[Drops] Por que ler os Contemporâneos? – Léa Masina (org.)

por que ler os contemporaneos
Organizado pela editora sulista Dublinense, que junto com a Não-editora fazem parte das principais casa editoriais que mais lançam novos autores nacionais, esse livro também é, em parte, uma divulgação de novos nomes da literatura e crítica brasileira contemporânea. Confesso que ao ler a lista de colaboradores reconheci alguns poucos, e a maioria ainda me é desconhecida. E caso o texto agrade, há uma pequena biografia no rodapé da página. Todo o truque do livro reside naqueles que resenham: cada colaborador fala de um autor que gosta e vai tentar vender ao leitor o porquê a obra de tal indivíduo deve ser apreciada. Sem muitas regras.
Se Rodrigo Rosp foca mais na diferença entre os primeiros livros de Ian McEwan quando era chamado de Ian Macabro (em tradução livre) por seus enredos estranhos, e o novo Ian que é um autor “maduro”, Bruno Mattos descreve Cormac McCarthy dentro da recente literatura americana e o contrasta com as obras de Pynchon, Franzen e Roth. Me apetece mais a segunda análise, por ter mais a ver com a estrutura literária da obra de McCarthy, do que a primeira, que além de usar uma frase datada (“autor maduro”), não explica exatamente o que ocorreu na mudança de narrativa de McEwan. Mas isso é uma questão de gosto bem pessoal para com autores que eu já conheço. Deve-se reconhecer que duas páginas é muito pouco para sintetizar a obra de um autor.

Há dois públicos aqui: aqueles que querem ler o que outra pessoa pensa sobre determinado autor que gosta e há aqueles autores que nunca antes foram citados e instigam a curiosidade do leitor. Por exemplo, muitos dos nomes serão óbvios, como os já citados acima, mas o americano Neal Stephenson eu nunca ouvi falar antes e Paulina Chiziane, apesar de conhecer, tenho ciência que não é uma autora muito conhecida ainda que seja moçambicana.
Ainda que dê uma liberdade no texto para responder a pergunta do título, há uma estrutura sólida e bem didática para apresentação dos autores, com uma biografia simplificada, uma lista das principais obras (sejam elas traduzidas ou em língua original) e o texto de duas páginas de um dos colaboradores que faz sua leitura muito mais pessoal do que técnica do escritor em destaque. No fundo você parece que está em um grande bate papo com vários autores sobre sobre seus escritores novos favoritos. É tudo bem simples e prático.
Para alguém que adora listas e livros, essa é mais uma para adicionar às intermináveis listas de livros para ler de morrer, e como bom leitor de listas, saiba que haverão omissões como Luandino Vieira, Donna Tart (que ressurgiu recentemente), o norueguês Karl Ove Kanusgard (Calma Mih), e algumas inclusão que você pode achar estranho (para mim: João Gilberto Noll, Michael Chabon e Marcelino Freire). A única coisa passível de morte é ninguém colocar o José Saramago no livro, isso doeu… mas como disse acima é só uma referência, não dá para levar tanto a sério e já entendo que o Saramago é clássico. Alegre 
Ótima leitura, boa seleção e muitos textos para aguçar a curiosidade daquele autor que sempre ouviu falar mas nunca teve coragem de ler. E também uma ótima publicação para dar mais visibilidade a Dublinense, que é uma boa editora mas que está normalmente escondida.
Por que ler os contemporâneos? – autores que escrevem o século 21
Organizadores: Léa Masina, Rafael Ban Jacobsen, Rodrigo Rosp e Daniela Langer
Editora Dublinense
224 pgs

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