[Mania de Listas] – Top 10/2 de 2015 – Menezes

Pessoal, esse ano tive a impressão de ser um Nick-quase-sem-cabeça dentro do blog, e essa impressão se tornou ainda mais clara quando sentei para formular a lista dos melhores do ano. Se em outras ocasiões eu explodia os limites agregando mais livros, ou sub-categorias, o que já foi dramática e injustamente classificado como trapaça, esse ano sou obrigado a cortar pela metade o top 10, vide que não há livros suficientemente relevantes para se compor um top 10. Isso ocorre pois foi meu ano de menos leitura desde a 7ª série. A boa notícia é que dificilmente eu baterei esse recorde Smiley de boca aberta
Sem mais delongas, vamos aos laureados com as primeiras posições:
5 – Vida Privada das Árvores – Alejandro Zambra (Chile)

Eu e a minha namorada criamos o projeto de ler todo o Zambra esse ano, e o Kalebe foi brother de me presentear com todos os livros do escritor chileno. Faltando somente o livro de contos para concluir a obra do escritor traduzida até o momento, posso dizer que a melhor coisa é seu projeto estético de espelhar um romance no outro, o que cria um senso de continuidade entre as histórias, e a pior coisa é seu projeto estético pois parece que li realmente o mesmo romance três vezes, ou melhor, parece que li um romance dividido em três. Dito isso, com certeza o conto-romance de Bonsai foi o mais decepcionante por ser uma proposta demasiadamente óbvia. Enquanto Formas de Voltar para a casa foi realmente um romance interessante que fala muito sutilmente e de maneira precisa sobre a ditadura no chile, ele é uma evolução deste Vida Privada das Árvores, que tem a  concisão de surpreender e ser moderno em sua linha narrativa. Formalmente o mais inovador, acabou sendo o favorito dos três, mas faço a menção honrosa com Formas de Voltar, pois fiquei bem dividido entre os dois, acabou pesando a inovação estética deste.
4 – Amiga Genial – Elena Ferrante (Itália)
Se houve um hit esse ano foi Elena Ferrante chegando ao Brasil, a autora misteriosa, criou na relação entre as protagonistas Elena Greco e Rafaella Cerulo uma história que remete as raízes italianas do pós-guerra, e com duas personagens psicologicamente interessantes que você lê querendo saber como a trama dos ano 50 pode ajudar a resolver o mistério do paradeiro de Rafaella nos dias atuais. Então há um tom de thriller, romance histórico e de formação, tudo junto mesmo tempo, e é mais admirável é que Ferrante sua prosa cheia de nuances consegue carregar a história sem dificuldade. Primeiro exemplar de uma tetralogia, não sei se ficará para sempre pois seu desfecho é um mistério ainda, mas por este início marcado principalmente exploração de como a vida pode levar pessoas para caminhos estranhos, pela crônica ao interior da Itália e duas personagens de psicologias tão complexas, é uma das grandes surpresas do ano. Apesar de se ter algumas partes demasiadamente repetidas,é um delícia de ler
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3 – Middlesex – Jeffrey Eugenides (EUA)
Creio que fora o primeiro livro que li no ano e é um épico, ora engraçado, ora trágico, como um bom exemplar de romance moderno tem difícil classificação e um tema tabu: a vida de um hermafrodita, apesar de achar um pouco forçado os pais não perceberem que sua menina na verdade é um menino até a adolescência, Eugenides cria uma trama que vai muito além dessa particularidade, o que pode afastar alguns pela falta de exploração do tema em si, mas é um exemplar magnífico do clássico Romance com R maiúsculo, passando por três gerações da família até culminar no nosso narrador em uma leve crise existencial. Várias personagens, quase um século de história e um passeio por várias localidades dos States. Ótimo mas não magnífico, fica com a medalha de bronze.
2 – Vento que Arrasa, O – Selma Almada (Argentina)
Magnífica é essa obra argentina que consegue chocar não por imagens, ou por temas, mas ela condução precisa de uma narrativa crua, aquele que se apresenta com seu começo-meio-e-fim mas não te diz exatamente para que veio, pois as possibilidades são múltiplas. Um pastor e sua filha em viagem ficam encalhados no meio do deserto, um mecânico os ajuda a consertar o carro e lhes dá hospedagem. O menino do mecânico então se torna alvo de uma disputa entre o pastor, com sua ideias de evangelização divina, e o mecânico que é um homem sem religião e vê a vida na dura realidade do deserto que os cerca. A tensão entre esse homens constituem a medula da narrativa, até seus tensos momentos finais.
1 – O encontro – Anne Enright (Irlanda)
Esse é um romance para passar mal. Seu tom. A dureza dos temas abordados e sua construção cacofônica criam uma sensação de mal estar pelo tema apresentado… as relações familiares. Há segredos, mas não são chocantes. O que mais impressiona é a construção de Enright, e apesar de ter alguns problemas de tradução – fato notório percebido por todos do clube – é uma história envolvente. Não vou mentir, esse livro é 8 ou 80, dificilmente se tem uma impressão mediana, ele leva o leitor ao limite e eu embarquei totalmente no drama da família Hegarty, a protagonista tem tantas falhas como a disfuncional família que a cerca, sua história é simples, mas o que te arrebata é a prosa, uma lírica do ódio toda quebrada que só se resolve no final, que é interpretativo. Não é um livro fácil, mas facilmente foi aquele que mais me marcou esse ano.
No mais deixo as todas as medalhas de ouro desde sempre:

2010: Verão – J. M. Coetzee (África do Sul)
2011: Dublinesca – Enrique Vila-Matas (Espanha)/ 2666 – Roberto Bolaño (Chile)
2012: Torreão, O – Jennifer Egan (EUA)
2013: Som e a Fúria, O – William Faulkner (EUA)
2014: Fundo do Céu, O – Rodrigo Fresán (Argentina)
2015: Encontro, O – Anne Enright (Irlanda)

Algumas menções honrosas.:
Decepção do ano – Dias Perfeitos – Rafael Montes O que mais me impressiona é que todo mundo gosta desse I wanna be Dexter. Achei muuuuuito chato
Quadrinho do Ano – Batman Noel. Faz tempo que não leio um quadrinho tão bem construído e original, vindo do universo dos super-heróis.
Releitura do Ano – Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Márquez… o que falar? é um romance com tantas coisas pra descobrir que posso ler mais dez vezes e ainda me surpreenderei.
E um ótimo começo de ano para todos. E 2016 seja muuuuito melhor que 2015.

  

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