[Grifos] Desculpe o auê

bioNa minha lista de melhores leituras de 2016, fiz uma categoria para “Os melhores livros que li pela metade”. A coisa foi tão ruim ano passado no quesito leituras (e em outros quesitos também, porque VAMOS COMBINAR…) que eu tive vontade de criar outra categoria, ainda mais sem vergonha na cara, que era “Os melhores livros que comprei e quis muito ler”. Entre os livros desta infame lista, certamente estaria Rita Lee: uma autobiografia

Durante as férias da faculdade o plano era diminuir os livros destas duas listas. Mas sabe como é… Tem sempre uma outra coisa que entra na frente, aquele papo de leitor compulsivo de sempre. Até consegui ler uma quantidade razoável de livros antes das aulas começarem, mas o único da lista acima mencionada foi justamente a autobiografia da Rita Lee. 

Veja bem, não posso me considerar a fã nº 1 da Rita Lee. Mas acho ela f%$a pra cara$#@. Gosto muito da figura dela, de boa parte das músicas e principalmente do que ela fez durante aquele período maravilhoso chamado Tropicália com os Mutantes. Então a expectativa era ler boas histórias da sua carreira, escrita do jeito dela, sem filtros… 

E de fato é uma leitura divertida, como o anunciamos na lista de leituras para o Carnaval. Rita Lee não tem nenhuma preocupação em ser uma autobiógrafa séria e comprometida com datas e minúcias. O texto é leve e ainda que siga uma ordem temporal, não há preocupação com datas e informações totalmente precisas. Parece que estamos numa conversa com um amigo, que vai lembrando deste ou daquele episódio da sua vida. Preciso também destacar o recurso divertido de colocar um fantasminha para, por vezes, corrigir ou até para ampliar uma informação. 

Mas sabe quando o livro não cola? 

Pois bem. Sei que isso muitas vezes acontece, nos mais variados tipos de livro. Mas não posso negar minha decepção. E eu queria muito ter amado o livro… Estava realmente animada com ele. Mas quando terminei, ficou aquela sensação de… nhé… sabe?

aue

Acredito que um dos principais motivos para esse sentimento tenha relação com as escolhas de Rita para contar as histórias. Há um longo trecho sobre sua infância e família (e adoro histórias de infância e não estou reclamando disso), mas depois ela passa muito rápido pelo período dos Mutantes, os festivais, a Tropicália… E depois volta a se alongar sobre sua carreira quando a parceria com seu Doce Vampiro Roberto de Carvalho, com quem segue casada, se concretiza.

Imagino que isso tenha a ver com a sua saída dos Mutantes, que não foi dos momentos mais harmoniosos. Ainda assim, fica uma certa decepção de ver ela passar pelo período da banda de forma tão apressada. E pior… tão desdenhosa. Acho que isso foi o que mais me deixou #verychateada : a forma como Rita fala desse período como se não fosse nada demais, como uma brincadeira de criança. E sei que muito da criação dos Mutantes veio a partir da brincadeira e da irreverência deles. Mas tinha muita criatividade ali, sabe? 

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A expectativa do livro era poder ler boas histórias de bastidores e muitas vezes isso muitas vezes não aconteceu… 

Uma curiosidade é que no fim do livro, Rita comenta sobre as biografias que já fizeram dela ou dos Mutantes. E ela DETESTA a biografia A divina comédia dos Mutantes, do Carlos Calado (Editora 34). Todo direito dela. Mas quando li este livro, há uns bons anos, eu PIREI com ele. 

 

 

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