[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 do Thiago

Por: Thiago Cândido

Foi um ano difícil. No mundo, na vida e também nas leituras. Deixei de acompanhar a produção brasileira contemporânea com a mesma atenção de antes.  Li pouca coisa séria, pouca poesia e acabei na verdade lendo muito livro do universo expandido de Guerra nas Estrelas. Tentei focar em livros lançados neste ano, mas não só.  E, bem, é uma lista, então nada de análises aprofundadas, só o bom e velho comentário impressionista. Fiquei incomodado com a concentração editorial, mas não posso me enganar e colocar livros de outras editoras só para parecer que não há hierarquia entre os livros. Bem, minha lista de hoje é essa. A de amanhã? Seria outra…

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Legado de Sangue, de Claudia Gray (Ed. Aleph)

Até agora, o melhor livro do universo expandido de Guerra nas Estrelas que li. Livro focado na Senadora Leia Organa, se passa poucos anos antes do episódio VII.  Um thriller, colocando Leia no centro de um senado paralisado entre os dois grandes grupos políticos que emergiram na nova república. Uma grata surpresa.

 O palácio da memória, de Nate DiMeo (Ed. Todavia)

Um dos primeiros livros da Todavia, essa coletânea de histórias originalmente veiculadas no podcast de mesmo nome.  Pequenas histórias sobre momentos da história americana. O estilo narrativo de DiMeo é extraordinário, envolve de tal forma que mesmo as histórias mais banais são contadas de forma a emocionar. “Cavalo branco” me fez chorar miúdo.

Uma solidão ruidosa, de Bohumil Hrabal (Ed. Companhia das Letras)

Livro de prosa onírica sobre um operário de prensa hidráulica que vive entre livros antigos e cerveja, muito cerveja que vê, depois de três décadas e meia de trabalho, sua antiga profissão ser transformada por uma nova e moderna fábrica.  O humor de Hrabal é espetacular, Hant’a é um de seus personagens mais carismáticos.

Nossas Noites, de Kent Haruf (Ed. Companhia das Letras)

Não conhecia livro, autor. Amigo me deu e disse ‘leia, você vai gostar’. E que livro pungente! Curtinho, aborda com sensibilidade única algo que é visto por muitos como tabu: amor e sexo na velhice.

Laços, de Domenico Starnone (Ed. Todavia)

Livro doído sobre a história de um casal, com traição, separação e reaproximação. A trama se inicia com o casal já idoso, voltando de férias e encontrando a casa toda revirada. Este fato desencadeia, com idas e vindas temporais, a rememoração da traição do homem. Por vezes cruel, o livro tem uma narrativa forte sobre a vida, amor e família.

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Os brilhos todos – Ensaio, crônica, poesia, etc, de Alexandre Eulalio (Ed. Companhia das Letras)

Praticamente parei de acompanhar crítica literária, não tenho mais paciência para ler como fazia nos tempos de faculdade. Por isso a (minha) surpresa do quanto este livro – e aqui confesso que estou dando uma roubadinha, porque ainda não terminei de lê-lo – se mostrou interessante. Não conhecia o autor, morto ainda jovem (na casa dos 50 anos), professor universitário. Aqui encontramos em grande parte artigos curtos para a imprensa. Textos sobre Graciliano, Borges, Beatles. O ecletismo do autor é um assombro e a capacidade de síntese exemplar. 

A Jaca do cemitério é mais doce, de Manoel Herzog (Ed. Alfaguara)

Entrou na lista no último momento, e não sei bem, admito, se gostei ou não do livro. É, parece meio contraditório colocar entre as principais leituras do ano um livro que posso não ter gostado. Mas isso ocorre porque é um livro com estrutura narrativa com idas e vindas temporais, conta a história de um amor doentio através da ótica do protagonista, operário aposentado por invalidez. Nunca sabemos o que acontece ou é alucinação.  Livro muito bem escrito, foi a surpresa do fim do ano.

Em louvor da sombra, de Junichiro Tanizaki (Ed. Penguin Companhia)

Anos esgotado, preços absurdos na estante virtual, este curto ensaio do grande escritor japonês sobre um Japão que estava se ocidentalizando com os avanços tecnológicos como a iluminação.  Com uma linguagem absurdamente elegante, este ensaio é fundamental para quem tenta compreender a estética japonesa. Uma pequena joia.

 As cidades e as estrelas, de Arthur C. Clarke (Editora Abril)

Um dos livros premonitórios de Clarke. Neste futuro, computadores e robôs são tão onipresentes que passam despercebidos por uma população que vive imersa em jogos (as “sagas”) no que podemos chamar de realidade virtual full. Neste mundo as pessoas são gestadas por um grande computador central nesta grande cidade funcional que, acredita-se, é a última de uma terra devastada e sem vida. Um clássico da ficção científica.

Como se fosse a casa – uma correspondência, de Ana Martins Marques e Eduardo Jorge (Relicário Edições)

Livro curto e delicado, um diálogo entre dois poetas que tem como ponto de partida o aluguel da casa de Eduardo para Ana. Minha incapacidade de tecer maiores comentários sobre poesia não impede que eu, leitor bissexto do gênero, deixe esse livro de fora.

 

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