Fábulas: Lendas no Exílio

Hoje é a 1ª parte de um post em conjunto. Aproveitando que hoje vamos falar sobre a série de quadrinhos “Fábulas”, amanhã o Menezes fala sobre o jogo que foi lançado, baseado na HQ.

O universo mágico de contos e fábulas “infantis” expandiu muito nos últimos anos. Sempre que pensamos em contos clássicos é difícil de não imaginar bichinhos adoráveis (no caso das fábulas) ou mesmo histórias de princesas em seus castelos vivendo felizes para sempre.

Ainda que essa ideia já esteja estabelecida, ocorreram algumas mudanças nos últimos tempos que vieram para bagunçar um pouco tudo isso.

Uma das primeiras mudanças foi perceber que muitos desses contos originalmente são bem diferentes das adaptações que apendemos a conhecer em livros infantis e também nos filmes da Disney. Dentro desse novo universo, uma série absolutamente original se destaca é Fábulas.


Criada por Bill Willingham, a série que começou em 2002 pela Vertigo (DC Comics), e ao longo dos anos se firmou com sucesso de público e crítica (ganhando vários prêmios Eisner, o mais importante dos quadrinhos).

Aqui no Brasil, a série já foi publicada pela Devir, Pixar e hoje é lançada pela Panini que, diferente das edições americanas, a está relançando em arcos completos (normalmente 5 edições regulares).
Hoje aqui n’O Espanador, vou falar sobre o 1º Volume, chamado Lendas no Exílio.

Imagine que todas aquelas fábulas (como os próprios personagens se referem) que imaginamos em livros infantis existissem de verdade. Só que diferente do que pensamos, boa parte delas existe e vive em um bairro de Nova York. Entre as pessoas que moram lá, temos a Branca de Neve, o Lobo, O Garoto-Azul, o João, o Barba-Azul, a bela e a Fera e muitos outros.

Ainda que isso pareça absurdo, se preparem para ver uma das melhores HQs que eu li em muitos anos (ainda mais se pensarmos em uma revista regular).

“Fábulas” narra a história desses personagens ‘famosos’ que foram expulsos de suas terras natais por alguém muito poderoso e misterioso chamado de O Adversário. Exilados de seus lares, eles vieram há mais de 200 anos (quando a cidade ainda se chamava Nova Amsterdã) para esse bairro no meio de Nova York, para viver entre os mundanos (pessoas normais).

A história começa com João (aquele do pé de feijão), que na comunidade das fábulas é conhecido como o mentiroso, o trapaceiro, e que ninguém leva muito a sério, indo atrás do investigador (ou seria xerife) da cidade, Bigby Lobo (sim, famoso por derrubar a casa dos 3 porquinhos), anunciando uma tragédia: Rosa Vermelha (irmã da Branca de Neve,  a vice prefeita e administradora da comunidade) desaparecera e o seu quarto está coberto de sangue…

Ao longo deste arco, vamos conhecendo mais personagens como o sensacional Príncipe Encantado (que traiu a Branca com a irmã Rosa), que se mostra o cafajeste convicto. Aparece também o sinistro Barba Azul entre outros.

O mais interessante em “Fábulas” é o roteiro. A forma como o arco é apresentado e a todo instante vamos recebendo novas informações de personagens para tentarmos entender um pouco da motivação de cada um (ou em alguns casos a eterna suspeita, como é o próprio João).

Estava esquecendo de um fato importante: as fábulas que vivem em Nova York são aquelas que conseguem manter o aspecto humanoide, ou conseguem se transformar (como é o caso do Bigby Lobo). As que não conseguem essa transformação e tem o aspecto de animais (ainda que falantes, obviamente) são obrigadas a viver em um lugar afastado no campo chamado: A Fazenda.

Ainda que esse primeiro volume gire em torno da trama (batida) de mistério, é uma ótima introdução para um novo e sensacional universo. Lendo os volume seguintes de “Fábulas”, é impressionante perceber que o roteiro não te ‘enrola’, muito pelo contrário. Em alguns casos você pensa que ele vai estender mais um pouco uma parte do arco (normalmente como ocorre com histórias de heróis) e ele acaba da forma mais direta possível. Fiquei muito impressionado com a honestidade do roteirista.

O traço, quase que sempre por conta Mark Buckingham, é bem competente e ele tem umas sacadas boas para construção das cenas e o acabamento nos detalhes das páginas (às vezes um ornamento, ou alguns símbolos) são sempre cuidadosos.

Se você ainda tenha alguma dúvida, dê uma chance ao “Fábulas”. É uma das séries mais impressionantes que eu já li.

Ps. A série continua a ser publicada lá nos EUA, mas o seu criador já anunciou que ela vai acabar no nº 150 (no começo de 2015, já que a série lá fora já passou do nº 130). 
Fábulas – Lendas no Exílio 
Roteiro de Bill Willingham
Arte de Mark Buckingham e Lan Medina, James Jean (arte das capas) Arte-finalista Steve Leialoha e Craig Hamilton
Editora Panini / Vertigo
132 páginas

Um comentário em “Fábulas: Lendas no Exílio

  1. Até agora eu só li “Lendas no Exílio” e “Revolução dos Bichos”, mas gostei tanto que já comecei a comprar os outros… =D
    Eu também fiquei surpresa com o jeito sem rodeios do roteiro de Fábulas. Eu esperava uma coisa meio Once Upon a Time (a série da ABC), mas me deparei com uma história adulta e desencanada. Em um mundo cheio de mimimis, é revigorante!
    Só uma dúvida: todas essas imagens do post estão em Lendas no Exílio? Algumas delas são novidades para mim…
    Beijo!
    http://maquiadanalivraria.blogspot.com.br/

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