[uma rima obsessiva] Regarding the fracasso

Por: Michelle Henriques

Ano passado eu me propus a ler todos os livros da Susan Sontag que eu tivesse em casa e ir postando aqui aos poucos as minhas impressões. Sabe quantos livros dela eu li até agora? Isso mesmo, um total de zero. E eu sabia que isso aconteceria. Comecei o ano vendo o documentário Regarding Susan Sontag que é absolutamente incrível, separei os livros, mas não foi. E não é porque ela é ruim, muito pelo contrário, mas como diz a Ju, ela é meio “cabeçuda” e digamos que não estive apta para esse tipo de leitura (alguns problemas e tal).

Isso me faz pensar numa conversa que tive com uma amiga em 2013, antes de eu começar a frequentar clubes de leitura. Ela me disse que planejava todas as leituras do mês, se baseava em listas, em algum desafio, lia livros de clubes. Eu achei aquilo um absurdo, como ler alguma coisa pré-programada? Leitura para mim sempre foi uma coisa de sentimento, “Estou com vontade de ler algo triste”, “Agora eu quero ler algo de terror”.

Comecei a frequentar o [Leituras Compartilhadas] em janeiro de 2014, com Liberdade do Jonathan Franzen. Livro que dividiu opiniões, mas que foi uma das leituras mais prazerosas que já fiz (pelo menos o começo dele). Não senti pressão e eu realmente fiquei ansiosa para compartilhar opiniões sobre ele. E assim fui seguindo todos os meses, lendo os livros indicados por eles e não foi nenhum grande esforço.

Já em 2015 começamos o Leia Mulheres e aí eu teria duas leituras “obrigatórias” por mês. Eu daria conta? Acabei dando, até escrevi resenhas de vários dos livros que lemos. Foi aí que me senti audaciosa e comecei a programar metas para mim mesma. Decidi que em 2016 ia ler um livro do Stephen King por mês. Li apenas um. Em outubro eu decidi que só leria terror. Li apenas um, que era de clube.

Fora isso eu ainda tenho dois “problemas”: a pilha de livros emprestados e a pilha de livros para resenhar. Por causa do Leia Mulheres eu recebo muitos livros de autoras, e não me levem a mal, eu AMO conhecer a escrita de novas escritoras, mas eu simplesmente surto e não dou conta de ler e resenhar. O mesmo acontece com os livros emprestados, eu os queria há muito tempo, finalmente estão a meu alcance, e eu não consigo ler.

Aí vejo as duas pilhas crescendo, crescendo, e com elas cresce a minha ansiedade e sensação de fracasso. E neste ano, acrescentei a elas a pilha da Susan Sontag. Eu comecei a ler os Diários dela e estou amando, mas é uma leitura que demanda tempo, quero anotar mil coisas, quero ir atrás das referências. Isso não quer dizer que abandonei o projeto de lê-la, apenas posterguei para a vida.

Agatha pergunta: "quem nunca?"

Agatha pergunta: “quem nunca?”

Mesmo com esse monte de leituras por “obrigação”, peguei um livro do Murakami. Eu só tinha lido Após o Anoitecer e gostado bastante. Agora, por indicações, fui de Minha Querida Sputnik. Eu conto as horas para ter tempo livre e poder me dedicar a ele. Ele é o querido da Patti Smith (em Linha M ela conta um pouco desse amor pelos livros do Murakami, e como eu amo a Patti, já amo Murakami por tabela), o que foi mais um impulso para mim.

Claro que já pensei em fazer uma maratona Murakami, ler vários livros dele nesse ano. Mas e as pilhas que eu preciso diminuir? E os livros que preciso ler pros clubes? E eu vou focar só em um escritor homem quando preciso conhecer mais mulheres para criar conteúdo para o Leia? Questionamentos da classe média sofredora, mas esta é uma coluna de obsessões, e de ansiedade, por consequência.

Ano passado, por algum acaso maluco do destino, eu acabei lendo vários livros do Mutarelli. Eles simplesmente foram caindo no meu colo e eu fui lendo. Amei cada um deles, mas enjoei. Não quero pegar nada dele por um tempo. Isso aconteceu com Bukowski nos idos de 2008 e com Nick Hornby em 2010. Medo de que isso aconteça de novo.

(E isso me lembra uma amiga dizendo que nunca lia mais de um livro de um autor por ano, até citou “meu King do ano”. Outra amiga dizendo que era impossível ler apenas um King no ano. E eu aqui ficando obcecada e querendo ler mil coisas de uma vez só).

E vocês? Como funcionam suas leituras? Vocês têm esquisitices como as minhas?

Um comentário em “[uma rima obsessiva] Regarding the fracasso

  1. Olha Mi, compartilho da sua ansiedade! tanta coisa para ler mas por obrigação me sinto tensa… fiz um projeto de leitura pessoal em que leria os livros dos clubes de leitura, um livro de compartilhada com um grupo virtual, um livro de parceiro e um libro teórico mas me deixaria livre para burlar tudo e ler somente aquilo que me interessasse rs… o livro tem que nos escolher, não dá para ser o contrário… bjos amora!

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