[Mania de Listas] As melhores leituras da Laís

Por: Laís Pragana

Desde 2013 venho aqui refletir sobre as melhores leituras de cada um destes anos. É bacana documentá-las assim, percebê-las ainda e sempre vivas e também perceber-me nelas. São estes, então, os livros escolhidos para representar este meu ano de 2017, tão importante e definitivo!

Obs.: a ordem a seguir é aleatória.

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O Tribunal da Quinta-feira, de Michel Laub (Ed. Companhia das Letras)

Mergulhei nos livros de Laub no primeiro trimestre do ano e o que de longe mais me impactou foi este seu romance mais recente. De pungência e honestidade que me surpreenderam, O Tribunal… é belissimamente escrito, elíptico e com a usual narrativa vai-e-vem do autor (cada vez mais afinada).

O Despenhadeiro, de Fernando Vallejo (Ed. Alfaguara)

Por explorar o deboche num contexto familiar, o escatológico em meio a uma doença terminal e o amor fraternal urgente – tudo isso com pano de fundo autobiográfico -, Vallejo precisava estar nesta lista. Livro que choca, que faz rir e que emociona em toda a sua verborragia desbocada.

Homem Comum, de Philip Roth (Ed. Companhia das Letras)

Defendo que só Roth conseguiria escrever este livro. Tido para alguns como um de seus romances menos relevantes, a mim saltou aos olhos a sua capacidade de sustentar, sem perda de interesse por parte do leitor, um enredo tão fúnebre e aparentemente desalentador. Só pode ser coisa, como disse, de um grande escritor.

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Desonra, de J. M. Coetzee (Ed. Companhia das Letras)

O romance mais visceral do meu ano. Seu clímax é tão poderoso que entrou para o pequeno grupo dos inesquecíveis da vida, sem dúvida. Violência e brutalidade de um lado, frieza calculista de outro. É este o seu desequilíbrio fundamental. Fabuloso!

Pelas Paredes, de Marina Abramović (Ed. José Olympio)

Autobiografia escolhida para me acompanhar ao longo das minhas férias e que ficou incrustada em mim, tamanho o relacionamento que com ela criei. Passei horas vendo e revendo as performances gravadas de Abramović, para além de quase grifar o livro todinho. Que mulher especial.

Esta Vida: Poemas Escolhidos, de Raymond Carver (Editora 34)

O brilhantismo dos contos de Carver (cujo Iniciantes também foi ponto alto do meu ano) transportado à linguagem poética: fórmula para o surgimento de poesias de uma simplicidade comovente. Absolutamente lindo e muito bem traduzido, como se pode verificar no cotejo com os poemas originais, compilados ao final da edição.

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Os Homens Explicam Tudo Para Mim, de Rebecca Solnit (Editora Cultrix)

Uma grata surpresa! Devorei este compilado de textos multitemáticos, de cunho fortemente feminista, que evidenciam a perspicácia e a inteligência da autora. Refletir o feminismo, afinal, é essencial – e nas mãos de Solnit podemos segurar.

Da Poesia, Hilda Hilst (Ed. Companhia das Letras)

Hilda Hilst foi a autora mais relevante do meu ano. Ainda que eu também tenha mergulhado em seus romances (como O Caderno Rosa de Lori Lamby e Kadosh) e em sua personalidade atrevida e erudita (com a leitura de Fico Besta Quando me Entendem), foram suas poesias as responsáveis por tantas epifanias e aporias nascidas em mim. Alimento da minha alma, o livro já está com a lombada frouxa e virou morador definitivo da minha cabeceira. Por conta de tamanha ligação, pude ter o prazer de visitar a Casa do Sol em novembro e comprovei: Hilda Hilst ainda reverbera neste mundo. E que seja homenageada à altura na FLIP 2018!

Elogio ao Toque – ou como falar de arte feminista à brasileira, de Roberta Barros (Edição do Autor)

Quando a arte é descrita e analisada por um artista, que a vivencia e que dela depende, surgem reflexões extremamente sensíveis e profundas. Viajar pela arte feminista através do olhar atento de Roberta Barros, artista performática e acadêmica da área, é entrar em contato com artistas fantásticas e textos relevantes (como Por que não houve grandes mulheres artistas?, de Linda Nochlin, aqui editado pela Edições Aurora). Vale muitíssimo a pena!

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Cascas, de Georges Didi-Huberman (Editora 34)

2017 foi o ano de Didi-Huberman no Brasil. Sua vinda ao nosso país para dar palestras e a sua grande contribuição para a exposição “Levantes”, ainda em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo, acenderam em mim a vontade de lê-lo. Cascas doeu e ainda dói em mim. Se acima disse que Desonra foi uma leitura visceral no âmbito da ficção, Cascas foi no da não ficção. A análise da museificação dos espaços históricos, da transformação da barbárie em cultura e da inserção das imagens nestes contextos é incrível.

Laços, de Domenico Starnone (Ed. Todavia)

Impossível não compará-lo com Dias de Abandono, de Elena Ferrante, e tão bem escrito quanto. Juntos, estes livros compõem um panorama único sobre a fragilidade do modelo de família que criamos em nosso entorno. Queremos mais Starnone no Brasil, Todavia!

PS.: e se aqui me couber uma previsão, já adianto que em 2018 precisarei falar de Anos de Formação, de Ricardo Piglia (Ed. Todavia), e de Sor Juana de la Cruz ou As Armadilhas da Fé, de Octavio Paz (Ed. Ubu) – livros que só finalizarei no ano que vem, como dito, mas que já entraram para o rol de favoritos da vida!

OCTAVIO E PIGLIA

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