[Especial Férias] – Rafael Menezes e a pilha só aumenta

Férias Galera!
Hora de descansar e encarar as leituras mais complexas, os projetos mais insanos, ou tirar da estante aquele livro que você comprou e ainda não leu. Seria lindo se fosse assim… mas minha pilha só aumenta e sem prazo para diminuição.
Ao pensar sobre essa lista cogitei em colocar os projetos mais antigos de minha vida, mas falar novamente da Montanha Mágica, mas isso seria uma auto-trollagem, quem me conhece a mais tempo sabe que esse é meu projeto eterno. Conversando hoje com minha namorada retomar Em busca do Tempo perdido do Proust também é algo bem tentador de se fazer, vide que como não estou de férias essa lista será simplesmente os desejos que moram dentro do meu coração, e possivelmente eu não vou conseguir realizar tão já. E apesar desses livros encaixarem bem no meu critério primordial para os livros de férias: O tamanho.
Um leitura de férias para mim tem que ter uma grande extensão para se justificar, pois eu não consigo ter fôlego para ler as vezes, mas apesar do desejo concreto de ler as obras acima,vou fazer uma lista diferente e indicar três livros que entraram para minha biblioteca recentemente e são clássicos contemporâneos editados por editoras não do grande escalão, mas que trazem obras essenciais da literatura mundial.

1 – Stephen Herói – James Joyce – Hedra.

stephen-heroi
Não é exatamente considerado um romance, mas é o rascunho do que seria O Retrato do Artista quando jovem, mas é um semi-romance essencial para os fãs de Joyce,ou para qualquer um que estude literatura genética, que ó ramo que estuda a evolução de um romance pelos rascunhos, e eis que eu curto ambas as coisas. Nem mesmo em inglês Stephen Hero tem várias edições, e que eu saiba, essa foi a primeira edição de uma tradução deste pseudo-romance que é muito maior que o Retrato do Artista e já pressupõem algum dos recursos estilísticos que seriam amplamente explorados em Ulysses.

2 – Última Tentação, A – Nikos Kazantzákis – Grua.

última tentação
Reeditado após muitos anos pela Grua, que está reeditando a obra deste que é considerado o maior escritor grego de todos os tempos. Você já ouviu falar dele? Não. Normal, sua obra nunca foi bem editada no Brasil, mas Kazantzákis é autor além deste livro que deu origem ao filme de Scorsese,e a criação do personagem Aléxis Zorba, imortalizado no cinema por Anthony Quinn em Zorba, o grego e ainda um outro livro que é considerado sua obra-prima (E esperamos que a Grua o edite também) o Cristo Recrucificado, em que o martírio de Cristo ocorre nos dias de hoje em um pequeno vilarejo.
Podemos ver aqui uma recorrência do tema religioso em sua obra, não da maneira católica mas de maneira crítica, em a Última Tentação temos uma biografia de Cristo humanizada e simbólica, Jesus é um carpinteiro que fabrica cruzes onde as pessoas são crucificadas, escuta vozes em sua cabeça e flerta com o esquizofrenismo, e sem mudar os fatos mitológicos da história, mas os reinterpretando de maneira similar ao que Saramago faz em O Evangelho segundo Jesus Cristo, ainda que no caso de Kazantzákis seja essencialmente realista. O autor foi excomungado da igreja e ainda tem a fama de herege até os dias hoje.

3 – Nós, os Afogados – Carsten Jensen – Tordesilhas.

nós, os afogados
Um subgênero literário que sempre gostei é o relato marítimo, em especial o épico Moby Dick, e os livros Joseph Conrad, até vejo graça no Garoto no Convés de John Boyne… enfim, creio que esse subgênero é uma realidade tão distante que fascina, assim como o western cinematográfico. E incrivelmente um clássico contemporâneo é o livro Jensen que foi originalmente publicado na Dinamarca em 2006 e finalmente chega em português do Brasil.
Nós, os afogados é uma homenagem ao gênero além de ser um romance histórico dinamarquês que abrange quase cem anos da história do país. Começando em 1848 e terminando em 1945, passando por três gerações de uma família que tem a veia marítima em seu sangue: Laurids no século XIX em guerra com os alemães, seu filho  Albert na vida marítima e o órfão adotado Knud transpondo a tradição ao mundo moderno, onde o ofício do homem do mar está por um fio e não é acidente o livro terminar em 1945, pois a segunda guerra é o conflito para qual Knud vai se encaminhar.
Essas seriam minhas indicações, e fiquem ligados nos próximos pois temos vários colaboradores com seus livros de férias e uma pergunta para vocês: Quais são os seus?

Um comentário em “[Especial Férias] – Rafael Menezes e a pilha só aumenta

  1. oiii,queria fazer uma pergunta sobre parceria.Seu blog tem mais de um dono né?Então,TODOS os donos se favorecem pela parceria?Por exemplo,você recebe um exemplar de A culpa é das estrelas e o outro dono reebe outro do mesmo livro?

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