[uma rima obsessiva] As garotas das bandas

Por: Michelle Henriques

2011. Estava passeando por uma livraria quando me deparei com Só Garotos, livro recém-lançado da Patti Smith. Eu não sabia muito sobre ela, só conhecia clássicos como “Gloria” e “Because The Night”, e nem imaginava que ela também escrevia. Algo me chamou atenção ali, o preço estava OK e decidi levar o livro pra casa. Comecei a ler naquela mesma noite e não consegui parar. Ali se desencadeou uma das minhas obsessões mais duradouras.

Em Só Garotos Patti fala de si mesma, de como entrou na música e principalmente de sua relação com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, seja como amantes ou como amigos, essa parceria durou anos e impactou profundamente Patti. Escrevi numa antiga resenha que ler esse livro é ter saudade de algo que não vivemos, sentir nostalgia pela experiência do outro. É exatamente isso que Patti nos proporciona.

Ano passado saiu aqui no Brasil Linha M, segundo livro da Patti. Dessa vez ela trata de sua vida já com carreira consolidada e de sua relação com o marido Fred, que faleceu em 1994 de um ataque cardíaco fulminante. Esse livro é tão bom quanto Só Garotos e aqui temos uma Patti “gente como a gente”, que ama café e sua gata Cairo, que gosta de ficar em casa vendo The Killing e é viciada nos livros de Murakami, principalmente A canção do pássaro de corda (que deve sair no Brasil este ano). Patti viveu no auge da geração “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”, mas parecia uma pessoa meio alheia àquilo, tranquila, na dela.

patti

A escrita da Patti é uma delícia, você não consegue largar e me fez correr atrás das músicas delas. Hoje ela é uma das minhas maiores inspirações. E por causa dela, passei a querer ler mais livros de mulheres da música.

Felizmente, vários estão sendo lançados aqui. O único que ainda não li nada a respeito de uma publicação brasileira é Hunger Makes Me a Modern Girl da Carrie Brownstein, guitarrista e vocalista do Sleater-Kinney.

Em 2015 a Intrínseca publicou A Arte de Pedir, da Amanda Palmer. Amanda ficou conhecida pelo seu jeito DIY (do it yourself) de conduzir sua carreira com a banda The Dresden Dolls. Ela se hospedava na casa dos fãs, sempre estava em contato com eles, vendia seu próprio material na internet. Também seguiu carreira solo com o disco Who Killed Amanda Palmer de 2008 (“Leeds United” é minha preferida!).

E sim, ela é casada com o Neil Gaiman. Sim, eles são o melhor casal que habita este planeta Terra, mas eu fico realmente puta da vida quando alguém se refere a ela como “esposa do Neil Gaiman”. Sim, ela é esposa do Neil Gaiman, mas antes de tudo ela é Amanda Fucking Palmer, e além de ter um talento imenso para música, ela lançou um livro sensacional.

amanda

No livro, como diz o nome, ela fala bastante de como temos medo de pedir ajuda aos outros. Parece bem auto ajuda, e não deixa de ser, mas do jeito que ela escreve, vai além disso. Eu vou levar pra sempre uma passagem desse livro: Anthony (melhor amigo de Amanda, que faleceu após a publicação do livro) fala algo sobre como a gente só deixa de fazer merda quando nos machucamos, tipo, nos machucamos de verdade. Em resumo, a gente só para quando realmente dói. Enfim, livro incrível, mulher incrível.

O último livro de “mulher da música” que li foi A Garota da Banda, de ninguém menos que Kim Gordon, uma das fundadoras do Sonic Youth. O livro começa de uma maneira bem triste, ela contando do show realizado no SWU, em 2011 aqui no Brasil, quando já estava separada do Thurston Moore e que viria a ser o último da banda. Ela discorre sobre sua vida, sobre seu casamento e fala bastante da banda, da composição de cada disco.

Assim como Amanda e Patti, além de um talento enorme para a música, ela escreve otimamente bem. Um cidadão escreveu uma crítica reclamando de A Garota da Banda, dizendo que ela fala muito de si mesma e pouco do Sonic Youth. Bom, o nome do livro é “A Garota da Banda”, não “A Banda”, então poupe-me.

kim

Conheci o Sonic Youth em 1999 logo que eles lançaram A Thousand Leaves (“Sunday” é a melhor música, com o melhor clip dirigido pelo Harmony Korine). Eles vieram pro Free Jazz Festival em 2000, mas eu, uma jovem rockeira de 13 anos não pude ir. A banda acabou e nunca os vi ao vivo, mas ano passado pude ver a Kim Gordon com seu projeto Body/Head, e que mulher sensacional! Ah, ela também aparece em alguns filmes de vez em quando, como Last Days e no seriado Girls.

Em 2010 Sara Marcus publicou o livro Girls to the Front: The True Story of the Riot Grrrl Revolution, também inédito no Brasil. Espero que alguma editora tenha intenção de publicá-lo aqui, junto com Hunger Makes Me a Modern Girl da Carrie Brownstein.

3 comentários em “[uma rima obsessiva] As garotas das bandas

  1. Eu só conheci os lovros da Patti Smith ano passado e fiquei maluca. Sou apaixonada por essa mulher! A garota da banda ta na minha lista de desejadissimos por motivos de sou apaixonada pela Kiim Gordon, se hoje adoro o somic youth foi por ter me encantado por ela primeiro e depois pelo resto da banda. Até hoje quase morro no clipe de Bull in de heather que aparece a Kim Gordon e a Kathleen Hanna (e o resto da banda, mas meu foco é todo delas).
    Não fazia ideia que existia esse livro Hungers makes me a modern girl. Já quero.

    Só garotos é um dos livros mais bonitos que já li na vida e uma vez li um comentário (não lembro se foi no meu blog, no skoob, no twitter, ou no blog de outra pessoa hahaha tô sem referências) de um cara falando que a Patti não deveria ter publicado só garotos pq nesse livro ela faz papel de idiota gostando de um cara que só despreza ela… eu tenho raiva desse comentário até hoje.

    Já fiz um comentário gigante, mas esse post ta lindo demais ❤

  2. Eita que eu adoro essas suas indicações!
    Bom, vou começar a ler Só Garotos agora e a expectativa é grande, gosto muito de muita coisa da Patti Smith e gosto demais do Robert também , suas obras me inspiram.
    Eu li A Garota da Banda o ano passado e, meu deos, que livro, Kim Gordon escreve com muita paixão e sabedoria, foi um dos melhores que li em 2016, a Arte de Pedir está na minha lista, assim como Girls to The Front, que tô looouca pra ler.

  3. Infelizmente não consegui gostar tanto de A Garota da banda, não por ela n falar do Somic Youth, mas pela propria visão que a Kim demonstrar fe outras mulheres do rock comp a Courtney Love, a mesma visão dos fãs do Nirvana que colocam a Courtney como unica e somente unica destruidora da vida do Kurt.

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