[Flip 2015] Karina Buhr

Foto: Caroline Bittencourt

Karina Buhr é mais conhecida por sua carreira de cantora. Mas será pelo seu trabalho como escritora que ela participará da Flip este ano. Karina acaba de lançar uma coletânea de crônicas, poemas e ilustrações chamada Desperdiçando rima pelo selo Fábrica 231 da editora Rocco. O material do livro é diverso; alguns poemas foram musicados, alguns textos foram publicados pela Revista da Cultura (revista mensal da Livraria Cultura), onde é contribuidora há três anos.


Sobre o livro, Karina diz (em entrevista da Simone Magno): “Juntei textos de formatos diferentes, temas diferentes e fui agrupando seguindo uma linha minha de conexão entre eles. Não existe uma ordem a ser seguida, pode-se abrir o livro em qualquer página e começar, ler de trás pra frente, mas existe uma ligação e variações de ritmo que acabam determinando esse começo, meio e fim.”

Ilustrações do livro

Karina nasceu em Salvador em 1974 e depois de viver em Pernambuco, mudou-se para São Paulo e entrou para a Companhia Teatro Oficina, onde participou da montagem da peça Os Sertões. Também é percussionista e já fez participações em discos do Mundo Liver S/A, Mestre Ambrósio, Cidadão Instigado, entre outros. Todas essas suas facetas acabam influenciando em sua escrita.

Em sua carreira como cantora, lançou dois discos: Eu menti pra você (2010) e Longe de Onde (2011).

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=YhyfQH6KkV4]
Também é conhecida pela sua militância como feminista. E nas últimas eleições participou de uma campanha por representatividade na política.

Karina participa da mesa 17 da Flip, “Desperdiçando verso”, com o também cantor e autor Arnaldo Antunes, no sábado (dia 4 de julho), às 21h30.

Abaixo, um trecho do livro de Karina Buhr, Desperdiçando rima.

Ano-Novo

Era um palavrão atrás do outro, graças a deus!
Se ficasse entupida, como ia conseguir revidar, se mexer, movimentar
a planície inteira de agonia das suas emoções sempre as mesmas e
aquela sensação congelante que todo dia acordava com ela?

Aguava as plantas de mau humor, depois bom humor com as plantas
bonitas.
É cara dela isso.

Toma banho economizando água quando tem alguém. Quando não
tem ninguém, gasta logo a água toda do poço. Enxágua bem muito.

Era dia de ano-novo, então tudo o que tinha a fazer era esperar hora
passar. Quando menos esperasse já seria dia seguinte, novos fluidos,
pelo menos para os outros e findaria a histeria.

Faltava muito ainda, eram oito e meia da manhã, não é possível.
Já lavou roupa devagar, pratos na preguiça costumeira, só faltava fazer
almoço, mas almoçar também já era demais.
Almoçar não estava nos costumes do lar.
Era café da manhã três vezes por dia ou um pouquinho mais, às vezes.
Uma cachaça aqui e ali, nada demais, só uma equalização mesmo.
Ao almoço, pois.
Almoçado.
Duas da tarde, chega a Páscoa mas não chega o dia primeiro, avemaria!

O povo passa sacola pra cima, sacola pra baixo, caras de peso além do
que aguentam, é um dia especial, é um dia como nenhum outro, um
dia em que se come muito mais, se bebe muito mais, se abraça muito
mais e se fica acordado até de manhã pra comer frutas.
Não compreende.

Resolveu ir ali rezar, nunca mais tinha feito isso.

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