[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 do Kalebe

O ano de 2017 foi muito difícil.

Acho que não só pra mim.

Apesar do ano não ter sido bom pra ninguém que eu conheça, hoje só vou falar das leituras.

Quando paro pra fazer a lista das leituras do ano é que tenho noção o quanto o ano foi difícil e ruim. Não falo pela quantidade (que tem diminuído ano a ano), mas principalmente pela sensação de não ter tido um ritmo de leitura. Mais do que isso a certeza que se não fosse janeiro e fevereiro do ano passado e o clube de leitura do Espanador eu não teria lido nada. Refleti muito sobre essa lista e aqui vão os escolhidos em ordem.

Esse ano na faculdade fiz duas matérias com professores maravilhosos. Uma em cada semestre. E o meu dilema aqui é colocar esses dois livros nos dois primeiros lugares mesmo sem eu ter terminado de ler. Apesar da Juliana me acusar de trapaça, os dois livros me acompanharam por muito tempo e foram de longe leituras espetaculares.

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Grande Sertão: Veredasde Guimarães Rosa (Ed. Nova Fronteira)

Digo com tranquilidade que esse é o maior romance nacional já escrito. Sei que essa afirmação é polêmica, mas é muito impressionante o que o mineiro Guimarães criou. É um assombro de criatividade. Nunca tive uma experiência próxima da que foi quando li esse Grande Sertão. É o tipo de livro que precisa ser lido mais de uma vez e se eu não tivesse tido ele em duas matérias nesse semestre com dois professores excelentes destrinchando os detalhes do livro, provavelmente ele não estaria em 1º lugar.

Mas a verdade é que eu fiquei tocado com o livro e minha vontade é de gritar pro mundo que vocês precisam conhecer e ler essa obra prima. Viva Guimarães Rosa!

A Montanha mágica, de Thomas Mann (Ed. Cia das Letras)

O livro do primeiro semestre foi o clássico de Thomas Mann. Livro que retrata uma época e com personagens que podem ser considerados metáforas para algumas das principais correntes da Europa antes da Grande Guerra. O que mais me fascinou mesmo foi ser um livro sobre o tempo e o que fazemos sobre ele. Espero voltar a ele este ano.

O que eu Amava, de Siri Hustvedt (Ed. Cia das Letras)

Livro que abriu o ano nas nossas leituras de 2017 (escolha do Clube de Leitura em janeiro) e não podia ter sido uma escolha melhor. Livro consegue criar personagens tão marcantes que ficam na sua cabeça por muito tempo. Teve momentos que eu parei o livro porque não conseguia mais continuar. Livraço.

Á Espera dos Bárbaros, de J. M. Coetzee (Ed. Cia das Letras)

Existem autores que eu percebi que tem que ler pelo menos uma vez no ano e o Coetzee é um deles. Livro do começo dos anos 1980, traz um burocrata num lugar não identificado, que enxerga tudo com indiferença e tudo muda com a chegada de um capitão disposto a tudo para encontrar pistas da possível invasão dos ‘bárbaros’.

A impressionante capacidade de Coetzee construir suas histórias em cima de personagens dúbios e que nem sempre despertam a empatia, mas que te fazem querer ir até o final de uma só vez. Livro sobre como às vezes nos preparamos para algo que vai acontecer e nunca acontece e como fica a nossa vida?

Os Vestígios do dia, de Kazuo Ishiguro (Ed. Cia das Letras)

Logo no começo do ano, por recomendação da Duda (Maquiada na Livraria), enfim li o nipo-britânico Kazuo Ishiguro. A história de um mordomo inglês dos anos 1950, envolto numa viagem e tentando relembrar dos fatos de sua vida. Livro muito bem escrito e envolvente de um jeito que eu não esperava. Em outubro ele foi anunciado como o novo vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Foi um excelente começo e recomendo a todos.

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Fábulas,de Bill Willinghan (roteiro) e vários artistas (Ed. Panini) 

Fábulas provavelmente foi a minha série favorita por anos. Foram 150 números lá fora (22 encadernados aqui) e muitos spin offs. E tudo chegou ao fim em 2017. Fiquei enrolando pra não terminar porque eu não queria chegar no fim, sabe?
Série que vai mudando e ao final traz conflitos que já estavam lá no começo. E existe evolução dos personagens, histórias que vão se juntando a outras, fábulas de muitos universos e muito mais. Fábulas é sensacional. Leiam!

Um amor incômodo, de Elena Ferrante (Ed. Intrínseca)

Meu primeiro encontro com Elena Ferrante não foi na tetralogia napolitana, mas sim com esse romance que narra uma filha e seu complicado relacionamento com a mãe (que é encontrada morta logo no começo do livro). Livro incômodo e que confesso que não me pegou logo de cara. Havia gostado do livro, mas ele mudou e cresceu muito depois da discussão no nosso [Leituras Compartilhadas]. Alguns livros crescem demais depois do clube e esse definitivamente foi um deles.

Akira, de Katsuhiro Otomo (Ed. JBC)

A publicação do primeiro volume de Akira (com tradução direta do japonês) pela JBC é uma dos destaques de 2017. Era fã do anime, mas a leitura do quadrinho foi sensacional. História de ação eletrizante. Se puder, ouçam o podcast Universo HQ sobre os bastidores do Akira.

Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie (Ed. Cia das Letras)

A cada livro que leio da Chimamanda, entendo mais como ela se tornou esse fenômeno no mundo (ia colocar da Literatura, mas ela já ultrapassou essa esfera). Acho que entre as muitas qualidades do livro está o seu poder em criar personagens que não são somente bons ou ruins. Livro forte sobre a violência e o fanatismo religioso. Como sempre, livro que rendeu uma ótima discussão no clube. 

A Visita Cruel do tempo, de Jennifer Egan (Ed. Intrínseca)

Eu li esse livro lá em 2012 e foi a melhor leitura daquele ano. Ele foi escolhido em 2017 pro [Leituras Compartilhadas] e eu tinha muito receio de ler ele novamente, mas continuou sendo uma ótima leitura. Peguei nuances que não me marcaram na primeira leitura e ele continua sendo incomodo, ágil e muito criativo. E neste ano tem livro novo da Jennifer Egan!

 

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