[Colaboradora] Chelsea Wolfe e a literatura

Por: Michelle Henriques

Conheci a cantora norte-americana Chelsea Wolfe em meados de 2011. Um amigo postou uma versão dela para “Black Spell of Destruction” da banda norueguesa Burzum e achei aquilo mais do que curioso. Fui atrás de outras coisas dela e acabei me apaixonando. Junto com Misfits e Nick Cave ela forma a tríade das músicas da minha vida. O que eu mais gostei nela logo de cara foram as claras influências da literatura, e por isso resolvi fazer esse post falando dos livros que a inspiraram.

Antes de fazer sucesso com a banda que leva seu nome, ela tinha um projeto chamado Winter Trees, com Terra Lopez do Sister Crayon. Winter Trees é o nome de um livro de poesias da Sylvia Plath.

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Antes do seu primeiro álbum The Grime and the Glow, Chelsea lançou alguns EPs. Um deles, chamado Tour 2009 continha a música “Underwater”, inspirada no suicídio de Virginia Woolf. Essa música saiu como bônus em seu disco acústico de 2012, Unknown Rooms, já com o nome de “Virginia Woolf Underwater”.


[youtube https://www.youtube.com/watch?v=PVxQZ3eledY]

O disco The Grime and the Glow foi inspirado em Morte à Crédito de Louis-Ferdinand Céline e em O Sétimo Selo de Ingmar Bergman.

Em diversas entrevistas ela disse que seu disco Ἀποκάλυψις foi fortemente influenciado pelo livro A Revolta de Atlas de Ayn Rand, polêmica escritora que enfatizava em seus romances o individualismo filosófico e a livre iniciativa econômica. Chelsea se posicionou a respeito em uma entrevista:

“Eu não sou uma dessas pessoas que tipicamente olha para o autor ou o pintor; eu apenas sei do que eu gosto e aproveito o livro ou a pintura. Às vezes você aprende mais sobre o artista e se apaixona, como o John Waters, por exemplo. Mas com pessoas como Ayn Rand ou Burzum, eu aprecio o trabalho deles separadamente do que eles acreditam.”

A música “The Wasteland” que está nesse disco foi baseada no poema “The Waste Land” de T.S. Eliot.

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Em seu quarto disco, Pain is Beauty, duas músicas são inspiradas em livros: “Feral Love” (Filhos e Amantes de D.H. Lawrence) e “The Warden”, que seria um final alternativo para 1984 de George Orwell.

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No dia 7 de agosto foi lançado Abyss, novo álbum de Chelsea. E o primeiro single, “Iron Moon” foi inspirado em um poema de um jovem chinês que cometeu suicídio.

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Em uma entrevista recente , Chelsea disse que o nome de seu novo disco veio da autobiografia de Carl Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões.

Chelsea sempre fala de livros em entrevistas, no twitter e no instagram. Alguns escritores que eu lembro de terem sido citados por ela: Werner Herzog, Don DeLillo, Bukowski, Damien Echols, Haruki Murakami, Tom Robbins, Raymond Kurzweil, Judy Blume, Carl Sagan, etc.

Michelle Henriques, 28 anos, louca dos gatos e dos livros. Vive em São Paulo e reclama todos os dias dos preços nos cinemas. Vive de obsessões, a atual é Karl Ove Knausgård. É uma das organizadoras do clube de leitura Bastardas e do clube #leiamulheres

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