[Drops] 100 melhores cervejas brasileiras, As – Maurício Beltramelli

100 melhoresComo bom morador de espírito da Vila Madalena, sou um boêmio nato, e dito isso, há uma modesta biblioteca de bebidas na minha estante que algum dia eu, assim como fiz com os livros de cinema, revelo a vocês. Mas por enquanto fiquemos com uma pequena amostra da minha última aquisição, que é na verdade um livro muito básico, mas que ainda não existia: Uma lista com as melhores cervejas… do Brasil. Sim, temos o 1001 cervejas para beber antes de morrer, mas até o último folio da edição em inglês, pois a nacional deve estar desatualizada, as nossas nacionais não figuravam em boa escala. Por isso a comemoração de ver um livro nacional se prestar ao serviço de elencar alguma das melhores para que aqueles que adentrem no mundo do malte consigam ter um norte para a degustar.
O autor da lista é o sommerlier Maurício Beltramelli, que é proprietário de um bar de renome em Campinas, o Brejas (sugestivo não?), e apesar do subtítulo descrever como “Uma seleção para iniciantes e iniciados”, ele puxa o texto muito mais para os iniciantes, deixando para os iniciados mais uma seleção de bebidas e histórias para complementar a busca pela cerveja perfeita. A introdução do livro é um guia prático do que buscar ao se deparar com uma nova cerveja: o amargor, a corpo, temperatura ideal e até mesmo o copo para melhor degustação. Há todo um setor destinado a descrever o design do copo, o que eu pessoalmente achei excelente. Entretanto o livro faz uma omissão estranha, ainda que justifique, ao não dar a base das principais diferenças entre cervejas. Ele não explica a diferença básica entre American Lager (Skol, Brahma, Antarctica, etc) e Pilsen (Heineken). O livro se defende ao dizer que existem 120 tipos diferentes de classificação e ainda indica onde podemos encontrar para se aprofundar, mas poderia ter uma introdução para apontar as mais básicas como Lager, Ale, Stout e Weiss.

Dito isso, após um breve e bem clara introdução, vamos às cervejas: todas com fotos, ranking de  Amargor, Dulçor, Corpo, Tonalidade e um copo sugerido, além do lugar onde é produzida, estilo (american lager, Stout, Wheat beer e aqui realmente aparecem muitas terminologias de que nunca vi, então vou ter que consultar o site…), teor alcoólico, temperatura para servir, e um textinho que pode enganar quem está folheando e achar que é algum texto técnico sobre a birra, quando é somente uma pequena história de como ela começou a ser fabricada. reforçando a ideia de que este é um livro para um público que procura se iniciar, e não para os iniciados.
Esse é texto da conhecida Baden Baden Stout:
“O movimento mundial The Craft Beer Renaissance surgiu na Europa e nos Estados Unidos no final do século passado com o propósito de resgatar a antiga forma de fazer e beber cerveja, em oposição aos produtos massificados dos grandes grupos cervejeiros . Pregava-se a valorização das cervejarias artesanais, com produções mais esmeradas e bem-cuidadas, bem como dos pubs tradicionais e de um jeito mais exigente de consumir cerveja. Foi inspirado nesses propósitos que o quarteto fundador do Baden Baden construiu a pedra fundamental de sua cervejaria. (…)
Os amargores desta stout premiada vem quase que exclusivamente dos maltes torrados usados em sua formulação – e não do lúpulo, inserido com mero coadjuvante. No aroma, predominam o café e o chocolate. O dulçor no paladar socorre o amargor, equilibrando o conjunto.”
pág 49.

O texto sempre começa com alguma historinha para dar, em vias gerais, o esqueleto da bebida, de acordo com o que foi apresentado na introdução. Então se torna uma experiência divertida e bem didática na arte de degustar cervejas. É um belo livro sobre cervejas que vem acrescentar mais tema que foi “descoberto” esse ano, em especial com o grande boom de livros sobre cervejaria artesanal. Em dos poucos momentos em que não é pragmático com a estrutura do livro, Maurício fala sobre ”uma silenciosa revolução no Brasil” ao descrever uma procura por cervejas que saem do tradicional mass market e se emaranha pelo caminho de outros sabores. Ainda que seja bem romântico, posso garantir que a oferta de outros tipos de cervejas aumentou bastante nos último anos e estamos saindo do senso comum, que é a american lager absurdamente gelada, para outras coisas como a Way Sour que tem gosto de granola ou a Inglesa Mortimer que tem gosto de maçã. É um novo mundo alcoólico e esse livro é uma ótima introdução.

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