[Mania de listas] As melhores leituras do Thiago

Por: Thiago Candido

A gente não escolhe a família em que nasce, não dispõe de poder de negar a parentela e renegar os antepassados, as matrizes de nosso DNA. Na eleição dos artistas, filósofos e escritores que mais admiramos, entretanto, somos livres para explicitar nosso pertencimento a uma família intelectual, a uma família de tipo especial”.
Leandro Konder

Este complicado 2016 foi um ano de uma brava ressaca literária, então a média de livros lidos despencou. Com poucos livros lidos, fica mais difícil montar a lista de leituras. Ainda mais uma de leituras mais importantes para mim, algo tão mais importante do que a lista de ‘melhores livros’ lidos.

Bem, vamos lá. É uma lista sem hierarquização.

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Memórias de um intelectual Comunista – Leandro Konder (Ed. Civilização Brasileira) 

Não que seja um grande livro, com uma narrativa saborosa contando a vida deste grande intelectual brasileiro. O livro é subdivido em dezenas de capítulos, rememorando diversos momentos da vida do autor, com grande foco para seus livros. E é por conta destes livros que este livro em específico está na lista. Leandro Konder é um dos autores mais importantes do início da minha vida de leitor. Seus livros – sempre com textos simples e diretos, mas sem perder o rigor que os assuntos abordados pediam – foram a porta de entrada para várias ideias do marxismo tão importantes para minha formação.

Histórias naturais – Marcílio França Castro (Ed. Cia das Letras) 

É mais um livro sobre a escrita e sobre escritores que pululam no mercado nacional nos últimos anos? É, mas um dos melhores. Livro de contos primoroso. O conto sobre o dublê de mãos dos grandes escritores é uma obra-prima do século XXI.

A casa de papel – Carlos Maria Dominguez (Ed. Realejo Livros) 

Livro sobre livros, como resistir? Essa pequena novela que começa com um mistério (quem enviou o livro com a dedicatória?) que se transforma numa deliciosa história sobre a relação que doentes como nós mantemos com seus livros.

Alguém como centopeias gigantes? – V. Vale (organização Fábio Massari) (Edições ideal) 

Como órfão da Conrad e de seus maravilhosos livros sobre cultura pop, música em especial (saudades eternas coleção iê iê iê), fiquei extremamente feliz quando a Edições Ideal publicou uma coletânea com materiais diversos do grande Reverendo Fábio Massari, o Mondo Massari. E mais contente ainda fiquei quando vi que este livro derivou numa coleção. Alguém como centopeias gigantes reúne diversas entrevistas de V. Vale (grande jornalista americano especializado em cobrir a cena alternativa) com icônicos nomes da contracultura. Patti Smith, J.G. Ballard, Devo, Jello Biafra entre muitos outros. Material espetacular, deveria ter circulado mais desde o lançamento.

Sete Breves lições de física – Carlo Rovelli (Ed. Cia das Letras) 

O (meu) livro de ciência do ano. Curtinho, mas extremamente claro e denso, tratando do mais básico ao mais avançando na física. Um baita livro de divulgação científica.

thi2A busca pela imortalidade – John Gray (Ed. Record) 

É um clichê de filme de Woody Allen, mas livros sobre a morte me atraem como moscas são atraídas pelo mel. Este livro de Gray mostra como a humanidade, depois de Darwin ter nos colocado no balaio comum de qualquer animal, substituiu a religião pela ciência como forma de (tentar) nos manter eternos. Dos bolcheviques que queriam criar a ciência da imortalidade para ressuscitar Lênin ao espiritismo, o livro passeia por diversas histórias sobre esta falha tentativa.

A Rotativa Parou! Os Últimos Dias da Última Hora de Samuel Wainer – Benício Medeiros (Ed. Civilização Brasileira) 

De vez em quando entro numas piras temáticas. Do nada me pego lendo tudo que encontro sobre determinado assunto. No começo deste ano foi a história do Última Hora, o mitológico jornal de Samuel Wainer, o único grande jornal que resistiu (e pagou caro por isso) ao golpe de 1964. Li diversos livros, incluído a autobiografia de Wainer, nesta febre. Coloquei na lista o melhor dos livros que li.

O Conto zero e outras histórias – Sérgio Sant’Anna (Ed. Cia das Letras) 

Um dos poucos livros lançados no ano que li. E como é maravilhoso ter um Sérgio Sant’Anna novo! Nestes contos, Sant’Anna revisita seu passado, ficcionalizando diversos momentos de sua vida, dialogando nestes contos com personagens e contos de sua vasta obra literária. O livro do ano.

O Fim da história – Lydia Davis (Ed. José Olympio) 

Lydia Davis é uma escritora praticamente inédita entre nós. Seu Tipos de Perturbação, que saiu pela Cia das Letras, até gerou certo burburinho, mas este O Fim da História passou quase batido nos lançamentos do ano. Livro originalmente publicado em 1995, esmiúça nos mínimos detalhes a relação amorosa da personagem principal com um jovem 12 anos mais novo. Acompanhamos o desenrolar desse romance na trivialidade do dia a dia. O que poderia ser uma narrativa banal, nas mãos de Davis se transforma em uma narrativa com força estética tremenda.

Foe – J. M. Coetzee (Ed. Cia das Letras) 

Este pequeno livro do autor de Desonra era daqueles que nunca se esperava sair no país. Foi uma grata surpresa encontra-lo nas livrarias neste ano.  Romance epistolar que reconta, sob os olhos de uma mulher que naufraga na ilha em que vivia o mais famoso naufrago da literatura, a história de Robson Crusoé. Leitura de uma tarde, as 150 páginas ficam com você por semanas. 

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