[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 da Luana

Por: Luana Werb*

2017 foi um ano de descobertas. A faculdade de letras (segundo ano!) trouxe autores ainda não lidos – Guima Rosa está na lista! A Flip também abriu caminhos, com escritores deslumbrantes e reflexões muito pertinentes sobre representatividade. E finalmente, as pessoas lindas dos livros sugeriram leituras sensacionais (quem disse que ler precisa ser uma atividade solitária?). No mais, o de sempre: novos mundos, outras perspectivas, e o prazer imenso de desfrutar boas histórias.

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10° Os Malaquias, de Andréa del Fuego (Ed. Língua Geral)

Após um raio cair na residência da família Malaquias, matando os donos da casa, três irmãos são separados e lançados a sua própria sorte. Este é o mote inicial de uma história absolutamente deliciosa, que mescla elementos folclóricos do Brasil rural com o melhor da literatura fantástica. Para ler em um sofá confortável, com uma xícara de chocolate quente nas mãos.

Rio-Paris-Rio, de Luciana Hidalgo (Ed. Rocco)

Maria é uma jovem brasileira que vive em Paris no icônico ano de 1968. Estudante de filosofia, a personagem vai acompanhar as agitações políticas, sociais e culturais que marcaram a sua época. A obra é o retrato de uma geração, mostra como era ser jovem na década de 1960. E de quebra, traz uma protagonista apaixonante, com uma história de amor que, desde já, é das minhas prediletas da literatura.

Gênesis, de Bernard Beckett (Ed. Intrínseca)

Livro estranho, estranhíssimo. Em um futuro pós-distópico, a jovem Anaximandra sonha em ingressar na Academia, uma instituição que apoia e aconselha governantes em decisões políticas. Para ter este privilégio, Anax terá de participar de uma espécie de banca, defender uma tese frente aos filósofos do seu tempo. Toda a ação é centrada em um debate de ideias, e contra todas as probabilidades, isso funciona muito bem, a leitura é hipnotizante. Assassinatos, robôs e pitadas existencialistas tornam este livro inesquecível.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (Ed. Biblioteca Azul)

Esta, na verdade, foi uma releitura, mas entra na lista por motivo de amor. Dorian Gray é um dos grandes personagens da literatura ocidental, com sua juventude eterna e loucura obstinada. A obra foi o único romance publicado por Oscar Wilde, o suficiente para destruí-lo. Na Inglaterra vitoriana, ser homossexual e escrever histórias de relacionamentos homoafetivos era considerado crime, o que levou Wilde à prisão em 1895. Felizmente, a obra sobreviveu a sua época, e pode ser lida (e relida) por nós.

Senhor das Moscas, de William Golding (Ed. Alfaguara)

Um grupo de meninos sofre um acidente aéreo, e precisa sobreviver em uma ilha deserta, sem a presença de nenhum adulto. O resultado? Um retorno à barbárie, à selvageria e à absoluta ausência de limites. Reflexão muito interessante sobre a natureza humana e o valor que damos a nossa própria liberdade.

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Reparação, de Ian McEwan (Ed. Cia das Letras)

Um livro tão bom, mas tão bom, que me faltam palavras. Briony é uma criança que sonha ser escritora, com uma imaginação que irá colocar em risco as pessoas ao seu redor. Por que ler Reparação? Porque esta obra tem simplesmente o melhor final destruidor de mentes de todos os tempos e universos literários.  

O Conto da Aia, de Margaret Atwood (Ed. Rocco)

O livro é de 1985, mas fez barulho em 2017 devido a uma adaptação audiovisual produzida pelo canal de streaming Hulu (a série levou 8 estatuetas no Emmy, incluindo melhor série dramática). Em um futuro próximo, o governo dos Estados Unidos é derrubado, e no seu lugar é instaurada uma teocracia cristã. Não existe mais liberdade de crença, as mulheres perdem todos os seus direitos e a moral religiosa passa a ter peso de lei. História assustadora (especialmente por jamais soar inverossímil), deve ser lida com um sentimento de urgência.  

Um Defeito De Cor, de Ana Maria Gonçalves (Ed. Record)

Kehinde, nascida em Daomé em 1810, vem para a Bahia como escrava – sua trajetória, a partir daí, é um verdadeiro estudo sobre a vida do negro no Brasil colonial. A obra é um adorável calhamaço, mas prende com laço firme. A escrita é encantadora, para esgotar qualquer estoque de post-it.  

Nadando De Volta Para Casa, de Deborah Levy (Ed. Rocco)

Livro surpresa do ano (não conhecia a autora!), traz como protagonista uma mulher que ameaça. Espécie de sereia moderna, Kitty Finch invade a rotina de uma família rica e destrói a fina camada de normalidade sobre a qual todos se equilibram. Está sempre chovendo para Kitty Finch, e a água revela os rostos por trás das máscaras.

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (Ed. Nova Fronteira)

Não dá nem para chamar de leitura: o mais certo é falar em experiência. Livro difícil, de linguagem labiríntica, mas tão maravilhoso que vale o desafio. Riobaldo é o sertanejo letrado, que vai narrar os seus anos de jagunçagem, na companhia do melhor amigo Diadorim. Há travessias, pacto com o diabo, vida e morte – para tudo o mais, falta nome. Obra máxima da nossa literatura brasileira (ninguém arriscaria dizer o contrário!), deve ser lida e relida e amada e reverenciada por sua grandiosidade e gênio absoluto. 

 Luana é estudante de Letras e fala de literatura no seu canal Abstração Coletiva

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