Espananews – Programação Flip 2014

Nesta quarta-feira começa a 12ª Edição da Festa Literária de Paraty. A Flip deste ano ocorre entre os dias 30 de julho e 3 de agosto e a palavra que pode definir a programação desse ano é diversidade. Diferente da maioria das edições, onde a Literatura era o foco principal da Festa, este ano ela divide as atenções com outras áreas.

Apesar do curador da Flip, Paulo Werneck, afirmar que sempre houve na programação um olhar para as outras áreas, um interesse grande por elas, é curioso perceber como o desequilíbrio dos nomes deste ano chama a atenção. Não só pelas atrações, por assim dizer, dessas outras áreas, mas principalmente por ter nomes inexpressivos da literatura nacional como Gregório Duvivier e Fernanda Torres (claro, existe sempre a mídia que os dois carregam consigo, além é claro deles serem colunistas da Folha e autores da Companhia das Letras, sempre forte na Flip), para nem precisar se estender muito. Sobre a falta de representantes nacionais na Festa, há também um texto que correu pela internet do Carlos Andreazza, da editora Record, que dá sua opinião sobre o caso.

O homenageado deste ano é um outro assunto que chama a atenção. Quando descobrimos que o nome escolhido era do grande Millôr, começamos a imaginar o quanto aquilo renderia debates na Flip, mais uma oportunidade de colocar os quadrinhos de novo em pauta, quem sabe uma homenagem ao sensacional Pasquim… Enfim, opções não faltavam. Mas quando veio a programação, a decepção foi enorme. O que vai ter de concreto sobre Millôr, é claro que como acontece com todo homenageado, será a palestra de abertura, que neste caso vai ser um entrevista com Jaguar, amigo e parceiro de longa data de Millôr, feita inacreditavelmente, é bom dizer, por Hubert e Reinaldo (do Casseta e Planeta, sim é isso mesmo que vocês leram – a gente sabe da importância que o grupo teve na década de 80, antes ainda de ir para a televisão, mas vamos combinar que a coisa degringolou nos últimos anos) e o crítico de arte Agnaldo Faria. Uma outra mesa ocorre na quinta-feira, às 10h, intitulada “O Guru do Méier” e conta com a presença de Cássio Loredano, Claudius e Sérgio Augusto. E não terá mais nenhuma outra mesa. Claro que vai ter a exposição na casa de Cultura, mas também foi assim no ano passado, quando o homenageado foi Graciliano Ramos.

Ainda na última quinta-feira (24) a organização da Flip anunciou que vai publicar cinco edições de um jornal diário chamado “Daily Míllor”. Os textos e desenhos serão feitos por convidados da Flip, como Antonio Prata, Luis Fernando Veríssimo e Ivan Fernandes, filho de Millôr.

Segue a programação completa da Flip com alguns dos nossos destaques:

30 de julho – quarta-feira
19h – Conferência de abertura, com o crítico de arte Agnaldo Farias e “Millormaníacos”, com Hubert, Reinaldo e Jaguar

31 de julho – quinta-feira
9h30 – Mesa Zé Kleber, com Paula Miraglia, Jailson de Souza e Silva e Rene Uren; mediação: Guilherme Wisnik

12h – “Poesia & Prosa”, com Charles Peixoto, Eliane Brum e Gregorio Duvivier; mediação: Miguel Conde
Eliane Brum sempre foi uma autora interessante que merecia uma mesa melhor. Miguel Conde, que já foi curador da Flip, é um bom mediador.

15h – “Os possessos”, com Elif Batuman e Vládímir Sorókin; mediação: Bruno Gomide
Uma das mesas mais interessantes da Flip deste ano traz a nova-iorquina Elif Batuman, apaixonada pela cultura russa (e influenciada pela Turquia, origem da sua família), que lançou pela editora LeYa o livro: Os possessos: Aventuras com os livros russos e seus leitores, uma mistura de crítica literária, biografia e relato de viagem. O outro nome é Vládímir Sorókin, o primeiro autor russo da Flip, que foi descrito como um dos principais intelectuais na resistência ao regime de Vladimir Putin e lança pela Editora 34 o o romance Dostoiévski-trip.

17h15 – “Fabulação e Mistério”, com Eleanor Catton e Joël Dicker; mediação: José Luiz Passos
Mesa imperdível. Eleanor Catton, vencedora do último Booker Prize com o seu livro Os Luminares, lançado aqui pela Editora Globo (no Selo Bibilioteca Azul) conversa com Joël Dicker, autor do badalado (mas não uma unanimidadeA verdade sobre o caso Harry Quebert, lançado aqui pela editora Intrínseca. E ainda tem mediação do sempre competente José Luiz Passos.

19h30 – “Paraty, Veneza do Atlântico Sul”, com Francesco Del Co e Paulo Mendes da Rocha; mediação: Guilherme Wisnik
Esta é para quem gosta de Arquitetura.

21h30 – “Porque era ele, porque era eu”, com Mathieu Lindon e Silviano Santiago; mediação: Paulo Roberto Pires
Mesa extra da Flip, traz o brasileiro Silvano Santiago e o francês Mathieu Lindon e segundo a descrição do que vai ser a mesa ela promete: “amizade, contracultura, drogas, paternidade, Aids, amor gay e suas representações literárias”. Mathieu lança pela Cosac O Que amar quer dizer, sobre a sua amizade com o filósofo Michel Focault e a difícil relação com seu pai, Jérôme, o mítico fundador das Éditions de Minuit. E Silvano lançou recentemente pela Companhia das Letras o livro Mil rosas roubadas, que fala sobre o amigo Ezequiel Neves, jornalista e produtor musical que ficou famosos por lançar o Barão Vermelho nos anos 80, com Cazuza à frente.

1º de agosto – sexta-feira
10h – “O guru do Méier”, com Cássio Loredano, Claudius e Sérgio Augusto; mediação: Hugo Sukman
Mesa sobre o homenageado da Flip, Millôr.

12h – “À mesa com Michael Pollan”; mediação: Lúcia Guimarães
Outro autor que ganhou destaque na Flip deste ano, o americano Michael Pollan discute a forma como lidamos com a comida e principalmente por sua militância a favor da comida saudável. Ele tem os seus livros publicados aqui pela Editora Intrínseca, como por exemplo As regras da comida, O dilema do onívoro e Em defesa da comida. Recentemente a FLIP publicou um manifesto em defesa da comida com 12 itens:

15h – “Marcados”, com Claudia Andujar e Davi Kopenawa; mediação: Eliane Brum
A questão indígena em debate com a fotógrafa Claudia Andujar e o xamã líder yanomami Davi Kopenawa. E a mediação da jornalista Eliane Brum. Curioso imaginar a reação do público recorrente da Flip a esse debate.

17h15 –  “Livre como um táxi”, com Antonio Prata e Mohsin Hamid; mediação: Teté Ribeiro
Antonio Prata, um dos melhores cronistas dessa geração, que lançou no final do ano passado o livro Nú, de Botas pela Companhia das Letras. A mesa promete uma conversa curiosa com o paquistanês Moshin Hamid, que lança também pela Companhia das Letras o irônico manual Como ficar podre de rico na Ásia emergente. Mesa que pode ser uma surpresa.

19h30 – “Encontro com Andrew Solomon”; mediação: Otávio Frias Filho
Jornalista americano que publicou um profundo estudo sobre a depressão (que o próprio autor passou) e que lançou recentemente um livro pela Companhia das Letras chamado Longe da Árvore – Pais, filhos e a busca da identidade, em que o autor realizou uma abrangente pesquisa sobre o universo da diversidade em famílias com filhos marcados pela excepcionalidade (texto do site da editora). Mesa que pode ser uma boa conversa.

21h30 – “2x Brasil”, com Cacá Diegues e Edu Lobo; mediação: João Gabriel de Lima
Faço nossas as palavras do curador da Flip sobre essa mesa: “dois monstros de nossa cultura”. Pois é.

2 de agosto – sábado
10h – “Liberdade, liberdade”, com Charles Ferguson e Glenn Greenwald; mediação: Lúcia Guimarães
Uma das mesas mais interessantes, envolve o jornalista Glenn Greenwald, colunista do jornal The Guardian que denunciou o esquema de espionagem da NSA através do ex-técnico da agência, Edward Snowden.

12h – “Memórias do cárcere: 50 anos do golpe”, com Bernardo Kucinski, Marcelo Rubens Paiva e Persio Arida; mediação: Lilia M. Schwarcz
Imaginávamos mais sobre os 50 anos do golpe este ano na Flip, mas ainda sim tem Bernardo Kucinski, um desses caras que vale a pena escutar e é claro ler os seus dois ótimos livros: K – relato de uma busca e Você vai voltar pra mim e outros contos, ambos lançados pela Cosac Naify.

15h – “A verdadeira história do Paraíso”, com Etgar Keret e Juan Villoro; mediação: Ángel Gurría-Quintana
Mesa imperdível com o israelense Etgar Keret, que lança pela Rocco seu 1º livro no Brasil, De repente uma batida na porta, e um dos maiores nomes da literatura mexicana, Juan Villoro que acabou de publicar o seu romance Arrecife pela Companhia das Letras. E com mediação do Ángel. Mesa que promete muito. Aliás, o Ángel fez um ótimo guia para mediadores (esperamos que os “mandamentos” sejam seguidos!):

17h15 – “Tristes trópicos”, com Beto Ricardo e Eduardo Viveiros de Castro; mediação: Eliane Brum
Mesa com dois antropólogos com um destaque especial para Eduardo Viveiros de Castro, reconhecido no Brasil e no Mundo (e com um perfil excelente na Piauí). Difícil saber o que esperar desta mesa em um dos principais horários da Flip.

19h30 – “Encontro com Jhumpa Lahiri”; mediação: Ángel Gurría-Quintana
Nascida em Londres e criada em Rhode Island, nos EUA, filha de pais de origem indiana, a escritora vencedora do prêmio Pulitzer de melhor livro de ficção no ano 2000 com Interprete de Males, que narra em seus livros um diálogo entre as culturas. No horário de ‘gala’ da Flip, pode ser uma das maiores atrações deste ano.

21h30 – “Narradores do poder”, com David Carr e Graciela Mochkofsky; mediação: João Gabriel de Lima
Mesa curiosa, com o jornalista do The New York Times, David Carr, que em 2008 lançou um livro chamado A Noite da Arma (aqui lançado pela editora Record), em que ele fala sobre a vida do próprio autor pela submundo das drogas. Ele escreve sobre assuntos relativos a mídia, seja ela impressa digital, vídeo, rádio e televisão. (para saber mais sobre o autor, clique aqui para ler uma entrevista). Graciela Mochkofsky, é jornalista e autora argentina que lança seu primiro livro e português, o e-book Estação terminal – Viajar e morrer como animais, sobre a investigação do desastre de trens que ocorreu em 2012 em Buenos Aires e deixou mais de 51 mortos e 795 feridos.

3 de agosto – domingo
10h – “Ouvir estrelas”, com Marcelo Gleiser e Paulo Varella; mediação: Bernardo Esteves
Ciência com o um dos seus maiores divulgadores aqui no Brasil, Marcelo Gleiser.

12h – “Romance em dois atos”, com Daniel Alarcón e Fernanda Torres; mediação: Ángel Gurría-Quintana
Daniel Alarcón é peruano, mas foi criado nos EUA e esteve na lista da Granta dos melhores jovens autores norte-americanos. Tem um projeto incrível na internet chamado Radio Ambulante, onde produz narrativas a partir de histórias reais enviadas por ouvintes da América Latina. É colaborador da sensacional revista Etiqueta Negra e lança pela Alfaguara o livro A noite que andamos em círculos. A mesa ainda tem a mediação do excelente Ángel. Uma pena que na mesma mesa tenha a Fernanda Torres, meio deslocada nesse contexto.

14h – “Os sentidos da paixão”, com Almeida Faria e Jorge Edwards; mediação: Paulo Roberto Pires
Mesa imperdível com dois autores que foram ‘apresentados’ (muitas aspas aqui) ao Brasil há pouco tempo. O chileno Jorge Edwards lançou pela Cosac Naify o romance A Origem do Mundo, que evoca Machado de Assis e seu Dom Casmurro (influência confessa pelo autor). E o português Almeida Faria, que lança o livro A Paixão, também pela Cosac Naify, livro que antecipa o clima da Revolução dos Cravos e evoca o estilo de Raduan Nassar.

16h – “Livros de cabeceira” – Convidados da Flip leem e comentam trechos de seus autores favoritos; com: Andrew Solomon, Etgar Keret, Graciela Mochkofsky, Joël Dicker, Juan Villoro, Eduardo Viveiros de Castro, Fernanda Torres e Marcelo Rubens Paiva.

A Flip não é só feita da sua programação principal, existem outras programações paralelas, sempre com ótimas surpresas. Então se você não conseguiu ingressos para alguma mesa, opções pela cidade não faltam.

Abaixo, links com outras programações que já foram disponibilizadas:

FlipZona

Flipinha

Flip Mais (na Casa de Cultura)

OFF Flip

OFF Flip das Letras

V Circuito dos Pratos Literários

Casa do IMS

Casa SESC

Casa da Folha

Casa da Rocco

Casa do Autor Roteirista

Casa da Intrínseca 

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