[uma rima obsessiva] they all float down here

Por: Michelle Henriques

Eu cresci lendo Stephen King. Carrie foi o primeiro dele que li e me apaixonei. Aos poucos fui lendo outros dele que tinha em casa, peguei emprestados, e ao longo dos anos King ficou apenas como uma memória da juventude. Até que em 2014 foi lançada no Brasil uma nova edição de Misery, que deu origem a uma das adaptações que mais gosto, com a Kathy Bates. Corri para comprar o livro e me deu aquela saudade de ler King.

Stephen King talvez seja o escritor mais prolífero da nossa era. Em Sobre a escrita ele nos conta que diariamente escreve ao menos 2.000 palavras, contando feriados e festas de fim de ano. Não é a toa que ele tem tantos calhamaços publicados. E até este ano eu nunca tinha lido um desses livros enormes dele.

Eu tenho uma amiga (Oi, Niia!) que é fanática por King e A Coisa é seu livro preferido dele. Gosto muito de conhecer os livros preferidos das pessoas que gosto, então decidi que era a hora de ler esse. E aproveitar que em setembro vai ser lançado um novo filme baseado nele. Eu acho que vi a primeira adaptação quando era criança, mas me lembro de pouco.

Aliás, aqui um breve parênteses para falar da minha relação com o terror. Minha mãe sempre viu muitos filmes de terror, inclusive ela viu Evil Dead quando estava grávida de mim (o que explica muita coisa da minha personalidade, risos) e ela sempre me explicou que aquilo tudo era fantasia, maquiagens e efeitos especiais. Então eu via tudo com ela, do Exorcista até a franquia do Boneco Assassino.

Passaram os anos e eu perdi o interesse no terror, até que Wes Craven fez um lindo retorno com a franquia Pânico. Ali comecei a ver todos os lançamentos da época, que incluíam muitos adolescentes e trilhas sonoras com New Metal ruim. Desde então, terror se tornou meu gênero preferido do cinema.

Mas voltando ao It, ou A Coisa, como o livro é chamado aqui. Comecei a ler sem nenhuma pretensão, e sem pressa. Consegui terminá-lo antes do lançamento do filme, para poder rever o primeiro antes e fazer comparações (sim, eu adoro comparar as coisas). O tamanho do livro pode assustar um pouco, mas a leitura é uma delícia. Comecei a lê-lo em uma fase um pouco complicada, e ele era ótimo para me fazer esquecer dos problemas.

Pennywise da 1ª versão para o cinema

Pennywise da 1ª versão para o cinema

Acho que todo mundo conhece a figura do Pennywise (que até virou nome de banda), ele se tornou uma imagem comum da cultura popular. O livro é quase que uma fábula para adultos, são crianças lutando contra o mal, enquanto descobrem mais sobre si mesmas e sobre os outros, em uma cidade do interior dos Estados Unidos (sempre no Maine), nos anos 50.

Vi que há até uma maratona de leitura proposta pela editora e eu aconselho todos a acompanharem. O livro é grande, mas garanto que assim como eu, vocês vão querer que o livro tenha mais páginas. Vejo muita gente dizendo que muita coisa do miolo é desnecessária, pode até ser, mas a leitura é extremamente fluída e você nem sente o tempo passar.

Há muito preconceito com o gênero de terror, dizem que ele é “menor”, mas eu não concordo. Desde a era do gótico na literatura há muita crítica social nas obras, muitos paralelos traçados com a psicologia (Edgar Allan Poe e Shirley Jackson que o digam!) e eu recomendo a todos. E é sempre bom começar com King. Inclusive, comecem com It. O livro é enorme, mas a leitura é extremamente cativante.

Terminei a leitura há algumas semanas e ainda me sinto incapaz de escrever sobre o livro. Claro, achei que muita coisa ali era desnecessária, mas em nada tornou a leitura cansativa. Vários enredos de entrelaçam ao longo das páginas, presente e passado se confundem.

Algumas cenas foram extremamente pesadas para mim (como a da geladeira!) e outras são um tanto polêmicas, mas pensando na época em que foi escrito, muita coisa era diferente. Então nesse caso eu consigo relevar.

Até breve, e leiam King!

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