Os deuses somos nós

Tem uns livros que parecem nos “perseguir”. Em março viajei e “tropecei” no livro de hoje numa dessas prateleiras de destaques. De volta da viagem, abro meu e-mail e lá está ele de novo, sendo vendido num preço especial. Dias depois entro numa livraria para comprar um “confort-book” e olha quem está bem na entrada da loja: Sapiens – Uma Breve História da Humanidade. Já que as deusas da literatura se esforçaram tanto para que eu encontrasse esse livro, me rendi ao destino e o comprei.
E foi uma das melhores compras da vida! 
O autor Yuval Noah Harari, consegue em pouco mais de 450 paginas traçar milênios de historia da humanidade de forma objetivante divertida.
Harari divide a historia da humanidade em “Revoluções”. Essas revoluções, em sua maioria, são saltos cognitivos e tecnológicos. Inicia-se com os primeiros hominídeos se reconhecendo como indivíduos e grupos, passando pela criação da agricultura e domesticação dos animais, a criação do conceito de valor e a criação do dinheiro, a organização das religiões, das primeiras cidades, impérios, as grandes navegações a colonização do mundo pela Europa e o resultado de tudo isso: o mundo como é hoje. Paralelo a tudo isso, as pessoas descobrem a “ignorância” e a ciência passa a ser a força motriz do desenvolvimento da humanidade.

O que eu percebi lendo este livro é que na historia não existe certo ou errado. Essa é uma visão maniqueísta com a qual estamos acostumados a julgar os fatos. Os fatos simplesmente “são”. Talvez e melhor forma de julgar esses fatos seja utilizando a noção subjetiva de ética. Foi ético ou não? Nem sempre a humanidade mostrou seu lado mais ético, mais gentil ou mais justo (para usar outros parâmetros que não o certo ou errado), mas não se pode negar os avanços que alcançamos.
Iniciamos como um macaco praticamente indefeso nas savanas africanas e dominamos o planeta todo, fomos à Lua, entendemos como as estrelas “funcionam”.
Mas para onde iremos agora? Os desafios são grandes: como a humanidade se manterá e preservará o meio ambiente, por exemplo? Depois de tantas conquistas, quais são os objetivos da humanidade, o que mais pode ser conquistado? Será que precisamos conquistar alguma coisa mais? E se avançamos tanto, por que parece que estamos cada vez mais insatisfeitos com tudo  Essas perguntas são feitas pelo autor no epilogo do livro..
Segundo Harari, nos tornamos deuses. Eu concordo com ele. A humanidade cria e destrói com eficiência e precisão e isso é perigoso. O final do livro é um alerta e uma reflexão é a síntese dos dilemas da humanidade atual:

“(…) Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com esse poder. O que é ainda pior, os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses por mérito próprio, contanto apenas com as leis da física para nos fazer companhia, não prestamos contas a ninguém. Em consequência estamos destruindo os outros animais e o ecossistema à nossa volta, visando a não muito mais do que nosso próprio conforto e divertimento, mas jamais encontrando satisfação.

Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não que não sabem o que querem?”
Essa é uma boa pergunta, e se a minha opinião valesse de alguma coisa, diria que nada é mais perigoso que a “humanidade divina” que nos tornamos e tenho medo de que quando tomarmos consciência disso será tarde de mais.
Sapiens – Uma Breve História da Humanidade
Autor: Yuval Noah Harari
Tradução: Janaína Marcoantonio
Editora L&PM

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