[Retrospectiva “bafão” 2015] Autores que morreram

Nesse ano que passou, perdemos grandes autores.

Esse momento vai parecer aquele do Oscar, com a fotinho das pessoas aparecendo. Mas vamos lembrar de algumas pessoas que nos deixaram:

Gunter Grass


Considerado um dos maiores nomes da literatura alemã no século XX, Gunter Grass, faleceu aos 89 anos em uma clínica de Lubeck no norte da Alemanha.

Vencedor do Nobel de Literatura em 1999, Grass foi um dos representantes do teatro do absurdo, movimento que aconteceu após a 2ª Guerra Mundial. O passado recente também foi tema do autor que durante os anos 1960 e 1970 destacou o passado nazista do seu país.

Durante os anos 1950 fez parte do Grupo 47, união informal de autores e críticos alemães que tinham como objetivo revitalizar a literatura alemã do pós-guerra. Outro autor que também fez parte foi Heinrich Boll. Em 1956 lança seu romance de estréia, sua obra seminal: O Tambor.

Em 2006 choca o mundo ao lança o livro de memorias Descascando a cebola, que retrata o período de 1939 a 1959, onde ele confessa que na juventude integrou por livre vontade as Waffen SS, força de elite de Adolf Hitler. O livro levantou uma grande discussão sobre a possibilidade de separação entre autor e obra. Em 2009 lançou a segunda parte de suas memórias, A Caixa.

Mais sobre o autor aqui e aqui.


Oliver Sacks


Oliver Sacks, nasceu em Londres em 1933. Se formou em medicina em pela Universidade de Oxford e em 1960 emigrou para os EUA, para fazer residência em São Franscico na UCLA (University of California). A partir de 1965 morou em Nova York, onde trabalhava como neurologista.

Sacks lançou o primeiro livro em 1970, Enxaqueca, e sem seguida um dos seus mais famosos, o Tempo de Despertar (1973), que foi adaptado para o cinema em 1990 com Robert De Niro e Robin Williams no elenco. Ainda escreveu outros livros de sucesso, como: O homem que confundiu sua mulher com um chapéu (1985),  Um antropólogo em Marte (1995), A ilha dos daltônicos (1997), Vendo vozes: Uma viagem ao mundo dos surdos (1998), Tio Tungstênio: Memórias de uma infância química (2001), Alucinações musicais (2007) entre outros, frutos da sua experiência como médico, pesquisador e professor. [todos os livros citados fora publicados no Brasil pela Cia. das Letras]

Oliver Sacks tinha o impressionante talento de aproximar a arte e a ciência. Em seus livros, seus personagens não eram tratados de uma forma esquisita. Havia neles uma curiosidade na forma que o mundo daquelas pessoa fora construído em torno daquela doença.

Poucos meses antes de falecer, Sacks fez um texto para o New York Times em que contava do câncer raro que teve em 2005 teve metástase e seu figado e já estava quase tomado pela doença. Só que essa carta é um atestado da sabedoria e da grandiosidade de Sacks. Ali não tem um moribundo e sim um cara esclarecido com o que vai acontecer, tentando lidar da melhor forma possível.

Quem quiser ler a carta, aqui está o link de sua tradução. Abaixo, um trecho dela.

“Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; recebi muito e dei algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Tive uma relação com o mundo, a relação especial de escritores e leitores.

Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante nesse planeta maravilhoso e isso, por si só, tem sido um enorme privilégio e aventura.”

Oliver Sacks lançou ainda uma autobiografia no ano passado, e morreu com 82 anos. Mais sobre o autor aqui e aqui.

Ruth Rendell


Ruth Rendell, considerada uma das grandes damas do romance policial, morreu aos 85 anos em sua terra natal, Londres.

Nascida no dia 17 de fevereiro de 1930, filha de professores, Ruth formou-se na ensino médio e logo iniciou sua carreira de jornalista. Trabalhou como redatora e editora em diversos periódicos e num deles conhece Don Rendell, com quem se casa em 1950. Depois de ter seu filho, Ruth decide abandonar o emprego.

É neste período que começa a escrever. No entanto, o seu primeiro livro é publicado mais de dez anos depois, From Doon with Death (1964). Neste livro a autora apresenta o investigador Reginald Wexford, que tem grande sucesso e será protagonista de outros livros.

A partir da década de 1980 adota o pseudônimo de Barbara Vine para publicar uma nova série de livros com um enfoque diferente. Os livros também eram thrillers policiais, mas a grande diferença era que as narrativas eram contadas pela visão dos assassinos, com um tom muito mais sombrio e que não agradava os fãs do investigador Wexford.

Ruth teve uma série de TV, The Ruth Rendell Mysteries, baseada em sua obra, principalmente as aventuras do investigador Wexford. Em 1997 teve seu livro adaptado por Pedro Almodóvar, Carne Trêmula, que mudou sua história para a Espanha de Franco. Um dos seus livros mais famosos, A Judment in stone foi também adaptado para o cinema (no Brasil recebeu o nome de Mulheres diabólicas). Ruth tem livros traduzidos no Brasil pelas editoras Rocco e L&PM.

O Telegraph fez uma lista bem bacana de coisas para assistir e ler para conhecer a autora.

Eduardo Galeano

Nascido em Montevidéu, Uruguai em 1940. 

Autor do visceral e assustadoramente atual, As Veias Abertas da América Latina, publicado em 1971 é daqueles fundamentais e que podem mudar a nossa vida.
Tomas Tranströmer

Nasceu em Estocolmo, em 1931 e se formou em psicologia, pois mesmo com a vocação para poesia, acreditava que era preciso uma profissão que lhe garantisse o sustento.

Publicou seu primeiro livro em 1954, intitulado 17 dikter (17 poemas). Depois disso foram mais de 18 livros de poesia e uma autobiografia em prosa: As Minhas Lembranças Observam-me (título da edição portuguesa).

Em 1990 sofreu um AVC que o impediu de falar e deixou paralisado todo o lado direito do corpo.

Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2011. Desconhecido no Brasil, já foi traduzido para mais de 60 idiomas. No anúncio do Nobel, a Academia se justificou o prêmio dizendo que “A maioria das coleções de poesia de Tranströmer são marcadas pela economia, a qualidade concreta e metáforas expressivas (…) através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um acesso fresco à realidade”.

Tomas faleceu com 83 anos. Mais informações sobre o autor aqui e aqui. Três poemas traduzidos para o português.

Peter Gay


Nascido em 1923 em Berlim, Peter fugiu da Alemanha nazista em 1939 e consegue entrar nos EUA em 1941, obtendo a cidadania americana em 1946. Se formou na Universidade de Columbia.

Historiador, foi autor de mais de 25 livros, entre eles o best-seller Freud: Uma vida para o Nosso tempo. Seu livro é uma das maiores referências sobre Freud.

Peter faleceu com 91 anos.

Mais sobre o autor aqui e aqui.

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