Tirando o pó: Aleph 30 anos

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A Aleph fez um café da manhã para iniciar as comemorações balzaquianas e nós estivemos lá para acompanhar a festa que durou pouco mais de 3 horas, entre café da manhã, palestra e planos da editora para o futuro. E podemos dizer que o futuro está chegando.


A Aleph é uma das minhas editoras preferidas desde os anos 90 quando publicava a série de romances do Jornada nas Estrelas (e que hoje é conhecido como Star Trek.rsrs). Minha mãe tem até hoje todos eles enfileirados na ordem numérica, à exceção dos lendários volumes 21, 23 e 25, que nunca chegaram a ser editados. Então ser doutrinado na FC já remonta à velha infância, tanto é que sempre tive a noção de que a editora era A Editora de FC no Brasil. Por isso foi uma grande surpresa descobrir que no final anos 90, quando achei que a editora tinha fechado, ela estava publicando livros técnicos de turismo (?!).

Fico feliz que tenha voltado à Ficção Científica. Obviamente uma dos pontos da manhã da última quarta foi abordar a história da editora, e se os livros de turismo foram uma informação chocante para mim, o surgimento da editora em 1984 com livros técnicos de informática e programação de jogos me parecem somente, como diria Sr. Spock, um começo lógico. Aliás, livros sobre programação de jogos atuais só existem em inglês, tendo uma coisinha ou outra pela Focal Press no Brasil, mas nada de relevância e tem bastante coisa lá fora… só estou dizendo.
Não. A Aleph para o futuro não apresentou nenhum plano de voltar a esse mercado mais técnico de publicações de informática e sim continuará enriquecendo aquilo que ela resgatou em 2003, que é a publicação de clássico da FC e alguns títulos modernos e novas experiências que estão em congruência com isso. Vamos aquilo que mais me chamou a atenção:

Robert A. Heinlein finalmente na editora. Nenhuma editora publica o autor faz algum tempo, aliás  creio que a última vez que vi uma edição da obra foi quando Tropas Estrelares chegava ao cinema, ou seja, faz tempo… Entre os livros que serão publicados do escritor estão o Tropas Estrelares (1959) e o fantástico Um Estranho num Terra estranha (1961), que só fui ler em uma edição portuguesa da Europa-américa para um clássico necessário.

Novo livro de Sonia Rodrigues. Que eu, aliás esqueci o título, mas sai este ano. Sonia é filha de Nelson Rodrigues e está fazendo um pesquisa sobre séries de televisão, que é linguagem que mais evoluiu em termos narrativos nos últimos 10 anos. Será um manual de roteirização que, seguindo o preceito do recém lançado, Homens Difíceis, tenta dar uma abordagem mais técnica ao projeto de série. Principalmente com o boom de séries nacionais em decorrência da nova lei, estamos precisando de livros sobre o assunto, especialmente porque as séries são tão fraquinhas…

Graphic novels. O Quinto Beatle acabou de sair, e é uma graphic sobre o empresário que descobriu os Beatles. Além dele, a editora planeja lançar a graphic referência em FC, Le Transperceneige (1982), sobre um mundo pós-apocalíptico em que a humanidade só existe dentro de um trem e os conflitos sociais ainda persistem. Um filme com Chris Evans saíra no final do ano, mas não parece ser grande coisa, agora o quadrinho é um clássico francês.
transperceneige

Biografia do P.K. Dick – Emmanuel Carrére já fez há algum tempo um biografia sobre o célebre escritor, mas só agora ela chegará em português. Além de ter admiração do escritor francês, a vida de Dick foi um misto de loucura, drogas, depressão e intenso trabalho criativo.

Eu, Robô e Planeta dos Macacos – Os dois clássicos de FC serão publicados pela Aleph. Eu, robô, para completar a coleção de essenciais de Asimov. Planeta dos Macacos em edição de luxo, assim como Laranja Mecânica e 2001.
E a grande notícia para pirar qualquer nerd (e a sala do Reserva Cultural realmente explodiu em aplausos), foi a confirmação de parceria com a Disney para publicar o universo expandido de Star Wars. Os livros saem desde os anos 90 e continuam as histórias do universo até hoje. Há o clássicos Sombras do Império, que narra os acontecimentos entre os episódios IV e V, e o clássico Vector Prime, mais conhecido como o livro em que Chewbacca morre. Muitos Jedis e Siths aguardavam a edição tupiniquim destes há anos, a grande questão é será que o episódio VII de J.J. Abrams vai respeitar esse universo?
vector prime
No mais, parabéns para Aleph nos levando nos levando aonde nenhum leitor jamais esteve.

Um comentário em “Tirando o pó: Aleph 30 anos

  1. Olá, Rafael:
    É realmente curiosa essa mistura de assuntos no catálogo da Editora Aleph . Já fiquei em dúvida após a leitura de um de seus livros técnicos. Há dois anos comprei o livro Armas Eletromagnéticas, que fala de armas secretas e estratégias dos serviços de inteligência. Tão surreal que pensei: será que é ficção? Abraço.

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