[Outras mídias] Frankenstein

Por: Michelle Henriques

Quando se fala em Frankenstein, a primeira imagem que nos vem à mente é a daquele homem verde, enorme e com parafusos na cabeça, não é? Esse personagem faz parte da cultura pop mundial, mas na realidade ele é bem diferente da sua versão original. Frankenstein foi um livro escrito por Mary Shelley e publicado em 1818. Essa obra é considerada por muitos como inaugural da ficção científica. E vejam só, escrito por uma mulher.

Mary Shelley escreveu Frankenstein durante uma noite chuvosa, acompanhada de seu marido, Percy Shelley, de Lord Byron, Claire Clairmont e Polidori. Eles haviam feito uma aposta, todos deveriam escrever algum texto de terror, e Mary Shelley fez o esboço daquela que seria uma das maiores histórias do terror mundial.

O livro é dividido em volumes e começa a ser narrado através de cartas do Capitão R. Walton à sua irmã, contando um estranho caso. Em certa noite, de seu navio, ele e sua tripulação avistaram um homem de proporções absurdas em um trenó, sendo puxado por diversos cães. Naquela manhã, eles avistaram outro trenó, desta vez com um homem debilitado que eles resgatam e que começa a contar sua história.


Os próximos capítulos são a narração deste homem, Victor Frankenstein, cientista que desde jovem se interessava por alquimia e com o passar dos anos passou a realizar diversos experimentos. Um deles seria a criação do “Monstro”, que em momento algum é chamado de Frankenstein, apenas como Criatura ou Criação. Victor Frankenstein passa a repudir sua Criação, que foge.

No volume seguinte, temos a visão da Criatura, que aprende a falar e a socializar através da observação de uma família. Esta Criatura foi criada a partir da junção de diversas partes de diferentes cadáveres, seu aspecto é grotesco, mas é extremamente inteligente e sensível perante os sentimentos humanos. Desta forma, ele passa a procurar vingança contra seu criador, que o abandonou em um mundo cheio de crueldade e repulsa por sua imagem.

A Criatura, no início de sua vingança, exige que Frankenstein crie uma companheira para ele. O cientista se recusa, assassinatos acontecem e assim retomamos ao começo da narração, Criador perseguindo sua Criação. O clima do livro é sempre denso, acompanhamos as angústias de Frankenstein arrependido de sua criação, bem como o espírito de vingança que se apodera da Criatura.

A primeira adaptação cinematográfica a fazer sucesso foi a da Universal, de 1931, com Boris Karloff no papel do Monstro. A Criatura deste filme em nada se assemelha com a descrita no livro. O maquiador Jack P. Pierce que teve a ideia da cabeça quadrada, dos parafusos no pescoço e olhos caídos. Toda representação da Criatura no imaginário popular é da autoria de Pierce.

Após o sucesso do filme Frankenstein, foi feita uma continuação quatro anos depois, chamada A Noiva de Frankenstein. Este filme começa com a clássica cena dos Shelley reunidos com Byron na noite chuvosa, mas aqui ela já criou a história e conta aos dois homens os acontecimentos posteriores ao do primeiro filme. A Criatura não morreu, saiu dos escombros do moinho e fugiu novamente. Dessa vez temos a presença de um cientista ainda mais maluco que Frankenstein (aqui chamado de Henry), cuja criação são pessoas em miniatura (?).

Na obra de Mary Shelley não há uma noiva, e neste filme também não vemos muito dela. Ela aparece nos minutos finais e logo é destruída (e não há uma fala sequer dela, apenas gritos). Na adaptação de 1994 (com Robert de Niro), Frankenstein de Mary Shelley, a situação é mais explorada, mas aqui serve apenas como fruto de chantagem do tal cientista maluco.

Acompanhando o sucesso dos dois primeiros filmes, em 1936 foi lançado O Filho de Frankenstein, que ainda não tive oportunidade de ver. Mas levando em consideração o segundo, pode-se esperar algo bem distante da obra original.

Dos filmes mais famosos, o de 1994, que traz Robert de Niro como a Criatura, talvez seja o mais fiel ao livro. Sua personalidade também se assemelha à descrita no livro, mas creio que no recente seriado Penny Dreadful temos maiores similaridades. A Criatura é solitária, ficou amarga por conta de todas as dificuldades que passou em sua breve vida, e isso a transformou em uma “pessoa” extremamente violenta e vingativa. Tanto que nesta adaptação ele que exige a companhia de uma mulher como ele.

Segundo o IMDB, há mais de 30 versões da obra de Mary Shelley, entre elas as três mais antigas (de 1910, de 1915 e de 1921), duas do polêmico Jess Franco (Drácula contra Frankenstein e A maldição de Frankenstein), até a mais recente (Victor Frankenstein), com Daniel Radcliffe, eterno Harry Potter. Em 1974 também foi lançada uma comédia baseada no livro, chamada Young Frankenstein, com Gene Wilder no papel principal.

Frankenstein é uma das obras mais importantes do terror e da ficção científica, e para todo o sempre a figura da Criatura estará no imaginário popular.

Michelle Henriques, 28 anos, louca dos gatos e dos livros. Vive em São Paulo, ama cinema, chá e dias chuvosos. É uma das organizadoras do clube de leitura Bastardas e do clube #leiamulheres.

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