[Mania de listas] As melhores leituras da Paula

Por: Paula Queiroz

Abri o Word. Com uma taça de vinho e uma mente não muito confiável, fiz essa lista de melhores palavras em conjunto (vulgo livros) lidas em 2016. Li, até 17 de dezembro do corrente ano, 64 conjuntos de palavras. Eis a lista das que mais me agradaram:

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10º Uma Duas – Eliane Brum (Ed. Leya)

Uma Duas foi um dos primeiros que li em 2016. E a narrativa de Brum ainda ecoa como um rasgo na minha mente. Aborda o relacionamento complexo entre mãe e filha, escolhas e existência. A forma como Brum conduz os sentimentos das personagens é dilacerante.  

A Invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares (Ed. Globo)

A cada página que eu lia, mais eu queria escrever como o Bioy. Sentimento de admiração e inveja, devo admitir. O enigma que cerca a história, a ambientação narrada por Bioy, os recursos narrativos…são tantos elementos bons que é difícil MESMO selecionar um só. 

Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus (Ed. Ática) 

Quarto de despejo me deixou desconfortável, enraivecida, indignada, triste e todos os adjetivos possíveis de indignação/tristeza. Ao escrever um diário/ficção, Carolina desvela as reais vítimas do sistema capitalista. Ou como a desigualdade é o elemento mais cruel para retirar todos os sonhos de alguém. Inquietante. Li pra faculdade e também pro Leia Mulheres.

7º  Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch (Ed. Cia das Letras)

Angustiante. Aterrorizante. Narrativa incrível. Vozes… é de aderir à mente e ao corpo que fiquei com uma sensação física de aflição em inúmeros parágrafos narrados por Svetlana. A condução da narrativa através dos relatos dos moradores da região de Tchernóbil é genial, as histórias contadas são terríveis. Aleksiévitch soube me levar para uma realidade diversa da minha, porém as características tanto vis quanto sensíveis do ser humano são universais.Li pro clube mais lindo do Braaasil, o Leia Mulheres

Poesia Russa Moderna – Boris Schnaiderman, Augusto de Campos e Haroldo de Campos (tradução e organização) (Ed. Perspectiva)

Sou suspeita para falar sobre qualquer coisa vinda da antiga U.R.S.S. (risos). Ainda mais essa antologia incrível organizada por Augusto de Campos, Haroldo de Campos e do nosso queridinho Borisito (sou íntima. E que Dostoiévski o tenha recebido no céu ): ). Conheci inúmeros poetas advindos da terra gelada-quente-complexa russa. Deixo aqui o trechinho de um dos poemas que mais me tiraram do meu mundinho tosco e vazio (risos) :

“Tudo passa – fica de lado,

Aceita o teu quinhão, calado.

Pra que dançar? Esquece a dança

E trabalha no teu trabalho,

Talha a mortalha e vai pra lá,

Pra lá, onde não há desgraça.”

(“Sextina” de Lev Kropívnitzki, 1948)

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Rostos na Multidão – Valeria Luiselli (Ed. Alfaguara)

Esse eu li pro clube Leia Mulheres também, sem expectativas. Porém, a narrativa de Luiselli me agarrou e não soltou jamé. Além de ter uma escrita intrigante, as referências a inúmeros clássicos da literatura mundial servem para brilhar nossos olhinhos literários. E ah, Luiselli estava na Flip e eu fiquei ainda mais admirada pelo seu trabalho (e é uma fofura de pessoa, socorro).

Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade (Ed. Cia das Letras)

Olha, foi bem difícil escolher qual do Drummond eu mais gostei de ler em 2016. Li Corpo, Alguma Poesia, Fazendeiro do Ar… Mas justamente pelo título e pela proposta poética trazida por Drummond em Claro Enigma foram certeiros para eu ficar extasiada. Não é à toa que Drummond é referência nacional em poesia.

“(…) enquanto o tempo, e suas formas breves

ou longas, que sutil interpretavas,

se evapora no fundo de teu ser?”

(“Remissão”, 1951).

Pais e Filhos – Ivan Turgueniev (Ed. Cosac Naify)

Mais um russo (risos). Li para uma matéria na faculdade – e ele tava parado na minha estante já fazia algum tempo. E Turguê (sou íntima), VEM SER MEU AMIGO NA ESCOLA. (ok que é meio impossível, já que ele está morto). Pais e filhos traz inúmeras discussões acerca das diferenças entre gerações – ok, tem o contexto histórico da época também, mas tô tentando trazê-lo pra discussões menos nerds -, do que é válido ou não para se viver e de como a juventude pode ser chata pra caralho ou incrível pra caralho. Vale a pena demais a leitura.

2º Os Poemas Suspensos – Al-Muʿallaqāt, com seleção e tradução de Alberto Mussa (ed. Record)

Das incríveis características da literatura: a unidade. Esses poemas árabes escritos na época pré-islâmica (antes do século VII, d.C.) são uma evidência do quanto os temas da literatura permeiam durante anos. Como existia só a literatura oral na época, os antigos beduínos memorizavam os poemas e transmitiam ao longo dos séculos – isso mesmo, SÉCULOS – para as próximas gerações. É de emocionar, de verdade. Para os amantes da arte de escrever, é uma leitura necessária. 

1º Bom, eu tive que deixar TRÊS para o “primeiro” lugar. Foi inevitável demais. Ei-los:

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A Morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstói (Ed. 34)

Esse classicão russo foi uma releitura que fiz para a faculdade. E não me deixou mais dúvidas do quanto literatura russa é de dilacerar a alma. A morte de Ivan Ilitch sempre me faz repensar sobre as minhas escolhas, decisões e ações. A cada releitura, são mais e mais turbilhões de pensamentos atravessados que transformam, de alguma forma, a minha personalidade. Tolstói, vem tomar lanche comigo e com o Turguê. 

Memórias do Subsolo – Fiódor Dostoiévski (Ed. 34)

Só de escrever o nome do Dostô dá uma tremedeira nos dedos. Definitivamente, um dos maiores escritores que já existiu nesse planeta bizarro em que vivemos. Foi também uma releitura pra faculdade e MEU SANTO HOMERO DAS MUSAS IMPOSSÍVEIS, QUE LIVRO BOM. Dostoiésvki permeia na mente do “homem do subsolo”, com inúmeras contradições, contrastes que são intrínsecos da alma. Eu não tenho cacife pra falar sobre Dostô, mas com certeza quero ele nos rolês com o Turguê e Tolstói. Dostô, miguxo das almas atormentadas. 

Imagens – Ingmar Bergman (Ed. Martins Fontes)

E claro, Bergman. Esse homem. Esse diretor. Mano. Do. Céu. Em Imagens, Bergman comenta sobre a maioria dos filmes que dirigiu, tendo inclusas várias partes dos roteiros e, obviamente, de imagens dos filmes, dos bastidores e do próprio Bergman. Pra quem é fã do trabalho desse gênio cinematográfico, Imagens é leitura essencial. Eu simplesmente não conseguia parar de ler, emocionada com cada parágrafo. Há curiosidades sobre as escolhas de direção, de texto e de fotografia que Bergman executou ao longo desses anos de trabalho. É lindo. Outro miguxo pros rolês. <3 

Enfim, é isso. Que 2017 venha com mais leituras e mais compartilhamento de ideias (pq né, o mundo tá precisando). Beijitos eslavos e até mais 🙂

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