Quando o ultimo livro da série é o melhor.

Jogos do Prazer é o terceiro livro de uma sequência escrita por  Madeleine Hunter e que começa com Regras da Sedução, um romance  bonitinho, mas nada inesquecível, que foi seguido por Lições do Desejo, que em sua maior parte parece uma daquelas  “aventuras” estreladas pela musa do pornô-soft Emmanuelle.  Falando assim parece que eu não gostei desses livros, mas não é bem assim, eles são bons. O problema é que as histórias são frouxas, não empolgam, não emocionam. Agora Regras da Sedução é uma (com perdão do trocadinho) outra história.
Roselyn Longworth é prima da heroína do primeiro livro da série e irmã de um dos vilões. Esse irmão tinha um banco e ele fugiu do país levando o dinheiro dos correntistas, deixando ela e a irmã abandonadas. Estamos numa época em que uma mulher sem uma figura masculina protetora é presa fácil para homens mal intencionados e é exatamente isso que a senhorita Longworth se torna: uma vítima inocente. Um dos correntistas enganados por seu irmão, como vingança, a seduz e algum tempo depois a coloca num “leilão”. Roselyn  acredita que está condenada a se submeter a algum homem com menos caráter que seu “leiloeiro”, quando Kyle Bradwell  a arremata e a livra de um fim mais indigno ainda.

A principio ela acredita que Kyle é só mais um dos devassos que estavam no leilão, mas ele é extremamente gentil com ela. Depois ele a surpreende mais ainda lhe propondo casamento.
Ela é uma moça arruinada e um casamento pode salvar sua reputação e evitar que um escândalo maior se abata sobre o que restou de sua família. Rosalyn aceita se casar com Kyle. E é aí que o livro fica bom: Madeleine Hunter descreve com delicadeza e sensibilidade o desenvolvimento do relacionamento entre Rosalyn e Kyle. Eles são praticamente desconhecidos, ela já não é mais uma moça virgem e teme que ele não a perdoe e, pior, não a respeite por conta de um erro do passado. Ele não é um cavalheiro, não pertence à nobreza. Kyle é uns dos primeiros de uma nova classe social que surge na sociedade inglesa: é um burguês, alguém que através do trabalho construiu sua riqueza.  
É bem emocionante ler como eles vão superando cada obstáculo, cada dúvida e vão construindo  um relacionamento e, em seguida, um casamento satisfatório. Quando se casam eles não se amam: ela busca segurança e ele está encantando pela beleza dela. Mas eles se apaixonam e isso é legal, porque quando finalmente o sentimento surge não é baseado em ilusões: eles dividem a mesma casa, eles se conhecem.
Eventualmente o passado dela volta para perturbar o equilíbrio do casal, algo acontece e testa a união ainda frágil deles e lógico o final é feliz, mas não feliz com tudo certinho (porque no final muita coisa não está “certinha”). É um final feliz porque sabemos que eles ficarão juntos não importa o que aconteça.
Gosto desse livro porque é uma história que mostra que casamentos precisam mais que “amor”. Para um casal se manter junto, precisa mais que paixão: precisa respeito, confiança e otimismo. E, isso mais que o romance é o que torna essa história tão encantadora.
Jogos do Prazer
Autora: Madeleine Hunter
Arqueiro, 2014

240pp

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