[Mania de listas] Uma quase lista de (quase) melhores leituras

Tive um ano complicado para as leituras. Entrar numa nova graduação certamente não me ajudou na empreitada. A faculdade está legal, fique claro. É só o tempo que diminuiu drasticamente. Boa parte do que consegui ler foram os livros dos clubes (a saber: [Leituras Compartilhadas] e o Leia Mulheres). E isso não foi ruim, não estou reclamando. Este ano foi ótimo para os dois clubes, com ótimas escolhas. Mas ao mesmo tempo, os clubes me trouxeram a lista da minha vergonha. 

Tive que participar de alguns clubes sem terminar o livro. Não me orgulho disso. Mas foi o que deu pra fazer. E ainda assim, acho que foi tudo bem. Porque eu não estou sozinha em nenhum deles. E os amigos se ajudam e tudo é lindo. Então, fica aqui meu agradecimento aos outros mediadores (Kalebe, Menezes, Mih e Juju).

De qualquer forma, acho que o honesto neste fechamento de ano é começar pela minha quase lista. Pelos melhores livros que tive de largar no percurso. Pelos que me assombram quando olho a mesa de cabeceira. Porque a esperança é de nas férias conseguir retomar todos (OREMOS).

Melhores livros que li pela metade (sem ordem específica):

vozes-de-tchernobilVozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch (Ed. Cia das Letras)

É muito impressionante como Svetlana consegue costurar cada uma das história, dando importância e voz a cada um dos depoimentos. Fica clara a dedicação e o esmero na pesquisa e nas entrevistas e o tempo todo que ela demora pra escrever o livro. Svetlana é uma pessoa maravilhosa.

Butcher’s Crossing – John Willians (Ed. Rádio Londres)butcher

Até a parte q li, considerava este livro um espelho invertido de Stoner. E estava encantada com essa mudança de cenário e de objetivo. A narrativa talvez seja mais lenta que o outro livro, mas reflete muito o que ele conta, o tempo que retrata, a cidade pequena em que se passa a primeira parte. 

Quarto de despejo – Carolina de Jesus (Ed. Ática)

Este livro devia ser dado a toda pessoa que nasce. Este livro deveria ser lido em todas as escolas. Todos deveriam conhecer o seu conteúdo, as palavras tristes e doídas da Carolina. Esse livro deveria ter melhor distribuição (oi, Ática!). O empréstimo na biblioteca não poderia ter vencido 🙁

Extremamente alto & incrivelmente perto – Jonathan Safran Foer (Ed. Rocco)extremamente

Esse é, ou seria, uma releitura. É um livro que amo muito, mas tinha lido há alguns anos e me surpreendi com os detalhes da narrativa. Eu me lembrava relativamente bem do enredo, mas não lembrava o quanto Foer usava de recursos narrativos para contar essa história. Oskar segue sendo uma criança maravilhosa e um dos melhores narradores.

Melhores leituras de fato:

harryHarry Potter e a criança amaldiçoada – J.K.Rowling, Jack Thorne e John Tiffany (Ed. Rocco)

Amei poder revisitar personagens queridos. Não me importei com o fato de ser uma peça, e por isso as coisas serem meio apressadas. Mas não acharia nada ruim se dona J. K. resolvesse pegar essa história e transformar em mais livrinhos… Embarquei na história, apesar das críticas aos deus ex-machina que surgem aqui e lá. Na verdade, só fui pensar neles muito depois, conversando com amigos. E tá tudo bem, sério… Fiquei empolgadíssima com a ideia da J.K. expandir o universo e publicar mais histórias. Quem sabe…

O quinze – Rachel de Queiroz (Ed. Record)quinze

Ora seco e econômico, ora mais lírico. O quinze faz um panorama da seca e como ela atinge grupos diversos de uma pequena cidade. Do fazendeiro que tanta salvar o gado a qualquer custo ao retirante que vagueia com sua família e todas as dificuldades que eles encontram no caminho. As histórias são tocantes e impressionam pela atualidade em muitos aspectos. O mais impressionante nisso tudo é que este é o primeiro romance da Rachel de Queiroz. E já tem essa força toda. Me deu mais vontade ainda de ler outras coisas dela.

boasAs boas mulheres da China – Xinran (Ed. Cia das Letras)

Demorei demais pra ler Xinran. Tinha esse livro desde a primeira graduação (faz bastante tempo… Risos nervosos) e por conta do Leia Mulheres finalmente peguei pra ler. São narrativas doídas, que se passam numa longínqua China, mas que poderia acontecer em qualquer esquina ainda hoje. Triste ver que muitas vezes o que nos une são justamente essas histórias de violência. E talvez seja por isso que o livro seja tão necessário. 

Rostos na multidão – Valeria Luiselli (Ed. Alfaguara)Capa Rostos na multidao.indd

Sabe aquele livro que você gosta da leitura, mas que depois de uma discussão sobre ele, ele cresce absurdamente? Este é um caso. São muitas camadas de leitura (sem ser pedante, por favor), com referências e reviravoltas. Ainda assim, uma leitura sem prestar atenção a esses detalhes e pistas não prejudica a narrativa, que ganha ares ainda mais sobrenaturais em determinados momentos. Esta é a grande graça do livro, que  pode ganhar outras narrativas conforme você vai se debruçando nele. (E a brincadeira começa já na capa do livro)

ceuO Céu de Lima – Juan Gómez Bárcena (Ed. Alfaguara)

A partir de uma história real, que de tão inusitada parece ficção, Juan Gómez Bárcena faz ficção de fato. Uma narrativa divertidamente irônica, de leitura rápida. Adorei a forma de narrar, a caracterização dos personagens e de Lima do começo do século passado. Tudo é muito vivo neste livro. Até mesmo Georgina, a mulher inventada para conversar com o poeta Juan Ramón Jímenez.

História do novo sobrenome – Elena Ferrante (Ed. Globo)historia-do-novo-sobrenome

O segundo livro da tetralogia napolitana segue nos prendendo e nos fazendo prender a respiração. A espera pelo segundo livro foi longa, mas as suas primeiras páginas já mostram que valeu a espera. Finalmente sabemos o que acontece depois da AGONIANTE última cena de Amiga genial. O livro dá uma barrigada no meio, se alongando em coisas que talvez não fossem necessárias. Mas daí vem o final e novamente acaba com você. E mais meses de agonia pro terceiro chegar… (estou lendo o terceiro neste momento e facilmente ele estaria na frente desse. Gosto muito de História do novo sobrenome, mas não é o meu preferido da série, que li 2,5 livros até agora)

lucyMeu nome é Lucy Barton – Elizabeth Strout (Ed. Cia das Letras)

Certamente foi a maior surpresa do meu ano. Conseguiu bater Ferrante, que é o meu atual “amor verdadeiro, amor eterno” da literatura. Um pequeno romance, que tem uma força absurda. Fiquei impactada com a forma crua de narrar certas passagens. É sobre famílias, sobre perdoar, sobre reencontrar o passado e principalmente sobre a incomunicabilidade, aquilo que não se diz.

 

Um comentário em “[Mania de listas] Uma quase lista de (quase) melhores leituras

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