X-Men : Days of Future Past – Chris Claremont & John Byrne

 
x-menChris Claremont foi um dos nomes mais importantes da série dos X-men, tendo criado boa parte dos grandes arcos que hoje são conhecidos pela cultura pop moderna, além de personagem tradicionais como o Homem-Múltiplo e Moira MacTargget. Seus maiores trabalhos a frente da série foram a épica jornada da “Saga da Fênix Negra” e “Dias de um futuro Esquecido”, esta que é considerada uma três maiores histórias dos X-men, juntamente com a saga da Fênix Integral e a Era Apocalipse. Quando comecei a ler o volumoso encadernado da Marvel Americana, já estava preparado para uma saga com diversas ramificações como atualmente, e estranhamente essa história antológica tem pouco mais de 48 páginas… o resto do volume mostra outras histórias posteriores que se ligam ao arco principal que compreendem não só os x-men mas Excalibur, Quarteto e até mesmo o Hulk. Decepção, não… mas ela já está envelhecendo quando olhamos outras histórias do X-men.
 
Para entrar desta história temos que ter o olhar mais histórico dentro da série dos X-men do que pela obra em si, que é uma simples aventura criada em duas revistas, as edições 141-142. Ela vem pouco depois do momento mais sombrio dos X-men, a morte da Fênix consumida por seus próprios poderes, e a sequente partida de Scott Summers, as histórias de Claremont subsequentes trariam a inclusão da Lince Negra, Kitty Pride, e questionamentos sobre a permanência de Logan com os X-men. Uma constante da equipe e dos roteiros era a gama de brigas internas que a segunda formação dos mutantes traziam, vide que eram quase todos internacionais (Wolverine, Tempestade, Colossus, Anjo, Noturno e Kitty Pride) e Os Vingadores já estavam provando que uma equipe que briga é mais divertida. E se o clima estava quente, a inclusão das fortes cenas de extermínio contidas na história “Dias de um Futuro Esquecido” só traziam mais quentura à brasa dos X-men.
Dito isso, vamos a história: Num futuro não muito distante os Sentinelas venceram e exterminarão quase todos os mutantes e super-humanos do mundo. Todos são classificados pelos genes e até mesmo aqueles que não manifestam o gene mutante são subjugados. Os x-men derrotados tem uma última esperança na figura de uma telepata poderosa que pode enviar a consciência de uma já idosa kitty Pride a seu corpo mais jovem no momento em que o mundo se voltaria por completo à caça dos mutantes: o assassinato do senador Kelley. Sua missão é impedir que Mística e a Irmandade (Piro, Blob, Destino e Avalanche) consigam matar Kelley.
 
Ela encontra os X-men no passado e o pau rola solto. Estamos 1981, ou seja longe da revolução das Graphic em 1986 e a linguagem  do quadrinho e cheia de descrições de ações desenhadas que mostram bastante o que era o quadrinho do final do 1970. Durante a ação temos a marca característica de Claremont ao colocar sutilmente questões que atormentam os heróis, como Ororo questionando se é líder que os X-men precisam, a própria discutindo com Wolverine ou mesmo Noturno notando a semelhança física com Mística o que posteriormente seria explorado com muito mais detalhes… essas conflitos é o que faziam a série dos X-menir tão longe, e alias ainda faz.
 
Mas não tenho certeza se os escritores sabiam que estavam criando algo muito maior, tanto é que a extensão da história é muito menor que o normal para uma grande saga. No fundo é uma aventura bem básica, mas o que a faz ser inesquecível é o conceito que ela trouxe para a série: O futuro. Um futuro distópico que influenciou muitas outras Hq’s, que mostrou a morte de Wolverine de maneira cruel e a ideia de que há um futuro apocalíptico para os X-men a partir daí seria um ponto em comum na hq tanto é que Bishop, Cable e até mesmo o contrário da distopia (Dinastia M) devem a este arco.
 
Dentro do encadernado já vemos na totalidade a influência da história ao vermos como a saga foi sendo revisitada e ampliada. Em Days of Future Present, que começa posteriormente vemos Rachel Summer s voltando no tempo agora em corpo físico e sendo seguida pelo líder dos Sentinelas, para mais uma vez alterar o futuro protegendo o filho Scott e do Sr. Fantástico. A personagem de Rachel acaba ficando em nossa realidade e a partir daí se junta ao grupo Excalibur, mais duas saga envolvendo a distopia são trazidas na página deste e recentemente uma prequel para Wolverine e Hulk, foram escritas e incluídas no volume. O que acaba criando uma obra estranhamente ligada a história da linguagem nas hq’s, vide que a saga original pode ter uma linguagem mais difícil de assimilar pelo seu excesso de descrições e as últimas histórias estão completamente ligadas ao traço moderno com poucos balões.
 
Dias de um futuro esquecido está na história das hq’s não só dos x-men mas no mundo dos super-heróis, mas é necessário ter ciência da grandiosidade do que se criou a partir dela para não se decepcionar. Mas vale a Leitura.
 
E o filme??..
 
E para comemorar o Dia do Orgulho Nerd, sim nós já vimos o Filme que estriou na última sexta e em termos cinematográficos é uma das melhores obras da Franquia. Para alguns será a melhor, pois a grande dificuldade do roteiro era deixar tudo com coesão e é ele é extremamente ágil nisso, e ainda consegue dar muita profundidade a maioria dos personagens que aparece em tela.
 
Assim como no quadrinho o mundo está devastado com a criação dos sentinelas que exterminaram quase todos os mutantes e muito humanos. A distopia lembra muito o mundo James Cameron em Terminator, e obviamente campos de extermínio no design do cenário. Os X-men do futuro são Xavier, Magneto, Bishop, Lince Negra, Blink, Homem-de-gelo, Mancha Solar, Apache, Tempestade e Wolverine. Lince desenvolveu um novo poder mutante que permite fazer a consciência de alguém voltar no tempo, e assim eles sobrevivem ao ataque de sentinelas futurísticos que conseguem absorver e imitar o poder dos mutantes. A situação é desesperadora e eles lançam uma última tentativa de vencer a guerra enviar Wolverine para 1973 e impedir que Mística (Jennifer Lawrence) assassine o criador dos Sentinelas (Tyrion… quer dizer, Peter Dinklage). Assim como no quadrinho o “viajante do tempo” está dormindo enquanto sua mente transita no passado, o que coloca a narrativa em dois tempos distintos, Logan no passado reunindo Xavier e Magneto para caçar Mística e os X-men no futuro garantindo que o corpo de Logan não morra.
 
Pode parecer um filme de ação quando colocado nessas linhas, e estranhamente não é. Tem seus momentos de ação extraordinários, mas consegue ser mais intrigante no desenvolvimento dos personagens, Xavier (James McAvoy) é retratado como um melancólico que beira o vício, Magneto (Michael Fassbender) como um fundamentalista extremista, Mística como um mulher a ponto de explodir de raiva e um Logan que consegue ser menos guerreiro e mais sentimental, até mesmo o vilão de Dinklage tem uma profundidade diferente da habitual nesse tipo de filme. E no meio disso o Mercúrio de Evan Peters quase rouba o filme em uma participação que é o ponto mais leve da fita., o que via deixar o Mercúrio dos Vingadores com uma missão bem difícil de ser mais carismático que este A trama segue muito mais a trama do passado e nem chega a focar em Wolverine no final, os x-men do futuro basicamente são resumido a seus poderes e uma cena incrível e triste para qualquer fã da série.
 
O roteiro além de ser muito inteligente, conserta muitas burrice de X-men: Confronto Final e é uma grandes filmes da temporada. Contudo no quesito adaptação a cinessérie continua desafiando o conceito, pois ela sempre foi uma adaptação que mexe demais nos personagens. Se já tivemos o Ciclope morrendo, um Deadpool com garras, uma mística irmã de Xavier e um número bem alto de mortes, não se decepcione com mais algumas e com um William Stryke nessa história que cria um único furo e enorme no roteiro, mas enfim… Há anos que não analiso os X-men dos quadrinhos com os filmes, pois estes conseguiriam construir uma outra identidade bem diferente do quadrinho e isso é raro.

Logicamente há uma cena no pós-crédito e ela já vai te deixar ansioso por mais. E sim, ele está chegando…

 

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