[uma rima obsessiva] Bonfires burning bright, pumpkin faces in the night

Por: Michelle Henriques

Outra obsessão da vida de Michelle Bruna (sim, mais uma): terror. Esse é dos meus amores mais antigos. Cresci vendo aqueles clássicos dos anos 70/80, Stephen King foi um dos meus primeiros autores preferidos. Li Jay Anson e Frank de Fellita com uns 12 anos e vi O Exorcista antes mesmo de saber ler legendas. Enfim, o terror sempre esteve presente na minha vida, por isso eu estava mais do que ansiosa para fazer uma maratona de livros e filmes de terror durante o mês de outubro, em comemoração ao Halloween.

Selecionei vários livros, fui ousada e, claro, falhei. O mês foi muito corrido, tive muitos compromissos, a vida estava complicada e eu não dei conta de ler tudo que eu tinha escolhido. Mas finalizei três livros e dei continuidade a um deles.

noite

Comecei com A Noite das Bruxas da Agatha Christie. Ela sempre foi uma comfort author (existe o termo?) para mim. Pegar um livro dela era como estar de férias e esquecer de todos os problemas. Sempre me encantou muito a escrita dela e foi a autora que mais devorei quando era jovem. Escolhi esse pela temática e foi muito bom retornar o mundo dela. Tive alguns problemas com a edição tosca que li no kindle (amo e-books, mas eles precisam ser ajeitadinhos, né?) e não desfrutei tanto quanto gostaria da leitura, mas valeu a pena. Sempre ótimo chegar ao fim do livro com aquela cara de “Não creio que era essa pessoa”.

guerra

Depois eu li A Guerra dos Mundos, numa edição linda da Suma de Letras. Eu já conhecia a escrita de H.G. Wells por conta do livro A Ilha do Dr. Moreau, que já foi adaptado inúmeras vezes para o cinema. Demorei um pouco para engatar a leitura, mas curti o enredo. Livros sobre invasão alienígena são sempre divertidos (risos nervosos aqui, pois tenho pavor de ETs). Depois de tanta ficção científica, fica meio complicado se deixar levar por um livro publicado em 1898, mas tem todos os méritos do mundo. E ah, vocês sabem daquele episódio lindo em que o Orson Welles leu trechos do livro numa rádio e as pessoas acharam que o ataque realmente estava acontecendo? Melhor pessoa.

menina

Levei minha obsessão mais uma vez para o Leia Mulheres. Ano passado lemos Frankenstein de Mary Shelley em outubro. Dessa vez, em parceria com a Darkside, escolhemos A Menina Submersa. Eu não tinha a mais parca ideia do que se tratava o livro e foi uma senhora surpresa positiva. A autora Caitlin Kiernan nos traz Imp, uma moça esquizofrênica que está nos contando seus medos, seu passado, suas fantasias e seus fantasmas. É uma narradora nada confiável e o livro é um enorme fluxo de consciência permeado por ser míticos e diversas referências. Que livro apaixonante, apesar de não ser terror no sentido clássico da palavra.

Capa Danca macabra.indd

Em duas newsletters do Espanador eu disse que estava lendo Dança Macabra do Stephen King. Pois bem, eu estou lendo esse livro desde dezembro de 2015 e ele não anda. E não é um livro ruim, muito pelo contrário. Nele, King disseca livros e filmes de terror, cultura pop, e é quase um guia de boas referências. Eu não faço ideia do porquê de estar me demorando tanto nele. Achei que o problema era comigo, mas peguei outro livro e a leitura está fluindo muito bem. Enfim, estamos em novembro e ainda sigo lendo Dança Macabra e espero do fundo do meu coração terminar antes de dezembro.

Neste ano me dei conta de que quase não estou lendo terror, talvez meu gênero preferido, e pretendo corrigir esse erro, mas sem promessas. Não sei mantê-las, me atrapalho, a vida adulta me atrapalha e assim por diante. Mas estou com um bom estoque de leituras aqui para colocar em dia aos poucos.

PS1: A Michelle Gimenes fez um especial “Mês do Arrepio” em seu blog, Resumo da Ópera. 

PS2: A Carol da Alpaca Press viu 31 filmes de terror dirigidos por mulheres durante o mês de outubro. Ela contou um pouco da experiência aqui.

PS3: Eu falo de filmes de terror e feminismo, ou pelo menos tento, em meu blog Feminist Horror


Música do título do post:“Halloween” do Misfits

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