Uma Breve História do Tempo – Stephen Hawking

2014 foi um ano bem interessante para o lado nerd da força, não porque Hobbit chegou ao fim (aleluia, irmãos!) ou porque o universo expandido de Star Wars finalmente chegou às prateleiras de nossas livrarias (ainda que o “episódio VII” chegue para explodir a mitologia dos livros logo mais no final do ano, mas como vovó dizia: “Antes tarde do que nunca”), mas porque houve uma redescoberta interessante por parte do cinema da parte científica da FC. Primeiramente de maneira bem prática no último épico de Christopher Nolan, Interestelar, e depois de maneira bem simples na cine-biografia de Stephen Hawkings, A Teoria de Tudo. 

Interestelar pode não ser a obra prima de Nolan, mas ele tem coragem de tentar ser bem ousado a colocar tantas teorias de ciência moderna em um filme de quase horas, e eu me perguntei ao sair do cinema onde será que as pessoas começavam a viajar no filme, pois tenho certeza que quando o personagem de Cooper parece não envelhecer em sua viagem, enquanto sua filha vira uma Jessica Chastain pode ter sido confuso dependendo de sua intimidade com Física, Astronomia e velha máxima de Einstein: Tempo é relativo.

Se você ficou curioso em aprender mais sobre a atual visão das estrelas e astros, aquele que pode te guiar pelo caminho complexo do tempo e espaço, e como esses duas instâncias são quase indissociáveis, é Stephen Hawking. Ele foi alvo de uma cinebiografia agradável mas que não tem nada demais, A Teoria de Tudo, que ganhou o Oscar de melhor ator no domingo – um fato que podemos discutir bastante do ponto de vista de atuação -, mas é indiscutível que Hawking é uma das mentes mais brilhantes, senão a mais brilhante, no ramo da Astronomia. Agora isso não é porque suas teses científicas são fáceis de ler, e sim porque ele criou obras específicas que traduzem as grandes teorias em uma linguagem mais acessível para o grande público. E sendo assim, chegamos ao livro que começou tudo: Uma breve história do tempo, que em função do filme finalmente foi reeditado, pois estava há um tempão esgotado.

Se você tem entre 25 a 30 anos talvez o livro de Hawking mais conhecido na verdade seria Universo numa Casca de Noz, mas até esse já é uma versão ainda mais condensada de Uma Breve história do tempo. Publicado em 1988, todo o conceito é ser menos livro de física e mais um alegre papo de bar sobre as estrelas, o espaço e as possibilidades da ciência. Hawking conta que a ideia era não colocar fórmulas na obra, mas o básico de Einstein e=m² tinha que figurar. O livro conta com muitos gráficos, desenhos e fotos para ilustrar as teorias descritas.

E no final funciona? É um livro acessível sim. A grande sacada da prosa do cientista é fazer o tour pela história da Astronomia como se fosse uma estória mesmo, e em seu centro o tempo fosse o personagem principal. A partir da premissa de explicar como o tempo é interpretado pela ciência ele acaba usando isso de médula para desenhar de maneira sucinta como outras teorias moldaram a astronomia atual,vejam a prosa de sua explicação para o nascimento das galáxias:

“Nossa imagem moderna do universo data de apenas 1924, quando o astrônomo americano Edwin Hubble provou que nossa galáxia não era única. Na verdade havia muitas outras e um espaço vazio entre elas. Para provar sua ideia, ele precisava determinar a distância entre as galáxias, tão distantes que ao contrário das estrelas próximas, de fato pareciam fixas. Portanto Hubble foi obrigado a usar métodos indiretos para medir a distância. Ora, o brilho aparente de uma estrela depende de dois fatores: quanta luz ela irradia (sua luminosidade) e quão distante está em relação a nós. No caso de estrelas próximas, podemos medir o brilho aparente e a distância e, desse modo, deduzir a luminosidade. Por outro lado, se conhecêssemos a luminosidade das estrelas em outras galáxias, poderíamos inferir a distância até elas e medir seu brilho aparente. Hubble notou que certos tipos de estrelas sempre tem a mesma luminosidade quando estão perto o bastante para serem medidas. Logo, argumentou ele, se descobríssemos estrelas desse tipo em outras galáxias presumir que tivessem a mesma luminosidade – e, desse modo, calcular a distância até essa galáxia. Se fizéssemos isso para uma série de estrelas na mesma galáxia e nossos cálculos sempre resultassem na mesma distância poderíamos ficar razoavelmente confiantes com a estimativa.

Dessa forma Edwin Hubble obteve as distâncias de nove galáxias.
pag 56-58

Simples e direto sobre como Hubble descobriu que o amontado de estrelas avistadas nos telescópios, na verdade estão reunidas em uma ordem maior que são as galáxias. Explicar como o tempo é uma dimensão, e parte do espaço, é o foco do livro, mas em suas beiradas temos a melhor introdução à moderna Astronomia que jamais li. E isso porque a primeira vez que li o livro foi quando tinha 16 anos.

Outra característica marcante do livro é como Hawking não afirma verdades universais, sempre dando uma contra-teoria àquilo que está expondo. Nessa época ele já questionava a teoria do Big Bang e deixa as duas correntes de maneira bem clara no livro: a possibilidade do universo em expansão e a possibilidade que não haja realmente um centro de explosão gravitacional, e que o universo seja uma pasta sem começo ou fim. Stephen não impõem suas teorias a nós e sim apresenta um panorama para instigar seu leitor a pensar,que é a característica mais magnífica da ciência.

Quando acabamos de ler o livro, há várias ideias na cabeça e devo dizer que podemos até questionar algumas situações dentro do Interestellar como estilingar um buraco negro (!), mas o magnífico, como disse, é especulação científica dentro das possibilidades do que conhecemos, pois pode surgir um novo cientista que vire de ponta cabeça tudo que hoje e a física astronômica de amanhã seja completamente diferente. É a magia da ciência.

Sim, foi quase cosplay de Amanda. mas como bom nerd eu também gosto de publicações científicas. 🙂

Uma breve história do tempo
Autor: Stephen Hawking
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Editora Intrínseca
256 pgs

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