdida, claro, mas esse aqui… Tem mais cor, tem mais cheiro e mais emoções, na minha opinião. Uma das coisas que me pegou em A amiga genial é como Ferrante constrói um pano de fundo tão vivo, e como esse contexto interfere na história. Em História de quem foge e de quem fica há também esse elemento forte e isso me pegou muito. Sem contar a trajetória de Lina e Lenu que vai se definindo de forma devastadora.

1 – O que eu amava, de Siri Hustvedt (Ed. Cia das Letras)

O primeiro livro do ano do [Leituras Compartilhadas] é sempre coisa séria. Este aqui foi eu que ganhei na “batalha sangrenta” e foi uma dica da livreira querida Cida (e a gente não costuma ignorar recomendações da Cida). E que livro! Além de render um belo clube, é delicioso e aflitivo acompanhar a história desses amigos e todos os seus desdobramentos. Tem momentos bonitos, teve hora que fechei o livro e pensei “não posso continuar por hoje”, teve momentos que eu quis dar um chacoalhão no Mark, outras eu quis dar aquele abraço apertado no Leo… Livrão. Em todos os sentidos 

Além da lista de dez melhores, destaco aqui mais duas categorias… uma pequena trapacinha para caber mais livros… 😛

visitaReleitura: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan (Ed. Intrínseca)

Mais um livro do [Leituras Compartilhadas] que preciso colocar aqui (mesmo dando aquela roubadinha). Li este livro pela primeira vez mais ou menos em 2012 quando a autora veio para a Flip para lançá-lo por aqui. Confesso que tinha um certo pé atrás com o tanto que falavam como ele é inovador e com o tal do capítulo do Power Point. Mas na época eu gostei demais. 

Quando o livro ganhou a votação do clube, ao mesmo tempo que fiquei feliz, fiquei na dúvida se o livro sobreviveria a uma releitura. E meu deus! Que livro! É tocante, e talvez ele tenha me atingido ainda mais forte agora. A questão do tempo e como ele é um assunto sempre delicado me pegou de novo. E me surpreendi com coisas que não lembrava da narrativa, além de me apaixonar de novo por alguns desses personagens tão fora de lugar. 

(Uma curiosidade: este livro ficou em 5º lugar na minha lista de melhores leituras de 2012. Aqui você pode dar uma olhada)

E já que dei uma roubadinha marota, que tal criar mais uma categoria? É a categoria “Fomos surpreendidos novamente”!!!! E o grande vencedor é Fausto (volume 1), de Goethe (Editora 34) 

Quem me conhece sabe que eu não sou muito dos clássicos. Nem da poesia. Daí que um poema épico do século XIX foi faustouma leitura… DIVERTIDA? 

Não cheguei nesse livro sozinha, foi graças a uma matéria que iria abordar o pacto demoníaco na literatura a partir de três grandes obras (a saber: Fausto – ele mesmo-;  Dr. Fausto, do Thomas Mann; e Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa). E foi o único livro desta disciplina que consegui ler na íntegra (por conta da falta de tempo e pelo número insano de matérias de literatura que resolvi fazer ao mesmo tempo) e foi uma experiência incrível. Recomendo essa versão da Ed. 34 por conta das notas, que ajudam absurdamente na leitura e também pela  tradução cuidadosa da Jenny Klabin Segall, que tenta manter ritmo e métrica do poema original. 

Além desses detalhes técnicos, acho que esse livro simboliza uma epifania acadêmica deste ano. Desde que resolvi voltar pra faculdade e fazer letras, a minha dúvida sobre qual lado seguir era gigante: italiano ou alemão? Escolhi alemão e apesar de gostar de aprender uma nova língua, o sofrimento das aulas corridas de idioma me fazia questionar essa escolha. E foi nessa disciplina, enquanto o professor falava de Fausto (e principalmente de Dr. Fausto naquele dia) que eu entendi: escolhi o alemão pela sua literatura, E sei que vou gostar muito. O volume 1 de Fausto (o 2 está aqui esperando a leitura) simboliza tudo isso.

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