[Retrospectiva 2014] A união entre Cia. das Letras e Objetiva

Em março de 2014 uma notícia surpreendeu o mundo literário: duas grandes editoras do país, a Companhia das Letras e a Objetiva, se uniriam e seriam parte de uma mesma empresa.

Apesar da fusão poder mudar as configurações do mercado editorial brasileiro (falaremos disso mais abaixo), ela aconteceu do outro lado do Atlântico. O conglomerado inglês Penguin Randon House, que possui 45% da Cia. das Letras, firmou acordo com o grupo espanhol Santillana, que tinha 76% da Objetiva, para a compra de todos os selos de interesse geral da empresa espanhola.

De volta ao Brasil: o que isso tudo quer dizer?

O grupo Santillana era acionista majoritário da Objetiva e todos os seus selos (Alfaguara, Suma de Letras, Fontanar, Foglio e Ponto de Leitura) e também possui a Editora Moderna e seus selos (educacional e Salamandra).

A Santillana manteve apenas a Moderna (afinal, livros didáticos são preciosos demais no mercado) e a Objetiva e seus selos passam a pertencer à Penguin Random House. As atividades no Brasil da Penguin Random House são supervisionadas por Luiz Schwarcz, fundador da… Cia. das Letras.

Lá em cima falamos que esta fusão “pode mudar a configuração do mercado brasileiro”. Mas por que usamos a palavra “pode”?

Se pensarmos em números absolutos, Objetiva e Cia. das Letras ultrapassa a Intrínseca em participação do mercado de livros de interesse geral, ficando apenas atrás da Record (com seus 15 selos) e da Sextante (que detém 50% da L&PM e 50% da Intrínseca). No entanto, comercialmente e editorialmente falando, ao longo dos meses, vimos pouca ou nenhuma mudança na configuração das editoras.

Luiz Schwarcz continua como Diretor Geral da Cia. das Letras, enquanto a Objetiva continuou sendo administrada pelo seu Diretor Geral, Roberto Feith. As equipes continuam agindo separadamente (Cia. em São Paulo, Objetiva no Rio de Janeiro).

As únicas coisas visíveis aos consumidores ano passado, foram algumas ações, que podemos considerar tímidas, em conjunto. Uma delas foi o estande na Comicon Experience, que trazia livros das duas editoras. Outro, na Festa do Livro da USP em dezembro. Mesmo sem anunciar, a Cia. das Letras vendeu alguns títulos da Objetiva durante o evento.

A impressão é que os dois eventos serviram como um teste, um piloto. Provavelmente em 2015 as ações comerciais sejam mais unificadas. Este ano temos a Bienal do Livro no Rio de Janeiro e quem sabe veremos um estande gigante com as duas editoras juntas? [isso é uma especulação da nossa cabeça, fique claro]

A grande dúvida é em relação à linha editorial. Muitos selos competem entre si por títulos e autores e estamos curiosos em como essa dinâmica se dará no futuro. Mas como isso é futurologia e estamos numa retrospectiva, é melhor parar com as especulações.

Um comentário em “[Retrospectiva 2014] A união entre Cia. das Letras e Objetiva

  1. Ei Gabriela! Tudo bem?
    Pois é… acho que não vai mudar o nome. Mas QUEM SABE (estou especulando aqui) essas duas editoras façam parte de um conglomerado que a Penguin Random House queira construir. Como a Editora Record, que foi comprando outras editoras (Civilização Brasileira, José Olympio…) e colocando como selos de um grande conglomerado mesmo.
    Mas vamos ver… acho que esse ano poderemos perceber mais mudanças…

    Bjsss e obrigada pela visita, Ju

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *