[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 da Ana

Por: Ana Claudia*

Nesse ano que foi mais estranho que a ficção eu li pouco apesar de ter mais tempo disponível do nunca.  Dos poucos que eu li a maioria foi ótima e aqui estar os melhores não necessariamente em ordem:

ana1

Manual da Faxineira, de Lucia Berlim (Ed. Cia das Letras)

Grata supresa trazida pela Companhia, este livro vai ser figurinha carimbada em várias listas de melhores do ano. São contos inspirados em acontecimentos da vida sui generis de Lucia Berlin. Bem educada e de uma família tradicional texana, Lucy  passou boa parte da vida na companhia de outsiders e vivendo de sub-empregos, chegando até ser presa e internada por causa do alcoolismo.

É marcante a forma leve e bem humorada – sem cair no cinismo nem no humor negro –  que ela conta tragédias, como os casos da emergência de quando era enfermeira ou dos relacionamentos abusivos que teve.

Mensagem de uma Mãe Chinesa Desconhecida, de Xinran (Ed. Cia das Letras)

Assim como a Svetlana, Xinran neste livro dá rosto, nome e sobrenome às consequências de um acontecimento histórico; no caso, a política do filho único adotada na China a partir do final da década de 70.

Xinran durante seu tempo como radialista teve a oportunidade de viajar por todo o país e ter contato com dezenas de mulheres que tiveram a vida profundamente modificada por essa campanha do governo. Cada capitulo trata de uma historia diferente e sempre trágica; são famílias que tem que viver em trânsito, mães obrigadas a abandonar as filhas, bebês abandonados, orfanatos miseráveis, parteiras infanticidas e filhas em busca das mães. Essas historias de desespero inspiraram Xinran a criar a ONG Mother’s Bridge Love, que ajuda na adoção e na adaptação de bebês e crianças chinesas por estrangeiros.

Laços, de Domenico Starnone (Ed. Todavia)

Livro curto e intenso, li em uma sentada só. Sobre como laços uma vez desfeitos não podem ser refeitos.

Paciência, de Daniel Clowes (Ed. Nemo)

Difícil falar sobre a sinopse sem dar spoilers; Jack um dia chega em casa e encontra a sua esposa grávida, Patience, morta de forma misteriosa. Ele passa anos tentando entender o que aconteceu até que por acaso descobre uma forma de viajar no tempo e assim ele volta ao passado problemático dela para tentar impedi a sua morte.

ana2

O Fim do Homem Soviético, de Svetlana Aleksiévitch (Ed. Cia das Letras)

Imagine acordar um dia e descobrir que toda a estrutura social e econômica em está inserido desapareceu. Foi isso que aconteceu na URSS no começo dos anos 90. Depois de passar por várias crises e resistir, quando ninguém mais acreditava que ia cair, isso aconteceu.

As vozes nesse livro relatam mais a perda de uma identidade e um de ideal que é traído de vez do que o esfacelamento econômico e social de um nação.

Historia da Menina Perdida, de Elena Ferrante (Ed. Biblioteca Azul)

No quarto e último volume da tetratologia Napolitana acompanhamos a vida da meia-idade até a velhice de praticamente todos os personagens. Lenu criando as filhas dentro daquilo que sempre fugiu, a perda de Lila e suas consequências faz para mim este o volume mais melancólico dos quatro.

Aqui, de Richard McGuire (Ed. Quadrinhos na Cia)

Graphic novel revolucionária, o mesmo lugar é retratado sobre o mesmo ponto de vista em 296 páginas. O que muda é a data do recorte. Se numa dupla de páginas estamos em 1940, na seguinte é 2012; em algumas se sobrepõem pequenas janelas temporais. Por meio desse artifício, Richard McGuire consegue contar várias historias de forma nem sempre linear.
ana3
O Bulevar dos Sonhos Partidos, de Kim Deitch (Ed. Todavia)
 

Quando eu li, tive dificuldade para acreditar que essa história é real, mas infelizmente é. Ted Mishkin desenhou nos 1930 para o estúdio Fabulas Fontaine o gato Waldo (uma espécie de proto-Felix); só que para ele Waldo não era só real como vivia lhe dando ordens. Essa alucinação e um amor não correspondido acabaram levando ele ao alcoolismo, internações em hospícios e décadas trancado num porão assistindo desenho animado. Mais uma historia de que a criação e a loucura andam juntas.

O Conto da Aia, de Margaret Atwood (Ed. Rocco)

Distopia foi o gênero literário do ano e o pior desse livro é saber que muitas situações dele acontecem ou aconteceram em um passado não muito distante.

Os Homens Explicam Tudo Para Mim/ A mãe de Todas as Perguntas, de Rebecca Solnit (Ed. Cultrix e Ed. Cia das Letras respectivamente)

Para mim são livros que põem em palavras o porquê do mal-estar que eu sinto em várias situações.

ana4

O Árabe do Futuro 3, de Riad Sattouf (Ed. Intrínseca)

Essa série é sobre Riad Sattouf, filho de mãe francesa e pai sírio, que passa a infância entre a França, Líbia e principalmente a Síria. Esse choque entre culturas é visto pelos olhos de uma criança perspicaz e sensível, rendendo observações hilárias. 

Nesse volume a mãe de Riad está de saco-cheio de viver num vilarejo isolado na Síria enquanto o pai enfrenta pressões no trabalho e da família tradicional.

Nós, de Yevgeny Zamyatin (Ed. Aleph)

Comprei imediatamente ao lançamento li com a sensação de deja-vu típica do livros pioneiros.  D-503 vive numa sociedade aparentemente perfeita, mas ao entrar em contato com alguns rebeldes começa a questionar essa perfeição.

Mensões honrosas: Laika (chorei muito), Desconstruindo Una (nunca pensei em ver esse tema tratado dessa forma), A oeste do Éden (Várias historia americanas), Jimmy Corrigan – O Menino Mais Esperto Do Mundo (Ainda digerindo), Um Estranho numa Terra Estranha (Uma bíblia que vale a pena ser lida), Pedro Páramo (Quem foi? Quem ficou?)

Ana Claudia: Livreira há dois anos, até onde consegue se lembra, lê e escreve desde sempre, mesmo quando não sabia nem ler nem escrever. E compra mais livros do que consegue ler.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *