Eu, Robô

O bom doutor, como Isaac Asimov era conhecido, é um dos meus autores preferidos. Já falei de outros livros dele no blog e, por conta disso, talvez eu me repita um pouco ao falar sobre Eu, Robô, publicado originalmente no final da década de 50 nos EUA e com nova edição aqui no Brasil pela Aleph em 2014.

Asimov é responsável, em grande medida, pela popularização do “robô bonzinho”, aquele que longe de ser uma ameaça à humanidade, é instrumento e companheiro de descobertas.
Eu, Robô é uma coletânea de nove contos que narram o surgimento dos primeiros robôs e sua evolução tecnológica. No livro, essa evolução é contada por Susan Calvin, psicóloga roboticista e funcionaria da U.S. Robots, empresa de ponta na tecnologia robótica.

Calvin estava lá quando o primeiro robô foi criado, quando se desenvolveu o primeiro cérebro positrônico. Ela estava, em menor ou maior grau,  envolvida em cada projeto que levou a robótica a um patamar cada vez mais alto tecnologicamente.


Visto assim parece que estamos falando de um livro de não ficção, relatando a evolução de uma tecnologia cotidiana e não de um livro de ficção cientifica narrado a evolução de robôs fictícios.

Essa é a grande sacada da escrita de Asimov. Seu conhecimento cientifico, tornou possível que ele escrevesse um ficção cientifica plausível. Cada conto nos mostra um estágio teoricamente possível no desenvolvimento de uma tecnologia robótica. Para mim é fascinante que a ficção possa caminhar tão perto da ciência.

Eu particularmente não gosto de contos, mas abro exceção para Eu, Robô, e o faço porque primeiro, como já disse, adoro o Asimov e depois porque os contos são tão marradinhos uns nos outros que na verdade se comportam mais como capítulos de um livro do que contos propriamente ditos.

Eu, Robô é bom porque, para um livro com mais de 50 anos ele ainda tem um frescor encantador. É um livro que envelheceu bem e mesmo que alguns contos sejam ambientado no inicio dos anos 2000 facilmente esquecemos dessas datas e imaginamos esses essas histórias acontecendo a 30, 40 anos no futuro.

Talvez esse seja outro grande trunfo da escrita de Isaac Asimov: a capacidade de sempre mostrar o futuro não importa em que época seus leitores estejam.
Eu Robô
Autor: Isaac Asimov
Tradução : Aline Storto Pereira
Editora Aleph – 2014

116pp.

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