[Mania de Listas] Melhores leituras da Ju

2015 foi um aninho do capiroto. Poucas leituras, mas algumas sei que levarei pra vida toda. E é isso que importa agora

Foi o ano que fui convidada a fazer parte de uma coisa linda, o Leia Mulheres. E este clube me trouxe, além de outras visões para a literatura e para o feminismo, muitas leituras maravilhosas. Comemoramos dois anos de [Leituras Compartilhadas], que tanto me orgulho de fazer parte e que tanto me ensinou. E muitas discussões maravilhosas aconteceram por lá também.

Ou seja, um ano meio infeliz em alguns tópicos, mas de muitos superlativos, adjetivos e CAIXA ALTA pra falar de livros. Então vamos aos meus queridinhos deste ano…

10º  This one Summer, Mariko e Jillian Tamaki

Um dos poucos representantes dos quadrinhos aqui nesta lista. E entrou nos últimos momentos, pois li recentemente. E conquistou meu coraçãozinho 😉

Uma história sutil sobre crescimento, amizade, família e aqueles fantasmas no armário que todas essas relações têm. E ainda tem as ilustrações lindas da Jillian, e o livro todinho nesses tons de roxo/lilás. Tudo muito bonito e leve, apesar de alguns assuntos abordados serem um pouco pesados…


Reze pelas mulheres roubadas, Jennifer Clement (Rocco)

Este foi o segundo livro que lemos pro Leia Mulheres de São Paulo e foi a minha discussão preferida. O livro é forte, aborda muitos temas que rendem debate.

Acho que gostei mais do que o livro suscitou do que dele em si. A primeira parte é MUITO BOA, a segunda, eu achei que a autora dá umas derrapadas e a história fica um pouco inverossímil (o livro é baseado em entrevistas que a autora fez). Mas além do ótimo debate no clube, o livro me deixou curiosa para ler mais sobre o México. E AMO quando os livros fazem isso!

Sem sangue, Alessandro Baricco (Companhia das Letras)

Uma novelinha (em tamanho) que li da forma mais despretensiosa do mundo e que fiquei CHO-CA-DA!

É impressionante como o autor cria um clima de tensão o tempo todo. Um livro sobre vingança e também sobre como às vezes as pessoas acabam se conformando com aquilo que mais as fazem mal. Falar qualquer outra coisa estraga a surpresa que esse livro traz. Recomendadíssimo!

O mundo de Aisha, Ugo Bertotti (Nemo)

Baseado no trabalho da fotojornalista Agnes Montanari, Ugo Bertotti nos entrega um quadrinho NECESSÁRIO sobre a luta das mulheres no Iêmen. Luta por igualdade, por direitos básicos e por liberdade de escolhas.

E, por mais que a situação dessas mulheres seja diferente (politicamente e culturalmente), é impossível não se sentir próxima delas e querer lutar junto. E ficar feliz com as pequenas vitórias. E se chocar com a primeira história, que é tão corriqueira em qualquer lugar, infelizmente.

Middlesex, Jeffrey Eugenides (Companhia das Letras)

Este foi o primeiro livro do ano do [Leituras Compartilhadas]. E começamos MUITO BEM o ano.

Uma saga familiar que atravessa a história. Como não amar? Quem me conhece minimamente sabe o quanto adorei isso. Eugenides cria personagens maravilhosos. Que me perdoe o maravilhoso narrador Cal, mas a matriarca da família, Desdêmona tem meu coração para sempre!

O sol é para todos, Harper Lee (José Olympio)

Li para participar do Leia Mulheres do Rio de Janeiro e fiquei encantada. É um livro um pouco lento, é verdade, mas depois que você pega o ritmo da história, nem se percebe mais isso. E na verdade, a Harper Lee está construindo todo o contexto, o cenário e os personagens… E os personagens… Ela cria personagens incríveis! A narradora, Scout, é maravilhosa e seu pai, Atticus,  entrou para meu top de personagens preferidos da vida (sim, tenho dessas também).

Antonio, Beatriz Bracher (Editora 34)

Mais uma saga familiar. Mais uma matrona maravilhosa, a Isabel. Um livro intenso e narrado de uma forma instigante. Discutimos ele no Leia Mulheres e foi uma experiência ótima.

A partir de relatos em primeira pessoa, vamos reconstruindo a história de uma família e conhecendo personagens já ausentes. Um livro que trata a loucura e de abandono (de si e dos outros).

Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez (Record)

Não, nunca tinha lido este clássico. Não, não tenho vergonha disso. Sim, me apaixonei pela saga dos Buendía. E mais uma matrona maravilhosa: Úrsula s2!!!!

O livro foi debatido no [Leituras Compartilhadas] especial de dois anos e foi um encontro maravilhoso. O Kalebe fala um pouco da experiência de reler o livro para o encontro e compartilhar seu amor por Macondo.

É uma leitura que muda vidas. De verdade. Uma aula de América Latina e do nosso povo.

A amiga genial, Elena Ferrante (Globo Livros)

Sou parte ativa da Ferrante Fever! Um livro maravilhoso em muitos sentidos. Não me apeguei na parte de ser ou não uma autobiografia. E isso não faz nenhuma diferença.

A história que Ferrante constrói, de forma seca, a partir de um contexto, tanto histórico, quanto da lógica de opressão que as personagens sofrem, é algo impressionante. Todo o bairro do subúrbio de Nápoles é criado de uma forma que os personagens, mesmo que pequenos, tenham profundidade, cheiro, cor…

Uma história de amizade, desafios e opressão, que inspira e emociona. E que venha o segundo livro da série… Por favor! Minha resenha do livro no blog.

Stoner, John Williams (Rádio Londres)

Difícil colocar em palavras o efeito que esse livro teve sobre mim. O fato é que desde março/abril (quando o li), fiquei com a famigerada ressaca literária. Ao fechar este livro, a voz do Freddy Mercury ecoou na minha cabeça:

“Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me”

Pois é, amiguinhos. Um livro que te deixa numa bad por meses em primeiro lugar do ano? MAS É CLARO!

O que John Williams faz com essa história banal, de um cara medíocre, com uma carreira medíocre, com final (que é contado na primeira página)… medíocre, é uma das coisas mais bonitas que já li. A vida não precisa ser o que mostram na propaganda de margarina. E nem é, vamos combinar. Mas sempre existem as pequenas epifanias, as pequenas vitórias….  Stoner virou O personagem preferido da vida. E imagino que releituras periódicas serão feitas.

Um livro que faz ainda mais sentido para pessoas como nós, que amam livros e literatura.

Um comentário em “[Mania de Listas] Melhores leituras da Ju

  1. Eu definitivamente preciso me organizar em 2016 e dar um jeito de ir em algum encontro do Leia Mulheres ou do leituras compartilhadas. Todo mundo sempre fala com tanto carinho desses clubes e eu só fico na vontade.
    E na lista de todo mundo aparece o Amiga genial e confesso que a sinopse do livro não me cativou. To curiosa pra ler de tanto que todo mundo fala.

    Beijos

  2. Entraram para minha lista de desejo: Stoner, A Amiga Genial, António e Tirza. Cem Anos de Solidão li na adolescência (década de 80). O Sol é Para Todos foi lido por mim em 2010. Ambos são ótimos. Recomendo o filme homônimo.

  3. Entraram para minha lista de desejo: Stoner, A Amiga Genial, António e Tirza. Cem Anos de Solidão li na adolescência (década de 80). O Sol é Para Todos foi lido por mim em 2010. Ambos são ótimos. Recomendo o filme homônimo.

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