[Mania de Listas] As melhores leituras do Alex

Por: Alex Caíres*

Eu adoro fazer listas. Tornei-me escravo deste hábito visceral em 2011 enquanto trabalhava na extinta 2001 Vídeo (alguém lembra que o “cinema estava lá”?) hehe trocadilhos, à parte com o slogan da 2001, foi lá no número 726 que
ajudando cinéfilos perdidos e procurando referências no IMDB, que fui sugado pela loucura insana de fazer listas! Num belo dia encontrei o blog Listas de 10 e aí sim, foi o fim. Fiz listas de 10, de 20, 30, 50, 100, 200, etc. de filmes sobre politica, sobre educação, brasileiros, latinos, franceses, diretores, melhores e piores e, sim ESTA LISTA CONTINUA… hehe

Quando meu colega livreiro, leitor, literato (quanto “L” hehe) e blogueiro, Kalebe me convidou para numerar os melhores livros que li em 2017, fiquei atônito! Além de super feliz em indicar essas possíveis leituras, além de tentar apresentar um pouquinho de cada um. Adianto que foi uma tarefa demorada, porém muito gostosa e intuitiva elencar estas leituras que me fizeram “literalmente” embasbacar nesse ano maluco, difícil e pré-esperançoso (afinal, 2018 é nosso fiel objetivo e farol!). Então, leitora e leitor d’O Espanador, vislumbre a capa, a folha de rosto, as orelhas, a quarta
capa, guarde o marcador e rumbora nessa leitura! hehe

Bons livros para todos nós e um 2018 melhor!

Abraços,
Alex Caíres

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1. Pilulas Azuis, de Frederik Peeters (Ed. Nemo).
Simples, sútil, sensível e uma das melhores histórias em quadrinhos que li! Para mim, um marco na luta pela compreensão da AIDS e contra o preconceito tão comum ainda presente mundo a fora. Os personagens são deliciosos, o enredo, o traço e a qualidade narrativa são impressionantes, li numa manhã ensolarada de sábado enquanto viajava de trem até São Paulo, e apenas no fim percebi como a leitura me propôs uma profunda reflexão, além de um esclarecimento didático, porém humano e intimista!

2. Instrumental, de James Rhodes (Ed. Rádio Londres).
É muito comum usarmos expressões populares como “pedrada na vidraça”, “soco na cara”, “chute no estômago”, etc. para descrever um impacto de um bom livro em nós leitores. Instrumental avança no uso deste tipo de uso, pois depois de lê-lo e me senti destroçado, fiquei algum tempo tentando encontrar o melhor adjetivo, se é que existe algo capaz de fazer jus. James Rhodes é um dos grandes pianistas contemporâneos, um artista singular e um ser humano “real” e “de verdade”, que não se furta da dor, do excesso e da emoção ao relatar nas páginas de Instrumental, seus sofrimentos e
traumas com o abuso sexual sofrido durante a infância, o mergulho nas drogas, depressão, enfim em sua vida. Depois de ler, fiquei com a sensação de que viver cansa, e sofrer, infelizmente uma mera consequência do jogo.

3. Nossas Noites, de Kent Haruf (Ed. Companhia das Letras).
Sutilmente encantador e belíssimo! Adiei por meses a leitura deste livro que me laçou na primeira página. A sensação ao ler é inebriante, literalmente. Talvez Addie e Louis sejam os personagens mais fofos que li em minhas duas décadas de leitor voraz, sim, me arrisco nessa afirmação. Diferente de Instrumental, obviamente Nossas Noites me ofereceu um dicionário de adjetivos: gostoso, singelo, realista, necessário, experimental, etc. Foi impossível não pensar na velhice da minha mãe, na dos meus amigos e na minha própria, que embora ainda demore um pouco, é inevitável! Addie e
Louis são deveras apaixonantes!

4. O Rei de Havana, de Pedro Juan Guitiérrez (Ed. Alfaguara).
O romance mais violento que já li! Sou um fã confesso de literatura latina, em especial a de Cuba e a da Nicarágua, e por isso sou um leitor pirado pela obra de Pedro Juan Gutiérrez, desde meados nos 2000 quando se tornou “pop” não só no Caribe, mas Brasil e no mundo. Seus primeiros livros foram publicados pela Cia. das Letras, mas não sei por que esgotaram rapidamente e logo depois deixaram de ser reimpressos. Por conta disso acabai lendo muita coisa comprada na Estante Virtual, ou em castelhano e português de Portugal. Este romance, parte do famoso “Ciclo do centro de Havana”, é a “biografia” ficcional de um garoto chamado Reinaldo e suas peripécias e dramas pela Cuba arruinada da década de 90, após o fim da URSS e os danos do bloqueio econômico ianque. Nosso personagem poderia ser qualquer jovem brasileiro ou latino mergulhado numa espiral de injustiças, crimes, prazeres e a dependência destrutiva do seu próprio ‘eu’ e daquilo que foi condicionado! Uma “voadora de emoção, violência e o retrato de uma sociedade” que insiste em seguir em frente, que não se acanha, mas agoniza por ser uma das maiores vítimas do imperialismo.

5. Kraftwerk Publikation, de David Buckley (Ed. Seoman).
A biografia delirante dos “pais” da música eletrônica e experimental! Aperte o play e devore a história de Ralf Hütter, Florian Schneider, Karl Bartos e a trupe de estudantes alemães que mudaram e revolucionaram a música popular no século XX! Se você gosta de música e não leu este livro, você simplesmente “necessita” disso!

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6. As Perguntas, de Antônio Xerxenesky (Ed. Companhia das Letras).
“Alina, nós estamos na mesma que você!”, talvez também daremos errado na vida, mas tudo bem!”“. Confesso que este livro me surpreendeu demais quando percebi que havia muitas camadas a serem descobertas na história de uma moça acadêmica, que edita videos institucionais no coração econômico e normativo de São Paulo. ATENÇÃO! Este livro não é apenas isso. É um “estudo” social despretensioso da falida Geração Y e seu egoísmo tolo, o orgulho barato e a pressão de “dar certo” da vida. E o que é isso? Um fantasma grudado em nosso ouvido (nasci em 1989) que nos berra 24 horas por dia que precisamos estudar crescer profissionalmente, ser o melhor, comprar um carro, um apartamento ou simplesmente abandonar as asas do pai, comprar, viajar, etc. e seguir… Rumo um código “inútil” de obrigações e falsos
anseios. Pedrada!

7. Enquanto os dentes, de Carlos Eduardo Pereira (Ed. Todavia).
Leia, apenas. Isso foi tudo o que deu pra fazer em matéria de numerar os melhores livros que li em 2017 para O Espanador. Um chute com bota de operário (ponta de ferro) no estômago!

8. Aqui, de Richard McGuire (Ed. Quadrinhos na Cia.).
Esqueça qualquer narrativa gráfica que leu e leia Aqui. [ponto]

9. Frango com Ameixas, de Marjani Satrapi (Ed. Quadrinhos na Cia.).
De longe o melhor trabalho de Satrapi! Oi? Mas, e Persepólis? e Bordados? Sim, Frango com Ameixas, embora seja tão bom quanto, transcende a narrativa para lugares “secretos” e “sutis” da alma do leitor”. Livraço!

*Alex Caíres nasceu em 1989, estudou jornalismo, cinema e sociologia. É apaixonado por literatura e trabalha com livros e afins desde 2010.

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