[Mania de listas] As melhores leituras da Amanda

2016 foi um ano estranho. Lembro de ter lido muita coisa, mas foi difícil selecionar o que eu realmente gostei. Eu sempre acho que as coisas que gostamos ficam com a gente mesmo depois de terem se passado meses depois que terminamos um livro. Esse ano tive poucos desses livros especiais… 

Mas vamos à minha lista de melhores. Não fiz um ranking, porque na verdade todos eles foram “os melhores livros” que eu li esse ano, dentro de suas categorias.

movimentoSempre em Movimento – Oliver Sacks (Ed. Cia das Letras)

Em 2016 fez um ano da morte de Oliver Sacks, um dos meus autores preferidos, que ficou “mais preferido” depois de ler sua autobiografia.

Acho que isso aconteceu porque de certa forma eu me identifiquei com o Oliver Sacks pessoa ( porque seria impossível me identificar com o Sacks cientista e escritor…).

A vida de Sacks foi uma vida incrível. Como médico, foi responsável, de certa maneira, pela forma como a ciência começa a enxergar as doenças neurológicas e mentais. Como escritor, espalhou conhecimento científico como nenhum outro, a não ser talvez Carl Sagan. Ao lermos sua biografia descobrimos a pessoa incrível que ele foi, confirmamos a grande capacidade que ele tinha de ter empatia com seus pacientes, e a forma peculiar com que desenvolvia suas idéias.

Apesar de ele ter escrito esse livro já quase no final da vida, é um texto leve e por vezes bem humorado, e vale a pena ler não só para conhecer um pouco da vida de Sacks, mas como uma espécie de resumo da história da psiquiatria dos últimos 50 anos. Imperdível.

Diário de Oaxaca – Oliver Sacks (Ed. Cia das Letras) oaxaca

Li muito Oliver Sacks esse ano, por isso foi difícil só deixar dois livros dele na minha listinha de melhores. Para mim, Diário de Oaxaca é tão biografia de Oliver Sacks quanto Sempre em Movimento.

Por trás da narrativa dele da expedição da Sociedade Americana de Samambaias à Oaxaca, a Meca das Pteridófitas, ele conta com aquele seu jeito peculiar as descobertas que os integrantes fazem, um pouco da história e das pessoas da cidade de Oaxaca e suas impressões a respeito de tudo o que vê.

É uma mistura de expedição científica e relato de viagem, de leitura rápida, mas repleto de ciência e encantamento. Gosto especialmente desse livro porque nele encontrei a (como dizer?) definição de como eu vejo o mundo, que é a seguinte: “Quase sempre há essa duplicidade do participante-observador, como se eu fosse uma espécie de antropólogo da vida, da vida terrestre, da espécie Homo Sapiens”. (pág 19)

cozinharCozinhar – Uma História Natural da Transformação – Michael Pollan (Ed. Instrinseca)

Passei a morar sozinha esse ano e com isso a prestar mais atenção ao que eu como. E esse livro foi uma revelação!

É uma mistura de livro de receitas, história da alimentação e um “estudo” sobre comer bem. Adoro como ele separa as sessões entre os quatro elementos: fogo, água, ar e terra e os associam às formas de se “criar” a comida, respectivamente fazendo um churrasco, um cozido, fazendo pães e fermentando para criar queijos, conservas e bebidas. É um livro para questionarmos o que comemos e como comemos e para mudar a forma como lidamos com o alimento.

Pense no Garfo – Uma História a Cozinha e de Com Comemos – Bee Wilson (Ed. Zahar)arte_PenseNoGarfo.indd

Se o Michael Pollan me fez repensar o que comer, Bee Wilson me fez repensar como preparar a comida. Nesse livro ela nos revela como nossa cozinha se tornou o que conhecemos agora. É um relato da evolução dos utensílios utilizados para cozinhar, mas também é a história dos costumes e suas mudanças no decorrer de milênios de história gastronômica da humanidade.

Livro imperdível para quem gosta de cozinhar, quer aprender a cozinhar ou só é um curioso que gosta de comer e quer saber como nossa cozinha se tornou o que é hoje.

mortaisMortais – Atul Gawande (Ed. Objetiva)

Faço 40 anos em 2017 e desde que me entendo por gente, me preocupo com o morrer. Sou dessas que a cada ano novo ou aniversário pensa que tem um ano a menos de vida. Sendo essa pessoa tão solar e com essa visão otimista da vida, era natural que acabasse lendo Mortais.

Não vou dizer que é o livro mais alegre que você vai ler, mas vai ser um dos que vai te dar uma ideia do que pode estar te esperando logo aí, na velhice. Gosto de como ele encara a velhice sem aquele tipo de compaixão que infantiliza as pessoas. Ele pensa numa velhice emancipada onde o idoso ainda tem domínio sobre o seu destino. E pensa numa morte digna. Acho que a principal virtude desse livro é mostrar que a ciência e a medicina estão aí para dar qualidade de vida e garantir uma morte digna para cada um de nós. E isso para alguém que, como eu, é ateu, é tudo o que se pode esperar e desejar no fim da vida.

10% Humano – Alanna Collen (Ed. Sextante) humano

Eu já tinha lido alguma coisa sobre nossos velhos companheiros, os micróbios, e em geral olhei com desconfiança para essa paranoia que as pessoas tem contra os bichinhos.

Entre um protex aqui, um álcool gel com bactericida e um antibiótico pra qualquer coisa (!!!) eu às vezes me perguntava se não estava rolando um exagero. A desconfiança começou a se tornar certeza, com anúncios cada vez mais frequentes do “apocalipse do antibiótico” ou uma era pós antibióticos.

Em 10% Humano ficamos sabendo porque o apocalipse pode realmente estar se aproximando e porque não morremos mais de infecção, mas de toda uma gama de novas doenças que até 100 anos atrás praticamente ninguém conhecia.

Depois desse livro passei a pensar com carinho a respeito dos micróbios que dividem o meu corpo comigo. Mas como tia de uma criança de menos de um ano, fiquei alarmada com os perigos que um antibiótico mal receitado pode causar. Leitura esclarecedora.

deusDeus não é Grande – Christopher Hitchens (Ed. Globo)

A verdade é que Deus não é Grande e ninguém melhor que um dos quatro cavalheiros do apocalipse para dizer isso!

Nesse livro Hichens vai, capitulo por capitulo, desmontado cada tijolinho da ideia tão arraigada no inconsciente coletivo de que crer em deus = sem boa pessoa, ou religião = coisas boas. A cada página lida você encontra toda uma gama de horrores ligados principalmente à religião e o mais interessante de tudo é que ele não mira somente no cristianismo e islamismo. Todo sistema religioso é per se prejudicial.

Com Deus um Delírio, saí do closet do ateísmo. Com Deus não é Grande, cimentei minha certeza de que, tirando as obras de arte renascentistas, nada de bom deriva das religiões.

Depois de tanta não ficção, lembrei que leio ficção também! E elegi três livros que eu gostei muito:

Guerra do Velho – John Scalzi (Ed. Aleph) guerradovelho

Pensa num livro que você começa a ler sem pretensão nenhuma, mas que a cada página se torna mais difícil de largar. Guerra do Velho é esse livro.

A ideia é no mínimo intrigante: no futuro, quando os seres humanos estiverem em outros lugares na galáxia, não serão os jovens convocados para o “exército interestelar” são os velhos. Quando homens e mulheres completam 75 anos, eles podem se alistar. Mas que tipo de guerra é essa que só interessa ter velhos lutando? Onde é essa guerra (ou guerras)? O que acontece quando você se junta a esse exercito?

A resposta é tão surpreendente que valeu cada hora de sono que eu perdi, quando virei a noite lendo esse livro. Esse sem dúvida foi a melhor ficção que eu li esse ano!

invernoPecados de Inverno – Lisa Kleypas (Ed. Arqueiro) 

Gosto da Kleypas desde de a primeira série dela, lançada pela Arqueiro há uns anos atrás.

Nesse livro ela está em sua melhor forma ao contar a história de Evangeline Jenner. Moça extremamente tímida e gaga, mora com os tios mas precisa desesperadamente fugir deles para cuidar do pai, que está à beira da morte. Mas ela é uma moça vitoriana e moças dessa época não são livres para fazerem o que querem, a não ser que cumpram seu destino e se casem.

Para resolver esse problema ela bate à porta de lorde St. Vincent. Lindo, devasso e completamente falido, ele é a melhor opção para alguém que como Evangeline, pois precisa de um casamento de conveniência.

Bem, sabemos que no final Evangeline e St. Vincent serão felizes para sempre, mas (isso é um clichê, como todo bom romance é um clichê), como nas boas viagens, não importa o destino final, importa como chegamos lá. E o como eles foram felizes para sempre, que é o bom desse livro.

Gigantes Adormecidos – Sylvain Neuvel (Ed. Suma das Letras) gigantes

Eu tenho para mim que nada pode dar errado se uma história tem um (ou vários) robôs gigantes. E Gigantes Adormecidos prova que eu tenho razão.

Talvez a melhor definição desse livro seja que ele é uma mistura de Arquivo X, com Pacific Rim e mitologia greco-romana. 

A história contada em capítulos, que são na verdade “entrevistas” dos personagens principais, conta como a descoberta de uma mão gigante levou anos depois a descoberta de várias partes de uma robô enorme e claramente feita por uma civilização extraterrestre.
No rastro da pesquisa para descobrir como montar e operar essa máquina, seguem intrigas internacionais, espionagem, dramas pessoais e ciência, muita ciência.

É um triller, é um drama, é aventura, é ficçao cientifica. É um livro imperdível!

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