[Espananews] A Flip 2015 já começou

Apesar de faltar cinco meses para sua abertura, podemos dizer que a Flip já começou.

Sempre são especulados inúmeros nomes para o posto de principal homenageado, e uma reclamação sempre recorrente é a falta de uma autora mulher como homenageada (depois de 12 anos, a única escritora foi Clarice Lispector), mas nada disso teve vez e o escolhido para esse ano foi Mário de Andrade.

Em 2015 completa-se 70 anos da morte de Mario de Andrade, e a partir do ano que vem sua obra entra em domínio público. Este ano ela ainda continua a ser publicada pela Nova Fronteira (Agir), que prometeu uma edição em quadrinhos de Macunaíma, com roteiro de Izabel Aleixo e arte de Kris Zullo, além da publicação do do romance inédito (e inacabado) Café.

Por que Mario de Andrade?

A Flip nos últimos dois anos não tem escolhido o caminho mais ‘simples’ e por isso vamos reproduzir a nota oficial sobre a escolha de Mario de Andrade:

“A obra e a vida de Mário de Andrade ajudaram a moldar a cultura brasileira – entre os frutos indiretos de sua atuação estão, por exemplo, a preservação da cidade de Paraty e a própria Flip, que guarda muito de seu espírito irrequieto, festeiro e articulador.
(…)
Poeta, romancista, crítico musical, gestor público, folclorista, agitador cultural – Mário foi, como diz seu celebrado poema, “trezentos, trezentos e cinquenta”. Se muito de seu legado hoje está assimilado – antropofagicamente, para usar a expressão de seu companheiro (e mais tarde desafeto) de geração Oswald de Andrade –, Mário trouxe questões centrais para novos debates sobre o país, a vida cultural e a literatura. Cultura popular e indústria cultural, patrimônio material e imaterial, fala brasileira e língua escrita, cultura indígena, literatura, identidade e gênero, a sua vida e obra parecem ter antecipado discussões atuais, que a Flip pretende pautar e atualizar em sua edição 2015.
(…)
Segundo o curador da Flip 2015, Paulo Werneck, “Mário é um autor para o Brasil do século 21, com vida e obra a serem redescobertas, rediscutidas, postas em debate.” A homenagem prevê, entre outras ações, uma conferência de abertura, mesas sobre o autor na programação principal e na FlipMais (programação da Casa da Cultura) e uma exposição. O curador também pretende levar novas gerações de intérpretes de sua obra literária e poética. (…)”
Leia a nota completa aqui.

Primeiro Autor Anunciado

O primeiro autor anunciado para a programação é daqueles de dar esperança de uma Flip forte em 2015: Leonardo Padura Fuentes.

Para quem não está reconhecendo o nome do autor cubano, talvez já tenha visto o seu livro por aí em alguma livraria: O Homem que amava os cachorros, publicado pela editora Boitempo.
Difícil de imaginar (pelo tema e o tamanho, 592 páginas), mas esse livro foi uma das sensações do ano passado (apesar do livro ter sido lançado em dezembro de 2013), e a edição que temos em mãos (comprada na Festa do Livro da USP) já está na 5ª reimpressão.

O Homem que amava os cachorros é um romance histórico que narra os últimos anos de vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e também a história do seu algoz, o catalão Ramón Marcader, voluntário do partido comunista incumbido da missão de dar cabo do revolucionário Trotski, desafeto de Stálin.

O livro é narrado em 2004 por Iván, um aspirante a escritor que a partir de um encontro misterioso com um homem que passeava com seus cães repassa toda essa história e dá uma visão da experiência na Cuba moderna.

Em diversas entrevistas com o autor, ele falou sobre um dos motivos para ele escrever esse livro: é uma novela sobre a utopia contraditória que marcou o século passado. Como a geração dele, que passou pela revolução cubana, enxergou todo esse processo, da influência do stalinismo nessa luta do socialismo (e o que ele representava).

Alguns links para conhecer um pouco mais o autor:

Uma entrevista bem bacana.

Um booktrailer incrível:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kOXocRsYLNU&w=320&h=266]

Padura falando sobre a sua obra:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=YYyOSoTKu6k&w=320&h=266]

Um debate sensacional sobre o livro (vale mesmo a pena ver):

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=fGE_W9FhzRY&w=320&h=266]

Flipinha

A Flip anunciou os autores e ilustradores convidados para a edição da Flipinha deste ano. Ao todo serão 14 autores que vão participar de diversas atividades entre os dias 1 e 5 de julho. Entre os destaques, estão nomes como Luiz Ruffato, Ondjaki, Rita Carelli, João Anzanello Carrascoza.

O autor homenageado vai ser lembrado por dois autores: Odilon Moraes (ilustrador do livro Será o Benedito!, publicado pela Cosac Naify) e Luciana Sandroni (autora do livro O Mário que não era de Andrade, publicado pela Companhia das Letrinhas).

A lista completa dos autores convidados:

Alessandra Pontes Roscoe, Claudio Fragata, Dilan Camargo, Diléa Frate, João Anzanello Carrascoza, Luciana Sandroni, Luiz Ruffato, Odilon Morais, Ondjaki, Rita Carelli, Simone Matias, Stella Maris Rezende, Tiago Hakiy e Tino Freitas. Neste link, uma pequena biografia sobre os convidados da Flipinha.

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