[Mania de Listas] Melhores Leituras da Laís

Por: Laís Pragana

Oi, pessoal!

Em 2015 o meu amor pelos livros seguiu firme e forte. Acho que quanto mais leio, mais admiro esse universo potencialmente infinito da Literatura. Seguem, assim, as minhas dez leituras mais apaixonantes do ano! Que em 2016 esse sentimento possa aumentar ainda mais. ☺

10º  A Redoma de Vidro, Sylvia Plath (Globo Livros)

Leitura realizada para o primeiro encontro do Leia Mulheres, mexeu comigo por conta da intensidade que do livro transborda. Plath narra os dissabores da jovem estudante Esther – cuja jornada e personalidade são bastante baseadas na vida da própria escritora – pelos caminhos da depressão.

A assustadora apatia da protagonista ao enfrentar experiências tão sombrias dá um nó na cabeça, mas ao mesmo tempo nivela a tensão do enredo. Muito lindo e transformador!

Formas de Voltar para Casa, Alejandro Zambra (Cosac Naify)

Zambra é, sem dúvidas, um fenômeno! Li este livro para o clube de leitura d’O Espanador e o fruto da discussão foi, em minha opinião, um dos mais enriquecedores do ano.

Ainda que seja de leitura rápida, ele trouxe questões implícitas que renderam muita reflexão. A tal famigerada “auto ficção”, a questão das ditaduras latino-americanas, a intervenção da própria voz do escritor no curso da narrativa, a transição repentina da infância para a fase adulta…tudo isso torna a leitura de Formas de voltar para casa super agradável. Que venham novos livros do Zambra!

Volto Semana Que Vem, Maria Pilla (Cosac Naify)

O que há de tão bacana e original nessa autobiografia de Pilla é a sua fragmentação cronológica: por meio de capítulos curtíssimos, a autora traça sua trajetória ora pulando décadas, ora pulando meses em sua narração. Cada um desses recortes eterniza desde acontecimentos banais até momentos decisivos da vida de Pilla, corajosa militante de esquerda, da sua infância até a atualidade. Perpassando pelo seu exílio na França, pela tortura sofrida em porões argentinos, pelas suas memórias dos Estados Unidos e pelos principais acontecimentos políticos do Brasil, este livro é uma ode à perseverança e à resistência.

Morreste-me, José Luís Peixoto (Dublinense)

É impossível manter-se inerte perante a leitura desse pequenino, porém poderoso livro. Muito me agradam e me emocionam temas relacionados a pais e filhos, e posso dizer que esta carta de amor de Peixoto ao seu pai está na lista do que de mais lindo eu já li na vida (a começar pelo título!). O coração aperta, se machuca e lateja a cada linha, não apenas pelo tema da inevitável despedida, mas principalmente por conta da leveza quase transcendental da escrita do autor. Só de me lembrar já fico arrepiada! Sem dúvidas a presença de José Luiz Peixoto nas minhas leituras deste ano foi impactante e pra lá de satisfatória.

Foi Apenas um Sonho (Rua da Revolução), Richard Yates (Alfaguara)

Na verdade esta foi uma releitura, mas a visão que tive do livro desta vez foi tão mais poderosa que da outra! Tenho a leve impressão de que esse livro me acompanhará pela vida a fora e que outras vezes terei vontade de redescobri-lo.

Yates aqui se revela um mestre na arte de narrar as questões e tensões conjugais e, por conta disso, os dramas do casal protagonista permanecerão sempre claros na minha memória. Talvez esse livro seja importante para mim justamente por me servir de alerta sóbrio, profundo e maduro. Sensacional!

Presos Que Menstruam, Nana Queiroz (Record)

“Uma porrada” é o melhor jeito de descrever a leitura desta empreitada maravilhosa de Nana Queiroz. Não me contive e precisei escrever à autora para agradecê-la pelo feixe de luz que é seu livro. Dar protagonismo às mulheres encarceradas – e consequentemente renegadas e esquecidas pelos maridos, pela sociedade e pela Justiça – é de tamanha premência, que eu desejo a expansão desse livro ao infinito. Sobre o tema li também Cadeia, da Debora Diniz, porém Presos que menstruam é ainda mais impactante e transgressor. De todos dessa lista, esse é o que recomendo com maior veemência e motivação!

Jóquei, Matilde Campilho (Editora 34)

Uma das grandes conquistas de 2015 foi a de ter descoberto muitas poetas maravilhosas. Viajei pelas palavras de Florbela Espanca, Alice Sant’anna, Angélica Freitas…e foi no sotaque português de Campilho que eu mais me demorei. Não à toa sua presença foi tão notável na FLIP deste ano: a poeta e seus poemas são realmente apaixonantes! A universalidade da coletânea presente em Jóquei se percebe logo à primeira vista, seja pela pluralidade de línguas das quais Campilho faz uso (como o português, o espanhol e o inglês), seja pela tônica avessa às regras e métricas usualmente recomendáveis à escrita de um poema. Em uma palavra? Delicioso. Quero mais!

Antonio, Beatriz Bracher (Editora 34)

Olha, não é por nada não, mas que livraço! Agradeço demais ao Leia Mulheres por ter me proporcionado esse primeiro contato com a Bracher. O recurso da multiplicidade de narradores utilizado em Antonio é proeza somente dominada por quem realmente se dedica à arte da escrita. Assim, para além da trama em si, que é uma aventura à parte, a condução técnica do livro é impecável. 2016 com certeza será um ano com mais Beatriz Bracher presente nas minhas leituras!

Budapeste, Chico Buarque (Companhia das Letras)

Passei boa parte do ano falando que essa havia sido a minha melhor leitura do ano (até entrar em contato com o 1º lugar, a seguir). Budapeste despertou em mim inclusive a vontade de estudá-lo mais a fundo, e por muitos dias eu desbravei a internet em busca de textos e dissertações que o tivessem como objeto de estudo (o que, no meu caso de mera leitora amadora, é bem raro). É que eu não pude deixá-lo simplesmente morrer com a inevitável leitura da última página…! Ainda que o protagonista José Costa seja em certa medida asqueroso e repulsivo, é a genialidade de Chico Buarque que aflora na condução da narrativa. Por muitos momentos nos quais o lia, me peguei completamente hipnotizada e alheia ao mundo ao meu redor. Sei que esse livro gera uma polêmica polarização: entre seus leitores impera o “ame-o ou deixe-o”. Então eu me sinto muito feliz por fazer parte do primeiro grupo!

Detetives Selvagens, Roberto Bolaño (Companhia das Letras)

Não tem jeito, o Bolaño fincou fundo a sua bandeira no meu coração. Além dos Detetives Selvagens terem me proporcionado um dos dias mais lindos do ano (pois fiz essa leitura por conta da união do clube d’O Espanador com o do Fórum Entre Pontos e Vírgulas), eles também me mostraram o quão revolucionária pode ser a Literatura. Que livro, que livro, que livro! Não sei vocês, mas eu fico assim boba quando falo dos meus livros preferidos…assim meio sem jeito, assim meio sem palavras mesmo. São leituras como essa que me fazem suspirar e dizer: obrigada, América Latina! Leiam Bolaño, ele é surpreendentemente incrível.

Laís Pragana é paulista, formada em direito e amante das palavras de todas as formas.

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