[Mania de listas] As melhores leituras da Laís

Por: Laís Pragana

Cá estou eu, mais uma vez, para listar (e, consequentemente, fazer um balanço) das leituras do ano. 2016 foi sem sombra de dúvida um dos melhores da minha vida nesse aspecto: li muito, vivi entre os livros, conquistei experiências incríveis por meio da Literatura. Sigo apaixonada por ela e anseio por muitas novas “descobertas de papel” no ano que vem. 

Por conta de um saldo tão positivo, encontrei uma certa dificuldade para ordenar quais foram os melhores livros que me acompanharam durante esses doze meses; foi então que decidi elencá-los de acordo com as categorias a seguir. E como já é tradição, aproveito para desejar a todos um Natal iluminado e um 2017 leve e fluido!

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1 – A leitura mais intensa:

Uma Duas – Eliane Brum (Ed. Leya)

De falta de ar a peso no coração, este romance da Brum me causou sensações explicitamente físicas. Doído, sofrido…e maravilhoso. Dela não esperava menos. Este livro exige de mim silêncio.

2 – A leitura mais hipnotizante:

A Teta Radical – Giovana Madalosso (Ed. Grua)

É raríssimo que eu comece e termine um livro num dia só, mas estes contos me devoraram e no dia seguinte à leitura eu já levei meu exemplar ao trabalho para emprestá-lo às minhas colegas (“Vocês tem que ler isso!”). Maternidade real, sentimentos femininos à flor da pele, linhas e mais linhas sublinhadas e um livro que está passando por muitas mãos. Ainda que eu também tenha lido “Dias de Abandono”, da Elena Ferrante, que segue uma temática similar e que também é ótimo, o da Madalosso despertou em mim sensações ainda mais intensas.

3 – A leitura que me abriu novas portas:

O Voyeur – Gay Talese (Ed. Cia. das Letras)

Este foi meu primeiro contato com o trabalho do Talese e, juntamente com o da Svetlana Aleksiévitch, posso então declarar que estou definitivamente apaixonada pelo gênero do jornalismo literário. O Voyeur é um ensaio que aguça nossa curiosidade menos declarada e que, independentemente de todas as polêmicas que o rondam (e das infelizes declarações recentes do autor), é interessantíssimo. Mal terminei de lê-lo e já passei para A Mulher do Próximo, ainda melhor.

4 – A leitura que mais encheu meus olhos de beleza:

O Sucesso – Adriana Lisboa (Ed. Alfaguara)

Esse ano provou que eu, que sempre tendo a preferir romances, preciso dar mais chances aos livros de narrativas curtas. Este lançamento da Lisboa é tão delicado, tão doce, tão bonito…confesso: abracei o livro no final. “Feelings” está entre os contos mais memoráveis que já li.

5 – A leitura que enrolei para terminar, de tão boa que foi:

Amanhã, na batalha, pensa em mim – Javier Marías (Ed. Alfaguara)

Javier Marías, esse bruxo das palavras! Como pode dominar a técnica da escrita tão bem? Venho lendo um livro dele por ano e a admiração é ininterrupta e, melhor, crescente. Economizei o número de páginas lidas por dia porque queria ter sua companhia pelo período mais largo possível – como deve ser com todos os ótimos romances.

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6 – A leitura cujo final foi o mais surpreendente:

A Vista Particular – Ricardo Lísias (Ed. Alfaguara)

Confesso: à primeira vista, ao vê-lo exposto na livraria, não me encantei com o novo romance do Lísias. Mas por ele não ser autoficção, marca que acompanhou o autor em seus últimos lançamentos, acabou por me despertar a curiosidade num dia calmo e que pedia uma leitura mais fluida. Resultado? A primeira impressão nunca é a que fica e eu desfrutei muito de sua companhia. O desfecho da história me desconcertou pela acidez tão necessária, pela dureza e crueldade tão manifestas. Ao contrário do que alguns opinam, eu acho que tivemos belíssimos lançamentos na literatura brasileira contemporânea neste ano, sendo o do Lísias um deles.

7 – A leitura mais desafiadora:

Final do Jogo – Julio Cortázar (Ed. Civilização Brasileira) 

A proposta por si só do livro já é curiosa: contos que, em ordem crescente de dificuldade interpretativa, vão exigindo cada vez mais do leitor. Li os textos muitas e muitas vezes, pedi opiniões de diferentes pessoas, mergulhei no mundo cortaziano de cabeça. Todos eles, de certa forma, ainda me intrigam. Quero lê-lo novamente daqui a alguns anos e perceber que nesta primeira leitura eu ainda não havia compreendido nada, e assim sucessivamente até o fim da vida.

8 – A leitura nacional cinco estrelas:

Leite Derramado – Chico Buarque (Ed. Cia. das Letras)

Eu já me tornei aquela pessoa suspeita para falar de Chico Buarque enquanto escritor. Não por minhas opiniões adentrarem no campo das tendenciosas, mas porque eu realmente fico embasbacada com a força de seus livros. Budapeste segue em primeiro no páreo, mas a construção de Leite Derramado ostenta uma genialidade em ainda maior escala, por espelhar largos séculos da história do Brasil na vida do protagonista. É coisa, como disse, de gênio.

9 – A leitura latino-americana cinco estrelas:

Noturno do Chile – Roberto Bolaño (Ed. Cia das Letras)

Se eu sou suspeita para falar de Chico Buarque, imaginem de Bolaño…! Foi por conta deste Espanador (mil vezes obrigada!) que li, em 2013, meu primeiro livro dele – e desde então nunca mais parei. Neste Noturno do Chile, Bolaño demonstra que sabe dominar o monólogo tão bem quanto a pluralidade de personagens (como havia feito em Detetives Selvagens). Que venha 2017 e a leitura do tão esperado 2666!

10 – A leitura mais incrível do ano:

O Arco e a Lira – Octavio Paz (Ed. Cosac Naify)

Não tem nem como disputar, não é? Paz nos entregou um dos livros mais poéticos e verdadeiramente bem escritos da história da humanidade – e me perdoem se esta frase parecer exagerada. É que não há outra forma de expressar a minha gratidão por ele ter caído em minhas mãos! Virou livro de cabeceira, ponto final.

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