[Mania de listas] O top 3 da Eloah

Por: Eloah Pina

Desde que eu estou no mestrado minhas leituras não-obrigatórias ficam sempre fora do universo russo, já que a maior parte do tempo eu fico imersa nesse universo (diga-se de passagem, magnânimo, com vários lançamentos incríveis esse ano – Svetlana Aleksievitch, Chalámov, etc). A meta era ler pelo menos um livro por mês, angariando tempo entre os ônibus, pausas, almoços solitários etc. Porém eu fracassei um pouco e chegamos ao fim do ano com 7 – fora os livros lidos para o mestrado, os do trabalho, os dos freelas… Os melhores, no entanto, foram 3:

moscasO senhor das Moscas – William Golding (Ed. Alfaguara)

Conheci William Golding em 2016 e ele logo entrou para uma lista pessoal de autores para ler a obra completa. O senhor das moscas, de 1954, é o primeiro romance da chamada “trilogia do mar”. Nele, Golding narra a história de meninos perdidos em uma ilha, a qual aos poucos, com sua natureza tropical e exuberante, transforma a inocência dos garotos em selvageria. Talvez o livro seja uma metáfora da sociedade, do homem, do mal, uma alegoria do apocalipse… Seja o que for, a cada novo capítulo e episódio o suspense aumenta, os personagens cativam e eu julgo realmente impossível não gostar. O segundo livro da trilogia – a ser lançado em breve, Ritos de passagem – desperta igualmente uma compaixão, asco, terror e riso diante da miséria humana.

O tradutor cleptomaníaco – Dezsö Kosztolányi (Ed. 34)tradutor

Sabe livro surpresa boa? Então. Ganhei esse de presente de um amigo e não tive como não ler rapidinho pra dividir com ele minhas impressões. Eu já sabia que ia gostar porque, apesar de não ser russo, e sim húngaro, coleção leste é só amor né? O livro reúne várias histórias desse personagem engraçadíssimo – Kornél Esti -, um tradutor/ escritor que vive por aí atrás de dinheiro com suas histórias. A primeira delas, que dá nome ao livro, é de um escritor iniciante, porém promissor, mas que de tão cleptomaníaco rouba joias, dinheiro e até personagens da obra que está traduzindo. Em outro, há um presidente de conferências que dorme durante todas elas, e por isso é tido como o melhor presidente de conferências de Budapeste. É um livro de humor sagaz, que confunde por ser super lógico e que tem personagens tão inverossímeis que se tornam reais. Leiam, sério!

fanaticoComo curar um fanático – Amós Oz (Ed. Cia das Letras)

Depois do Tolstói, o Amós Oz é meu escritor preferido. Por causa dele algum dia eu ainda acabo vendendo verdura em um mercado em Tel Aviv. A ficção dele é encantadora, principalmente por causa das personagens femininas. Que força elas têm!

Mas enfim, Como curar um fanático não é ficção. É uma coletânea de ensaios sobre o conflito Israel-Palestina, sobre o qual Oz apresenta sempre um posicionamento pacifista. Talvez o que seja recorrente e mais incrível na coletânea é a ideia de que a resolução do conflito deveria ser como um divórcio em que o casal permanece dividindo o apartamento. Ou outra: de que só o humor pode curar o fanatismo. É um livro leve, curto, sensível e no final ainda tem uma entrevista inteligentíssima com o autor.

Eloah Pina é pós-graduanda do Programa de Cultura e Literatura Russa da FFLCH-USP e assistente editorial na Sesi-SP Editora. Entre livros do mestrado, traduções, edições e mais oito horas diárias de livros do trabalho, sonha em ser um gato, passar o dia comendo bisnaguinha com requeijão sem engordar e se aposentar antes dos trinta anos.

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