[Holofote] A última entrevista de Monteiro Lobato

A ideia desse novo espaço no blog é buscar curiosidades sobre autores. Periodicamente vamos postar entrevistas, áudios e vídeos.

O primeiro post, além de ser um documento importante, é muito curioso e engraçado.


No dia 2 de julho de de 1948, o então recluso escritor Monteiro Lobato deu uma entrevista ao radialista Murilo Antunes Alves, da Rádio Record. No áudio, o autor fala de política, do petróleo, sobre a bomba atômica e até de pamonha (!). Dois dias depois da entrevista, ele morre em decorrência de um acidente vascular.

Monteiro Lobato, com 66 anos na época, parece não estar familiarizado com o equipamento, se mostrando o tempo todo desconfiado e desconfortável com os microfones. Outra curiosidade desta entrevista é que ela foi uma das primeiras a usar um novo equipamento: o gravador. Antes toda a programação de rádio era ao vivo e o registro era bem complicado. O autor não conhecia a tecnologia e a questiona muitas vezes durante o áudio: “Bom, eu estou falando e  dizem eles que o aparelho está gravando e depois vai repetir ao público as minhas bobagens. Eles acham que (risos) as minhas bobagens podem interessar, porque eu duvido… Eu quero ver para crer…”  

“(…) já estou com a língua seca, eu toda vida fui perseguido por esse mal, por isso é que eu nunca fiz discurso nem conferências porque vem um tal de língua seca que me deixa as palavras enroladas. Eu já estou ficando com a língua seca e por esse motivo eu sou obrigado a largar do rádio na mão do Murilo (…)”

Sobre literatura

O áudio dura poco mais de 20 minutos e é claro que Monteiro Lobato fala sobre sua obra. Mas de uma forma curiosa, a princípio, quando o locutor pergunta sobre como e quando ele criou as personagens: 

Murilo Antunes Alves: O senhor Monteiro Lobato poderia dizer alguma coisa sobre as suas personagens, embora já esta pergunta muita gente já havia formulado. Estas suas personagens infantis, principalmente surgiram como?

Monteiro Lobato: Essa pergunta é muito difícil de ser respondida porque não me lembro mais como é que surgiu. Faz tanto tempo.. Eu me lembro de ter uma Emília, que é muito engraçadinha. Eu não me lembro como é que ela surgiu. Tudo isso são águas passadas… De maneira que eu queria que o radio, radiologista, radiólogo, rádio-não-sei-o-que, fizesse uma pergunta menos pessoal menos próxima. Isto tá muito esquisito… 

O final da entrevista é mais focada sobre a obra do autor e sua visão sobre o mercado editorial.

PS- A transcrição do áudio foi adaptado (tirando hesitações e correções).

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