[Mania de Listas] As melhores leituras de 2017 da Michelle

Por: Michelle Henriques

Quando comecei a pensar nessa lista de melhores leituras achei que não ia ter muita coisa de interessante. Aí peguei minhas anotações e me dei conta de que foi um ano sensacional de livros, no qual gostei de quase tudo que eu li. É a primeira vez em muito tempo que não tem Karl Ove (não aguento adolescente do sexo masculino!) e tem Ferrante, de novo, pra variar, porque sou bastante previsível (ou porque ela é maravilhosa). Sem mais delongas, vamos lá…

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10) Minha querida Sputnik – Haruki Murakami (Ed. Alfaguara)

Eu sou altamente influenciável quando sou obcecada por alguém, que aqui no caso é a Patti Smith. Ano passado eu li Linha M, no qual ela falava muito do Murakami e decidi que eu queria ler o máximo possível de livros dele. Até então só tinha lido Após o Anoitecer e achado legal, mas esse aqui foi além. A ligação com os beats, o tom de etéreo da escrita dele, a simplicidade do enredo, tudo isso me encantou muito. Com certeza quero ler mais livros dele.

09) Fragmentos do Horror – Junji Ito (Editora Darkside)

Tenho até vergonha de confessar, mas esse foi o primeiro mangá que li na vida, mas eu não poderia ter começado melhor. O tom surreal e as histórias bizarras de horror me conquistaram de cara. Graças a ele quero ir atrás de mais mangás do gênero.

08) O Conto da Aia – Margaret Atwood (Editora Rocco)

Sabe aquele livro que você sabe que é bom mesmo antes de ter lido? Então, é esse. Graças à série, o tema já está conhecido por todos. É uma distopia sensacional justamente por não ser tão distante de algumas realidades que já vivemos, como avanço de bancadas religiosas na política, culpabilização das mulheres, perda de seus direitos. É um pouco desesperador, na realidade, mas é uma leitura necessária para que todas as mulheres fiquem atentas, como Simone já havia advertido.

07) It – A Coisa – Stephen King (Editora Suma)

Desde 2014 eu tenho tentado ler ao menos um livro do King por ano. Ele foi um dos meus autores preferidos da juventude, e um dos responsáveis por eu ter me tornado fã de terror. Decidi retomar o hábito de ler livros dele e o escolhido desse ano foi It, justamente por ocasião do lançamento do novo filme (que eu amei, por sinal). Demorei três meses para concluir a leitura e a minha vontade era que o livro não acabasse nunca. Claro que tem umas coisas ridículas e desnecessárias nele, mas a leitura é uma delícia. Ler King é me sentir em casa.

06) Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis – Jarid Arraes (Editora Polén)

2017 foi um ano bom para explorar gêneros literários desconhecidos por mim, e além de mangá, li um livro de cordéis. Jarid fez um trabalho maravilhoso de nos apresentar a história de mulheres brasileiras incríveis e muito pouco conhecidas pelo grande público, e isso na forma de cordel, gênero até então pouco divulgado. Essa leitura foi uma ótima experiência.

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05) O que eu amava – Siri Hustvedt (Editora Cia. das Letras)

Em janeiro de cada ano lemos um calhamaço para o clube [Leituras Compartilhadas]. Em 2017 foi a vez de O que eu amava e como sempre, mais um que entrou para a lista de livros favoritos. É um daqueles livros que prendem a sua atenção a cada página, e ao mesmo tempo que você não consegue parar de ler, você não quer que acabe. Sensacional é pouco.

04) História da menina perdida – Elena Ferrante(Editora Globo)

Sim, Ferrante de novo, Ferrante sempre. Foi maravilhoso acompanhar a história de Lila e Lenu ao longo de mais de dois anos, esperando ansiosamente pelo lançamento de novos livros. E eu gostei muito da conclusão que a autora deu. Fiquei com mil ideias na cabeça, de como seriam os livros escritos pela Lenu, de qual seria a visão da Lila dessa história toda, quis saber mais dos personagens. Enfim, acho que nunca vou esquecer desses livros.

03) Parafusos: Mania, depressão, Michelangelo e eu – Ellen Forney (Editora WMF Martins Fontes)

Ano passado uma amiga muito querida me presenteou com essa HQ, ela disse que eu iria gostar muito. Muitas vezes os livros me escolhem no momento certo e foi o caso dessa aqui, eu não poderia ter lido em momento mais propício (ou não) e foi bem dolorido me identificar com várias passagens. Ainda sou nova nesse mundo de HQs, não sei muito bem avaliar, mas essa me marcou muito.

02) Sempre vivemos no castelo – Shirley Jackson (Editora Suma)

Desde que comecei a ler terror eu sonhava com o dia em que livros da Shirley Jackson seriam editados no Brasil. Felizmente a Suma lançou Sempre vivemos no castelo e eu pude ter certeza do quanto amo essa autora. Sua escrita deixa o caminho aberto para as interpretações do leitor, o clima é construído de forma a nos confundir e nos deixar desconfiados do que acontece ali. Gosto de livros que me desafiam, ainda mais quando é terror.

01) As coisas que perdemos no fogo – Mariana Enriquez (Editora Intrínseca)

Da primeira vez que li sobre esse livro eu fiquei mais do que ansiosa para tê-lo em mãos. Outra amiga querida me emprestou e que surpresa! Não sou muito dada a contos, quase sempre fica aquela sensação de irregularidade, mas aqui eu gostei de absolutamente todos. Enriquez (o mesmo sobrenome que o meu, com grafia diferente!) fala do terror cotidiano, da violência, das periferias, das margens, do imaginário popular. Gostei demais desse livro e já quero reler.

Termino essa lista no dia 10 de dezembro e até o momento esses são meus preferidos. Gostaria só de destacar quatro leituras que merecem menção: Relatos de um gato viajante de Hiro Arikawa (um gato conta a história, isso já faz o livro ser bom!), Os homens explicam tudo para mim da Rebecca Solnit (livro que você lê pensando “sim, porra, é isso mesmo!”), Como se estivéssemos em palimpsesto de putas de Elvira Vigna (foi amargo ler esse livro) e Fico besta quando me entendem (entrevistas com Hilda Hilst, estou obcecada com essa mulher).

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